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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

VALEU A PENA ESPERAR: GRANDE FAENA DE MULETA DE LUÍS MIGUEL NAHARRO FRENTE A UM EXCELENTE ERAL DE QUINTA MATO-DEMO (IRMÃOS CARREIRAS)

17.09.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros “Daniel do Nascimento” – Moita – 17.09.14

Director: Rogério Jóia – Veterinário: José Manuel Lourenço – Lotação: 1/6

Novilheiros: Juan Luís Moreno, João Martins, Sérgio Gonçalves, Juan Marques, Sérgio Nunes, Luís Miguel Naharro

Ganadarias: Manuel Calejo Pires (1º), José Lupi (2º, 4º, 5º), Quinta Mato-Demo (6º); Cunhal Patricio (extra)

 

VALEU A PENA ESPERAR: GRANDE FAENA DE MULETA DE LUÍS MIGUEL NAHARRO FRENTE A UM EXCELENTE ERAL DE QUINTA MATO-DEMO (IRMÃOS CARREIRAS)

 

A novilhada popular que marcou a tarde de 17 de Setembro na Moita vai ser recordada pelos bons aficionados pela qualidade da faena executada por Luís Miguel Naharro (Escola de Mérida) a um excelente eral da nóvel ganadaria de Irmãos Carreira, lidada como Quinta de Mato-Demo. Foram momentos vibrantes, os grandes momentos da tarde, e merecedores dos maiores aplausos dos aficionados que se deslocaram até à “Daniel do Nascimento”.

 

Mal Luís Miguel Naharro abriu o capote que pudemos perspectivar o que sucederia de seguida. Classe, sentido de lide, colocação irrepreensível e umas magníficas verónicas rematadas com meia. Com apenas um par de bandarilhas colocado, mandou mudar de tércio e, com a muleta, foi fantástico de se ver e sentir o bom toureio que a todos deliciou. Temple, mando, suavidade nos toques de muñeca, um conjunto de recursos para sacar excelentes muletazos por ambos os pitóns, embebendo a classe das investidas do eral nos voos templadíssimos da muleta. Há dois ou três naturais e outros tantos derechazos de escândalo tal a sua classe e profundidade. Foi o claro triunfador da tarde.

 

Juan Luis Moreno (Badajoz) recebeu o seu eral (de Manuel Calejo Pires e a servir) com uma larga cambiada de joelhos e algumas verónicas, não estando depois afortunado nas bandarilhas e na faena de muleta. Tem uma figura que não ajuda muito e o seu trasteio de muleta não ultrapassou o sofrível.

 

João Martins (Vila Franca) foi á porta-gaiola receber o seu oponente (de Lupi e manso sem permitir o lzimento) e fê-lo com uma larga cambiada de joelhos e alguns lances a tentar fixar o eral que queria tudo menos investir. Cravou com decisão dois bons pares de bandarilhas e com a muleta apenas trasteio de alinho, sem que o eral lhe desse hipóteses de ligar dois passes seguidos. Fez bem em abreviar.

 

Sérgio Gonçalves (Moita) lidou um cumpridor eral de Santiago. Desenhou algumas verónicas e cravou um bom par de bandarilhas. Esteve razoável com a muleta, melhor pelo lado direito que ao natural, conseguindo alguns momentos de interesse apesar de ter prolongado em demasia a lide.

 

Juan Marquez (La Algaba) lidou um manso de Lupi, que se defendia e metia pelo piton direito. Lanceou á verónica e mostrou maneiras com a muleta, roubando passes por ambos os pitóns, expondo-se e sendo aplaudido pelo público.

 

Sérgio Nunes (Campo Pequeno) teve por diante outro eral de Lupi, que serviu, e com ele esteve razoável nas verónicas, desacertado nas bandarilhas e um pouco à mercê do oponente durante toda a faena de muleta onde só episodicamente conseguiu alguns muletazos de melhor expressão. Pareceu-nos demasiado nervoso e desconfiado.

 

Extra espectáculo actuou a jovem bezerrista da Moita, Paula Santos. Frente a um eral de Cunhal Patricio, que não ajudou muito, viu-se com agrado nas verónicas com que o recebeu e em alguns momentos com a muleta, em especial no início.

 

Direcção criteriosa e aficionada de Rogério Jóia que foi assessorado pelo veterinário José Manuel Lourenço.