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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

MOURÃO: CRÓNICA DO FESTIVAL DE 4 DE FEVEREIRO

05.02.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros “Libano Esquível” em Mourão – 04/02/18 – Festival Taurino

Director: Agostinho Borges – Veterinário: Matias Guilherme – Lotação: 2/3

Matadores: “Cuqui de Utrera”, Curro Díaz, Manuel Jesus “El Cid”, José Garrido, Manuel Dias Gomes, Joaquin Galdós

Ganadaria: Murteira Grave

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Vieram do Sul de Espanha os momentos quentes da fria tarde mouranense. Curro Díaz e “El Cid”, principalmente este último, foram os autores dos momentos mais altos da tarde, aquecendo os enregelados aficionados que preencheram cerca de 2/3 da lotação do tauródromo mouranense e fazendo soar os olés. Olés que já anteriormente “Cuqui de Utrera” escutara no toureio de capote e em alguns remates pintureros com a rubra flanela.

 

“Cuqui de Utrera” esteve francamente bem de capote, com três boas verónicas pelo lado esquerdo que fizeram soar os primeiros olés da tarde. A faena de muleta careceu de ligação, prejudicada em parte pelo vento. Houve alguns bons muletazos, soltos, e foi ovacionado no final da lide.

 

Em segundo lugar exibiu-se um dos triunfadores maiores da tarde: Curro Díaz. Excelentes foram as verónicas, com o público a fazer ouvir os seus olés e a rematar com duas boas meias verónicas. Na faena de muleta, o diestro de Linares conseguiu boas tandas de derechazos e uma de naturais, correndo bem a mão, ligando como mandam as regras e rematando com passes por baixo com pintureria. Momentos que começaram a aquecer o ambiente nas bancadas onde uma gélida aragem fazia das suas.

 

E para aquecer, nada melhor que bater palmas, fazer ouvir olés, vibrar com o bom toureio. Foi o que aconteceu com a lide do terceiro da tarde a cargo de Manuel Jesus “El Cid”. Bem de capote a lancear por verónicas rematadas de meia de cartel. A faena de muleta, muito aplaudida, começou com passes por baixo por ambos os pitóns e com o eral a meter-se um pouco pelo lado direito. Mas aí começou o toureiro a impor-se, obrigando-o a passar e desenhando depois uma excelente série de naturais, largos, templados, profundos. E mesclando as séries, ora pelo lado direito ora ao natural, El Cid conseguiu os mais quentes momentos da tarde, não faltando passes de trincheira e de peito nos remates e ainda uns molinetes antes de rematar a sua bela faena com mais duas séries por ambos os pitóns. Duas aclamadas voltas à arena e triunfo maior.

 

José Garrido foi o quarto matador em acção. Após uns lances de capote a fixar, teve um bom quite por chicuelinas e a sua faena de muleta não teve a profundidade e a ligação desejada apesar de ter uns quantos naturais e outros tantos derechazos de muita qualidade, pois o eral tardava por vezes e isso não permitia a ligação em redondo que o matador extremenho desejaria.

 

Muita disposição e ganas de triunfo mostrou Manuel Dias Gomes que recebeu muito bem à verónica o seu exemplar, mãos muito baixas, a marcar bem os tempos, seguindo-se um quite por gaoneras. Dobrou-se bem, flectindo o joelho, passando o eral por ambos os pitóns e sacando bem as séries, na sua maioria pelo lado direito, com uns bons naturais, impondo-se e estando bem por cima da qualidade do oponente.

 

Em último lugar actou Joaquin Galdós que recebeu o eral por verónicas e demorou algum tempo a meter-se na faena. A fase final foi de melhor nota, colocando-se bem e conseguindo bons passes pelo lado direito. Foi uma faena agradável, de menos a mais e que acabou por deixar bom ambiente.

 

Os erales de Murteira Grave estavam bem apresentados, tiveram condições de lide no geral apesar de escassearem as forças em alguns deles. O que saiu em segundo foi, em minha opinião, o de melhores investidas, cumprindo em diferentes graus os restantes.

 

Dirigiu o espectáculo Agostinho Borges assessorado pelo veterinário Matias Guilherme, com o espectáculo a ter a excelente duração de 2h10. No início do espectáculo guardou-se um minuto de silêncio em memória de João Nunes Patinhas e António Manuel Cardoso "Néné"

 

Crónica de António Lúcio