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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

S. ROMÃO DA UCHA - BARCELOS 22 DE JUNHO DE 2014 - TRIUNFO DO PÚBLICO... QUANDO A CHUVA INCOMODA.

23.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Freguesia do concelho de Barcelos, de onde dista cerca de 10 kms, S. Romão da Ucha, situada na margem direita do Rio Cávado, é uma típica mistura de polo industrial onde pontificam as malhas e a confeção, e um incipiente mundo rural.  Misto de povoação muito característico na região entre o Douro e o Cávado, S. Romão da Ucha, descende de castreja povoação, um legado histórico da sua fundação, tem cerca de mil e setecentos habitantes, e foi neste primeiro domingo de Verão, palco de uma Corrida de Toiros.

 

E o cartel proposto para lidar toiros da ganadaria de José Pereira Palha, era composto pelos cavaleiros profissionais, Joaquim Bastinhas e Marcos Bastinhas, e pela cavaleira praticante Cláudia Almeida, ficando as pegas a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Coimbra, capitaneados por Luís Pires dos Santos.

 

Com o público a preencher mais de meia lotação da praça desmontável, a tarde do primeiro domingo de Verão, apresentou-se quente, mas com o céu muito carregado, prenúncio de chuva, que acabou mesmo por acontecer.

 

Um bátega de chuva que aconteceu em crescendo, e de tão forte ao fim da lide do terceiro novilho, o que tocou em sorte a Cláudia Almeida, levou a que o festejo tivesse de ser mesmo dado por terminado.

 

E se a chuva foi um incómodo, serviu, mais uma vez, para demonstrar a aficion e o valor das gentes do Norte quando se dispõem a ver toiros. Numa tarde cinzenta e molhada, mais uma vez o público aguentou o impensável. Se há que destacar alguma coisa, alguém, nesta corrida de S. Romão da Ucha, o destaque, o triunfo, pela coragem e pela determinação, é dos aficionados, do público. Um público que estoicamente, com civilidade, suportou mais de quarenta minutos de chuva, só se retirando, quando foi pelo sistema sonoro anunciado que, devido a não estarem reunidas condições no piso da arena que permitissem a lide dos dois toiros que completavam os cinco anunciados, por decisão dos artistas e organizadores, o espectáculo não continuaria. Valentes aficionados. Parabéns uchalenses.

 

Na parte artística, Joaquim Bastinhas, como mais antigo, abriu praça, lidando um bonito exemplar, com presença, trapio e raça, numa lide que já tem alinhamento conhecido, e rubrica reconhecida, rematada com um par a duas mãos, por dentro, de muito mérito e valor.

Pegou, à primeira, recuando e aguentando um toiro que tinha força e cabeça alta, o cabo, Luís Pires dos Santos, bem ajudado, e com o grupo a fechar com tempo.

 

Marcos Bastinhas, depois de dois compridos a dizer quem mandava na lide, compôs a primeira série de curtos, três, com entradas ao piton contrário, mudando de montada, para cravar um bom curto, um de palmo, rematando com um par a duas mãos, por dentro.

Pegou, há quarta tentativa, por desacertos no recuo e nas ajudas, David Rodrigues, forcado do Grupo de Coimbra, um uchalense, um filho da terra.

 

Foi já com chuva que se iniciou a actuação da cavaleira praticante, Cláudia Almeida.

Voluntariosa, mas segura, a menina soube superar logo após os dois compridos da ordem, o natural nervosismo que naturalmente se demonstra e aceita. Esteve com o público, e o público esteve com ela, uma empatia que ajuda muito, e que aqui, até o novilho da ganadaria de José Pereira Palha, não quis deixar de participar e colaborar, aguentando cerca de sete ferros.

Pegou à primeira, com valor e uma boa ajuda, Edgar Graciano.

 

 Dirigiu como Delegado da IGAC, com acerto, ponderação e sensibilidade, o senhor, Francisco Calado, que teve como Assessor Técnico Veterinário o dr. Manuel Lourenço.

 

José Andrade