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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

LONGA É A ESTRADA…

TENTADERO, ALQUIMIA DA BRAVURA

13.01.21 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Dizem os populares que «longa é a estrada» e o percurso nem sempre é fácil, aliás como efémeros são quase todos os triunfos. Os ganadeiros percorrem esta longa estrada labutando diariamente no campo, nas tentas de selecção e nas corridas para descobrir e conseguir fixar aquele gene ou caracter que dá origem á excelência da bravura num toiro de raça brava de lide.

Apesar dos avanços científicos no campo da genética, por exemplo, o grande laboratório continua a ser a tenta, tarefa realizada em silêncio, com o mínimo de pessoas presentes e que também serve de treino e preparação para os toureiros. Os ganadeiros são verdadeiros alquimistas da bravura, cada qual com seu conceito e as regras científicas contam pouco pois as reatas, os resultados da lide de reses da mesma família, a sua conformação física, têm papel fundamental nas escolhas e avaliação do ganadeiro quanto ao destino final das reses: futuros pais, futuras mães ou… matadouro.

Neste início de 2021, com todas as condicionantes impostas em virtude da pandemia, de consequências extremamente gravosas para os ganadeiros que, sem espectáculos onde possam lidar essas reses criadas com tanto desvelo e carinho, os tentadeiros acabam por servir de escape á frustração de ter de mandar abater as reses em que se depositavam tantas esperanças e investido muitos anos de trabalho.

O ganadeiro Carlos Falé Filipe reuniu na Herdade das Covas, solar da sua ganadaria, os matadores Sanchez Vara, António João Ferreira, João Silva “Juanito” e o novilheiro espanhol Alvaro Alarcon para uma tenta de 8 machos (com 3 para 4 anos) e que a não serem lidados nessa tenta teriam ido directos ao matadouro sem se saber das suas qualidades.

Destes 8 houve um, o terceiro, um negro marcado com o nº 75, que foi bravo em varas, e muito bom por ambos os pitóns, onde investiu com raça, classe, codícia e temple nos muletazos também de muita categoria que “Juanito” lhe foi instrumentando ao longo da faena, fazendo-o crescer, investir humilhado, em muletazos largos e de muita qualidade. Momentos grandes para iniciarmos a nossa temporada de 2021. No outro que lidou, muito bem também, houve um bom entendimento entre toiro e toureiro com bons momentos.

O primeiro foi nobre e suave e investiu bem para a muleta de Sanchez Vara que, com o seu muito e bom ofício, tudo lhe sacou e o fez luzir. No quinto, que se ficava curto na muleta, Sanchez Vara insistiu, porfiou muito e conseguiu fazê-lo investir com certa classe na fase final da faena.

O terceiro foi para António João Ferreira mas cedo se rachou buscando querença na zona dos currais e não permitiu senão passes soltos. Tem muita profundidade no toureio de capote, o que se viu mais uma vez. No sexto, sacou da sua garra e toreria e sacou-lhe passes de muito mérito por ambos os pitóns, embarcando bem as investidas na muleta e mostrando que está posto e pronto para compromissos sérios.

O novilheiro Alvaro Alarcon não se mostrou muito confiado e o seu toureio não convenceu. Não sacou o proveito que poderia dos dois exemplares que lhe tocaram, ambos com condições de lide.

Intervieram ainda os portugueses Duarte Silva e Gonçalo Alves, alunos da Escola de Toureio José Falcão.

Texto e fotos: António Lúcio