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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

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NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ (3/3)

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 BS – Hoje, através das redes sociais e da comunicação toda a gente vai tendo acesso ás noticias do que vais fazendo lá no Perú e são essas fontes de notícias que também nos enchem de agrado por saber que há toureiros portugueses que triunfam lá fora e cresce a expectativa de os ver fazer cá algo. Acho que as pessoas no ano passado já olharam para ti de uma forma diferente. O Perú continua a ser uma aventura enorme…

 

NC – São muitos os inconvenientes e as dificuldades que temos de superar á parte do toiro que é o que aqui temos. Por exemplo, eu creio que o maior, á parte de viver sozinho, são centenas de horas por ano de solidão e de manter a mente forte e são vários anos a passar lá o Natal, o Ano Novo, os meus anos. Á parte disso, penso que o mais duro é sem dúvida as viagens. Cheguei a fazer viagens de 15 horas, de 18 horas e muitas vezes ter de tourear os meus 2 toiros e sair para chegar no dia seguinte quase á hora da corrida, tirando o traje pelo caminho e tudo. Ou seja, isso alegra porque é de toureiro, foi o que sempre quis, tourear tanto ter tanto reconhecimento, mas é duro! Curiosamente dou-me conta dessas dificuldades quando estou cá, na minha zona de conforto. Digo, realmente passo coisas que não sei como é que as aguento, mas é a paixão enorme que tenho pelo toureio e a ambição que graças a Deus tenho. Continuo a sonhar com as praças grandes. Isso é o que me faz em qualquer sítio, em qualquer toiro, não utilizo o Perú só para ir toureando mas para me superar, independentemente que isso me traga mais ou menos orelhas, mas isso tem-me feito superar, cada vez mais, e realmente chego aqui e já me é mais fácil, porque é tudo mais cómodo.

 

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 BS-Já reparei que tu, por todos os lados por onde tens passado, fazes amizades com relativa facilidade, e tens lá no Perú muita gente pendente de ti, que te apoiam, que te convidam para tentadeiros, para suas casas. É um reconhecimento e uma ajuda boa para passares esses momentos mais difíceis de saberes que estás a 14/15 horas de casa…

 

NC- Sem dúvida que essas amizades e o apoio que tenho tido lá da parte dos aficionados, dos ganadeiros e da imprensa também, tem-me ajudado imenso. Tenho-me sentido acarinhado e sito que em nenhum outro país me sentiria com essa moral. E tenho imensas pessoas que fazem às vezes horas e horas de autocarro, como eu, para me irem ver tourear. Todo esse apoio tem sido importantíssimo e faz-me sentir como estando em casa.  Nunca me canso de agradecer ao Perú pelo que me deu e dá tanto pessoalmente como profissionalmente.

 

BS – Como é que vês o panorama taurino nacional, estando de fora? Achas que há capacidade por parte dos empresários para perceberem que há algumas coisas a mudar e tem de mudar com o toureio a pé e se calhar outro tipo de espectáculos com mais ritmo e mais interesse? O toureio a pé traz muito interesse com as corridas mistas, talvez seja o caminho para que vocês possam ter um futuro assegurado aqui em Portugal?

 

NC – Penso que tem de haver uma ligeira modificação que já se viu no ano passado. Creio que a partir da corrida do Juli que toureou no Campo Pequeno com o Ventura já as pessoas começaram a olhar para o toureio a pé de outra forma. Têm vindo várias figuras de Espanha e creio que as pessoas também estão um pouco fartas de ver sempre o mesmo. Sempre o mesmo tipo de espectáculo e aqui há lugar para todos, não se tira o lugar a ninguém. E havendo mais diversidade há mais público e os toureiros estariam mais toureados e o público acostumava-se mais ao que é o toureio a pé. É óbvio que não entende muito em alguns sítios ainda porque não o vivem, e também outra coisa que ia ajudar os jovens que agora estão de novilheiros, ou a começar de bezerristas, que sabem que é um salto enorme das escolas para quando vão para Espanha, debutar com picadores e entrar nas feiras de novilhadas. É um mundo á parte. E quando levam uma boa preparação daqui… Se aqui não podem, que é a sua Pátria, que é onde mais deviam ser acarinhados e ter mais oportunidades, se estão á espera de um país onde sempre serão tratados como estrangeiros… Se cá não temos essas oportunidades, devia-se facilitar mais os jovens que querem ser toureiros, mais oportunidades e outros mais veriam que aqui se pode tourear, que valia a pena. Alguns não se decidem porque pensam “que futuro vou eu ter aqui?”

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BS – Tourear sempre lá fora, é duro e complicado, não é para todos?

 

NC – Tem de se ter paixão e ambição. É algo que eu prefiro sempre que as pessoas falem de mim, que não seja eu a falar de mim, mas agora, se calhar, estou a colher um bocadinho os frutos de tantos anos, não só desde que fui para o Perú mas também de novilheiro e agora já vai existindo algum reconhecimento.

 

BS – Obrigado matador por teres partilhado estes momentos, estas experiências com os nossos leitores. Sorte para a temporada.

Entrevista e fotos: António Lúcio

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