Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

270919 - LISBOA

É a expressão comum das gentes da terra, pois do futuro só Deus sabe. E os homens têm o poder de o construir para o bem ou para o destruir, se for essa a intenção.

Preocupa-me o futuro da festa brava em Portugal porque vejo perfilarem-se oportunismos com o intuito de alguns políticos se manterem no poder poderem ser vibradas algumas machadadas na nossa festa e do ponto de vista legislativo.

O PS e António Costa podem vir a dar boleia a algumas ideias anti-taurinas do PAN, do Bloco e dos Verdes a coberto de uma pretensa defesa e bem estar dos animais e da formação cívica dos jovens e adolescentes e que visará, como sempre o têm tentado, impedir o normal desenvolvimento do espectáculo e da formação dos jovens a quem se cerceará o acesso ao espectáculo…

A educação cabe aos pais, a instrução ao Estado através da escola pública. E não se podem substituir. Não se podem cercear direito só porque sim, só porque alguns querem impor a sua ditadura do gosto, do eu quero, do tem de ser assim para sermos avançados e civilizados, só porque alguns políticos acham que a sua opinião tem de prevalecer sobre todas as outras e ainda que contrárias ao que pensa a generalidade da sociedade.

Temos, os aficionados, de ser menos reactivos e mais programadores de acções em concreto. Temos de investir na antecipação, ser mais organizados e metódicos nas abordagens, ainda que isso possa parecer difícil. Não adianta chorar sobre leite derramado como tem acontecido com os sucessivos atropelos á legalidade – Espinho, Viana do Castelo e este ano Póvoa de Varzim – ainda que neste último caso até haja uma sentença judicial favorável. E existe Setúbal sem toiros há vários anos e praças fechadas no Alentejo, que urge recuperar e reposicionar em funcionamento.

As diferentes organizações dos diversos estamentos da nossa Festa, começando pela Secção de Cidades e Vila Taurinas da Associação Nacional de Municípios (ainda existe? funciona?), e passando pela Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide, Associação Nacional de Toureiros, Associação Nacional de Grupos de Forcados, Associação Portuguesa de Empresários Taurinos, Associação das Tertúlias Tauromáquicas e, por fim, a Prótoiro, têm de ser protagonistas activos e programar e calendarizar acções, conjugar apoios e promover a Festa Brava a sério, levando-a ás ruas e ás escolas.

A comunicação, de dentro para fora, tem de ser mais organizada, melhor estruturada, melhor apoiada, mais participada e ser feita na hora, em cima do acontecimento. Veja-se o trabalho desenvolvido em Espanha pela Fundación del Toro de Lidia. Todo um exemplo a seguir.

Os toureiros, enquanto figuras públicas, têm de promover acções junto das escolas e do grande público, que sejam capazes de mobilizar os mais jovens como aconteceu este ano no Montijo e em Alcochete. Para quando no Rossio ou no Terreiro do Paço? Estas acções são essenciais e devem envolver cavaleiros, forcados, matadores de toiros e novilheiros, para que através do toureio de salão os mais novos se sintam tentados a experimentar. E 2020 tem de ser o ano de todas estas decisões e acções.

Não vou falar de sites, de blogues, jornais, revistas, rádios e televisões. Cada um tem o seu lugar e a importância que os seus visitantes e leitores lhes quiserem dar. Tudo o mais é presunção e águia benta e destas cada um usa a que quer.

O que vos posso garantir é que não desistimos. Entraremos na nossa 33ª temporada em 2020.Uma existência marcada por altos e baixos, como em todas as áreas, e a não ser que haja algum “fenómeno do Entroncamento”, é nossa intenção estar de novo em alguns dos mais importantes acontecimentos nacionais. Não pretendemos andar a correr por tudo quanto é sítio. Apenas e só aquilo que nos interessa realmente e que as condições físicas e de saúde vão permitindo.

A Festa Brava exige e merece o empenho sério, com respeito e com rigor que defendemos há mais de 30 anos.

Texto: António Lúcio

Foto: Mónica Mendes/Porta dos Sustos