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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

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Praça de Toiros “Palha Blanco” – Vila Franca de Xira – 04/10/20 – Corrida Mista

Director: Lara G. Oliveira – Veterinário: Jorge Moreira da Silva – Lotação: Cheia

Cavaleiros: António Ribeiro Telles e António Telles filho

Forcados Amadores de Vila Franca

Matadores: David Fandila El Fandi e João Silva “Juanito”

Ganadarias: Vale Sorraia (1º e 5º), David R. Teles (2ª), Calejo Pires (3º, 4º, 6º e 7º)

O PÚBLICO E OS TOUREIROS MERECIAM BEM MAIS…

Não é fácil escrever tudo o que vai na alma de quem, como eu, espera ver toiros com idade, peso e trapio e que proporcionem boas condições para os toureiros poderem fazer arte, emocionar-me, fazer sair olés da garganta e bater palmas até ficar com as mãos vermelhas. Pois isso é também que o grande público que é a razão de ser do espectáculo tauromáquico porque é quem paga bilhete e sustenta este apaixonante espectáculo… Para isso é preciso quês e conjuguem muitas condicionantes, começar pelo elemento principal, o toiro. Na corrida desta tarde em Vila Franca, faltou o toiro a que a Palha Blanco está habituada e merece, em especial no que se refere ao toureio a pé.

Os toiros de Calejo Pires não tiveram nem apresentação ( o primeiro escorrido de carnes e cariavacado; o terceiro bastote, sem pescoço) nem a mínima bravura e qualidade de investidas que permitissem o toureiro repousado e artístico que todos gostamos. Os dois últimos foram mansos e com investidas rebrincadas, muitas vezes a procurar derrotar no estaquilhador da muleta e/ou a desligarem-se e a buscar a fuga à luta. Não gostei dos toiros apesar de os matadores, a espaços, terem conseguido bons muletazos.

Dos três que se lidaram a cavalo, o segundo tinha ferro de David Ribeiro Telles apesar de anunciado como Vale Sorraia e foi manso e os outros dois, primeiro e quinto, com ferro de Vale Sorraia tiveram alguma qualidade e mobilidade para o toureio.

Abriu praça António Telles com uma lide dentro dos cânones habituais, lidando bem, deixando o toiro bem colocado e cravando alguns bons ferros, o que repetiria no quinto da tarde, voltando a deixar constância do excelente momento que atravessa e da sua enorme afición.

O jovem praticante António Telles filho mostrou desenvoltura e critério perante um toiro manso que lhe colocou problemas mas que resolveu muito bem. Uma actuação muito acima da média.

Para pegar estes três toiros, os Amadores de Vila Franca tiveram na cara dos toiros os forcados Luís Valença Cardoso que consumou à segunda, Diogo Conde à terceira tentativa e João Matos a fechar-se ao primeiro intento.

David Fandila “El Fandi” teve um primeiro toiro que foi manso e que não rompeu, mesmo que o toureiro tudo tivesse feito para que isso acontecesse. Teve um bom quite por chicuelinas e  cravou 3 bons pares de bandarilhas que fizeram as delícias do público. O toiro tentava derrotar na muleta, e Fandi bem tentou convencê-lo a investir, mas sem sucesso, pois o toiro apenas se defendia. No seu segundo, uma larga cambiada de joelhos e algumas verónicas mostraram a intenção do toureiro que voltou a bandarilhar a contento. Lutou com o toiro, cruzou-se, procurou as distâncias e os terrenos para conseguir sacar alguns bons muletazos mas o toiro pouco queria e cedo se começou a desligar. Entrega e pundonor do toureiro que o público, muito justamente, reconheceu.

João Silva “Juanito” enfrentou um primeiro toiro que passou imenso tempo de cara no chão e a raspar mas conseguiu algumas boas verónicas e chicuelinas. Começou bem a faena de muleta, por baixo e pelos dois pitóns e conseguiu alguns dos melhores derechazos da tarde bem como dois naturais. O toiro foi-se defendendo e o toureiro prolongou em demasia uma faena que havia tido pormenores interessantes. O que encerrou praça era impossível e como foi mal bandarilhado, as suas investidas, brutas e a defender-se. Impediam mais do que uma faena de alinho.

Dirigiu o espectáculo Lara Gregório de Oliveira assessorada pelo veterinário Jorge Moreira da Silva.

Texto e fotos: António Lúcio