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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Portugal é um país onde o espectáculo tauromáquico está baseado no toureio a cavalo e na figura do forcado, tendo o toureio a pé vindo paulatinamente a perder lugar nos cartéis desde finais dos anos 80 do século passado, ou seja, nos últimos 30 anos.

Se até aos anos 80 muitos eram os matadores estrangeiros que se faziam anunciar nas principais praças do país, fruto do trabalho construído desde os tempos do saudoso Manuel dos Santos e que alguns bons empresários souberam seguir e aproveitar. Em Lisboa muito particularmente, tourearam as grandes figuras dos anos 80 e 90, as quais fizeram esgotar ou deixar muito próximo disso os mais de 7000 lugares do Campo Pequeno. E em cartéis de máxima competição entre as duas vertentes.

Nos ambos 80/90 assistiu-se a uma clara proliferação do toureio a cavalo e à diminuição de espectáculos com toureio a pé, salvo raras e contadas excepções que foram de êxito nessas tardes e noites de toiros.

Com a morte de José Falcão, há 40 anos, Portugal esperou muito tempo para voltar a ter um matador com projecção internacional. Foi ele Vítor Mendes. Bastantes anos depois, e com outros matadores pelo meio, surgiu um novilheiro que, toureando ainda sem picadores, já dava que falar e que poderia ter sido um toureiro de projecção mundial e capaz de, pela sua qualidade, dar uma outra dimensão ao nome de Portugal e do toureio a pé. Pedrito de Portugal, é dele que falamos, conseguiu que o poder político sempre tão reacionário à questão toiro, abrisse excepções para que se picassem os toiros, mas ficou preso num limbo inexplicável.

E depois dele, o valor de todos os que se tornaram matadores ou os que continuam como novilheiros na esperança de um dia serem matadores, não foi suficiente para dar um novo safanão nas consciências e projectar de novo o toureio a pé para o lugar que merece. Toureio a pé de que o público gosta, que quer ver nas suas praças com a qualidade e seriedade que deve ter, com a competição entre cavaleiros e matadores que deve existir, o que faria com que essa fatia de público regressasse às praças.

Será que os empresários têm visão para compreender esta necessidade? Na apresentação dos cartéis 2014 em Lisboa, Rui Bento deu a entender que os cavaleiros não querem participar nas corridas mistas. Porque será? Já foram confrontados com esta situação? Parece que não e que ninguém quer perder as publicidades nos sites e blogues…

Um cavaleiro por diante de dois matadores, ou mesmo dois cavaleiros e dois matadores, foram a chave de sucesso de muitas temporadas e de muitas praças. Havia competição, havia diversidade e todos queriam sair por cima, triunfar!!!

Não é assim que se cria a competição? É claro que sim. Mas também é muito mais cómodo para os cavaleiros serem 3 a lidar os seis toiros, não apertando à séria uns com os outros até porque irão tourear juntos mais 20 ou 30 vezes, nem sempre por mérito mas pelas trocas entre apoderados que são empresários e vice-versa, todos interessados nas comissõzitas que vão cobrar por ridículas que elas sejam (são em percentagem do cahcet cobrado, certo?). Até nos anunciados mano-a-mano tudo começa com beijinhos e abraços…

Tem de haver uma clara aposta na corrida mista, com seriedade na escolha dos toiuros, com toureiros que vão à luta e estejam dispostos a dar a cara, sob pena de não haver público em massa nas nossas praças para sustentar o espectáculo.

E já agora, repararam que já na fase final da temporada, quando se começou a falar em balanços, seja o toureio a pé a ser referido mais vezes? Da seriedade dos toiros do Colete Encarnado em Vila Franca e a atitude de António João Ferreira e Nuno Casquinha…, de Diogo Peseiro e António Ferrera em Abiúl…, de Diego Garrido no Campo Pequeno, ou do jovem Luis Miguel Naharro na Moita! Pois é.