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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

PADILLA EM OMBROS NA DESPEDIDA DO PÚBLICO LISBOETA. DUARTE PINTO CONFIRMA TRIUNFO

21.09.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros do Campo Pequeno – Lisboa – 20/09/18 – Corrida Mista

Director: Manuel Gama – Veterinário: Jorge M. Silva – Lotação: cheia

Cavaleiros: João Moura Caetano, Duarte Pinto

Forcados: Amadores de Santarém e de Montemor

Matador: Juan José Padilla

padilla em mobros.jpgPADILLA EM OMBROS NA DESPEDIDA DO PÚBLICO LISBOETA. DUARTE PINTO CONFIRMA TRIUNFO

 

Nestas corridas mediáticas e onde existe um motivo de fundo capaz de levar mais público às bancadas de uma praça, muitas vezes corre-se o risco de avaliar pela rama aquilo que tem de ser avaliado desde a raiz. Noite de despedida de Padilla da afición lisboeta, Padilla que é uma referência, um exemplo de valor, de tenacidade, de resiliência e que, em termos gerais, muito conecta com o público de Lisboa. Pois não foi diferente e terminou sacado em ombros e a atravessar mais uma vez a Porta Grande dessa forma.

 

E se Padilla foi quase igual a si próprio pois faltou-lhe bandarilhar, Duarte Pinto voltou a superar-se e a elevar bem alto a forma de tourear a cavalo à portuguesa, com uma segunda lide de enorme mérito frente ao melhor toiro da corrida e que soube aproveitar de forma superior. A lide começa na forma como se recebe o toiro e se lhe aplicam os primeiros ferros, os compridos, aos quais há que dar importância. O segundo comprido a este quinto da ordem foi de elevado nível, com todos os tempos da sorte bem marcados e rodando o piton para rematar. Brega a condizer, sem concessões mas com rigor, toiro bem colocado e dois curtos daqueles que dá prazer aplaudir pois a viagem foi recta e o quarteio tão ajustado que quase não havia espaço para sair da sorte. Cumpriu Pinto no seu primeiro, que se metia e era incerto nas suas investidas.

 

O lote que tocou a João Moura Caetano não teve qualidade e o toureiro de Monforte teve de mostrar as suas credenciais para lhes dar a volta. E se os toiros não tiveram sal nem pimenta, sem chispa nas suas investidas, foi exactamente o “Xispa” que permitiu a Moura Caetano exprimir parte da sua tauromaquia bem por cima dos dois toiros. Alguns bons momentos de brega, dois curtos de muito boa execução numa demonstração clara de que quem quer pode mesmo que faltem alguns condimentos.

 

Juan José Padilla também não teve toiros para se poder relaxar e tourear como sabe e que o público mais exigente e conhecedor também aplaude. A ambos os toiros faltou bravura, codícia e recorrido. E o que falta aos toiros coloca-o Padilla. Recebeu o primeiro com uma larga afarolada de joelhos e algumas verónicas. A faena de muleta começou-a por baixo, joelho flectido, alargando ao máximo a viagem em muletazos largos procurando interessar o toiro, algo que repetiria no segundo. Ambas as faenas foram baseadas na mão direita, a primeira mais larga que a segunda, não deixando de ter acontecido uma voltareta de permeio. Toureio de cercanias, desplantes e público rendido a Padilla. Duas voltas em cada toiro e saída em ombros! O bandarilheiro português João Ferreira deixou um bom par em cada toiro e saudou «montera en mano» no sexto da ordem.

 

Noite desigual para a forcadagem com os de Montemor a levarem a melhor sobre os de Santarém. Santarém que abriu praça com uma boa pega de António Pombeiro Taurino á 1ª tentativa, bem ajudado. Depois Ruben Giovetty esteve infeliz na forma como recuou sem conseguir uma única reunião acertada em seis vezes consecutivas e só à 7ª tentativa muito em cima do toiro e com ajudas muito carregadas logrou consumar. Por Montemor, na cara do 2º toiro da corrida esteve João da Câmara muito bem a consumar à primeira e Francisco Barreto consumou uma dura pega de caras ao terceiro intento frente ao quinto da noite.

 

Lidaram-se toiros de Vinhas para o toureio a cavalo e de Varela Crujo para o toureio a pé.

 

Dirigiu o espectáculo Manuel Gama assessorado pelo veterinário Jorge Moreira da Silva.

 

Texto: António Lúcio

Foto: Fernando Clemente (www.pararmandartemplar.com)