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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

SETUBAL – “FOI EXACTAMENTE COMO NOS VELHOS TEMPOS…” – POR SOLANGE PINTO

27.07.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Foi exactamente como nos velhos tempos… As imediações da Praça de Touros Carlos Relvas, a cerca de uma hora do espectáculo, estavam viradas do avesso… O burburinho expectante de uma grande noite de toiros, tomou conta do Bairro Baptista, onde está instalado o monumento que marca a traça urbanística desta zona da cidade do Sado, sendo património municipal.


Parques de estacionamento a abarrotar, cafés e restaurantes cheios e ambiente a ‘top’ faziam antever lotação esgotada para ver um cartel elogiado pelas gentes setubalenses.

 

Longe vão já as corridas de oito toiros no segundo fim-de-semana da Feira de Sant’iago e as apoteóticas noites com público vindo de todos os quadrantes do país taurino.

 

Ontem, antes de qualquer coisa e facto histórico a assinalar neste escrito, é a reconciliação da afición setubalense com a tauromaquia na sua cidade!

A Carlos Relvas não esgotou, mas encheu para vibrar com o fabuloso naipe de artistas em cartel.

 

João Moura é um dos ‘tais’ que via em Setúbal, um dos seus mais queridos palcos… A sua primeira actuação foi amputada pela inexistência de oponente, ficando apenas com uma hipótese de dar nas vistas. Voltou a dar um ‘cheirinho’ da sua arte, perante um público que o respeita e sobretudo que recorda quem foi este Maestro de méritos mundialmente reconhecidos.

 

No entanto, foi de Rui Fernandes o mor triunfo deste espectáculo de ambiente inigualável, verdadeiramente à antiga. Rui vinha com tudo e tudo levou consigo… As ovações de uma praça a si rendida, digo eu, devem ser difíceis de olvidar. Frente ao primeiro mansarrão do seu lote, fez o impensável, fazendo-nos mesmo esquecer que dali resultaria potabilidade zero! Rui deu lição, Rui deu espectáculo e fez sobretudo… arte a cavalo!

Frente ao segundo, um astado mais manejável que como os restantes pertenciam à ganadaria Branco Núncio, voltou a dar banho de toureio, de faculdades, de inspiração! Esteve soberbo, foi o grande triunfador desta corrida, aquele que as pessoas queriam voltar a ver muito em breve…

 

Creio não ser injusta se disser que o factor novidade e muito responsável por devolver a Setúbal a ilusão nas grandes noites de toiros, foi Pedrito de Portugal. Foi ele, aliado aos dois nomes que atrás referenciámos, que encheu Setúbal.

 

Vestido com um fato verde e ouro, já com triunfos nas suas entranhas, Alexandre Pedro sentiu-se a gosto frente ao seu primeiro ‘Caetano’, dando um leve ‘perfume’ da sua profunda tauromaquia de fino recorte. Houve pelo menos duas séries de enlevo, com repetição e domínio.
Pedrito escutou olés, muitas palmas e deixava grande ambiente para o segundo. No entanto, o seu segundo nada tinha que não fosse perigo e vontade de perseguir o toureiro que, de muleta mais não pôde que ‘trastear’!

Pedro Gonçalves saudou de ‘montera en mano’, deixando um grande par de bandarilhas, daqueles que o catapultaram para os lugares cimeiros na arte de bandarilhar a pé. Houve ainda pares correctos de Fábio Machado e Claúdio Miguel.

Brilhou por chicuelinas e antes por veronicas.

 

Dos brindes da noite, destacam-se os feitos por Pedrito a Rui Fernandes e por Rui Fernandes a António Morgado, por quem vestiu luto!

Durante o intervalo e a cargo de Nuno Braancamp, foi rendida uma sentida e porque não dizê-lo, polémica homenagem a Pedrito de Portugal, pela passagem dos seus 20 anos de alterantiva.

 

No campo das jaquetas de ramagens a noite foi também pautada pela regularidade, havendo mesmo uma ou duas pegas de nível superior. Em praça estiveram os Grupos de Amadores do Montijo e Alcochete.

 

O espectáculo foi dirigido por Pedro Reinhardt.

 

Crónica de Solange Pinto/Cortesia Touro&Ouro

Fotos: João Dinis/Cortesia Touro&Ouro