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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Freguesia do concelho de Barcelos, de onde dista cerca de 10 kms, S. Romão da Ucha, situada na margem direita do Rio Cávado, é uma típica mistura de polo industrial onde pontificam as malhas e a confeção, e um incipiente mundo rural.  Misto de povoação muito característico na região entre o Douro e o Cávado, S. Romão da Ucha, descende de castreja povoação, um legado histórico da sua fundação, tem cerca de mil e setecentos habitantes, e foi neste primeiro domingo de Verão, palco de uma Corrida de Toiros.

 

E o cartel proposto para lidar toiros da ganadaria de José Pereira Palha, era composto pelos cavaleiros profissionais, Joaquim Bastinhas e Marcos Bastinhas, e pela cavaleira praticante Cláudia Almeida, ficando as pegas a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Coimbra, capitaneados por Luís Pires dos Santos.

 

Com o público a preencher mais de meia lotação da praça desmontável, a tarde do primeiro domingo de Verão, apresentou-se quente, mas com o céu muito carregado, prenúncio de chuva, que acabou mesmo por acontecer.

 

Um bátega de chuva que aconteceu em crescendo, e de tão forte ao fim da lide do terceiro novilho, o que tocou em sorte a Cláudia Almeida, levou a que o festejo tivesse de ser mesmo dado por terminado.

 

E se a chuva foi um incómodo, serviu, mais uma vez, para demonstrar a aficion e o valor das gentes do Norte quando se dispõem a ver toiros. Numa tarde cinzenta e molhada, mais uma vez o público aguentou o impensável. Se há que destacar alguma coisa, alguém, nesta corrida de S. Romão da Ucha, o destaque, o triunfo, pela coragem e pela determinação, é dos aficionados, do público. Um público que estoicamente, com civilidade, suportou mais de quarenta minutos de chuva, só se retirando, quando foi pelo sistema sonoro anunciado que, devido a não estarem reunidas condições no piso da arena que permitissem a lide dos dois toiros que completavam os cinco anunciados, por decisão dos artistas e organizadores, o espectáculo não continuaria. Valentes aficionados. Parabéns uchalenses.

 

Na parte artística, Joaquim Bastinhas, como mais antigo, abriu praça, lidando um bonito exemplar, com presença, trapio e raça, numa lide que já tem alinhamento conhecido, e rubrica reconhecida, rematada com um par a duas mãos, por dentro, de muito mérito e valor.

Pegou, à primeira, recuando e aguentando um toiro que tinha força e cabeça alta, o cabo, Luís Pires dos Santos, bem ajudado, e com o grupo a fechar com tempo.

 

Marcos Bastinhas, depois de dois compridos a dizer quem mandava na lide, compôs a primeira série de curtos, três, com entradas ao piton contrário, mudando de montada, para cravar um bom curto, um de palmo, rematando com um par a duas mãos, por dentro.

Pegou, há quarta tentativa, por desacertos no recuo e nas ajudas, David Rodrigues, forcado do Grupo de Coimbra, um uchalense, um filho da terra.

 

Foi já com chuva que se iniciou a actuação da cavaleira praticante, Cláudia Almeida.

Voluntariosa, mas segura, a menina soube superar logo após os dois compridos da ordem, o natural nervosismo que naturalmente se demonstra e aceita. Esteve com o público, e o público esteve com ela, uma empatia que ajuda muito, e que aqui, até o novilho da ganadaria de José Pereira Palha, não quis deixar de participar e colaborar, aguentando cerca de sete ferros.

Pegou à primeira, com valor e uma boa ajuda, Edgar Graciano.

 

 Dirigiu como Delegado da IGAC, com acerto, ponderação e sensibilidade, o senhor, Francisco Calado, que teve como Assessor Técnico Veterinário o dr. Manuel Lourenço.

 

José Andrade