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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Lisboa, 19 de Junho de 2015 – Carta a El Juli

19.06.15 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Ainda ecoam nos meus ouvidos os gritos em uníssono de “torero”, “torero”, “torero”, vitoriando El Juli pela magia que espalhara pela arena do Campo Pequeno. Pelas emoções que fizeram ficarem à flor da pele, pelos aplausos que deixaram as mãos enrubescidas de tanto aplaudir, pelos olés vindos das profundezas das gargantas… Momentos que jamais esqueceremos por tudo quanto representam do que de mais profundo existe na tauromaquia e que, uma vez mais veio demonstrar, à saciedade, que quando os toureiros contratados têm interesse e despertam paixões, a praça enche-se, a magia das grandes noites e das corridas torna-se uma realidade para a qual, infelizmente, muitos tardam em acordar.

O toureio a pé viveu uma noite histórica a 18 de Junho, em Lisboa, na catedral mundial do toureio a cavalo como também é apelidada. A sua história reescreveu-se por obra e graça de um enorme artista de nome Julian López El Juli. A sua tauromaquia virou, de novo, os holofotes da fama para o toureio a pé. Indesmentível tal o entusiasmo e frissón provocados nas bancadas.

Aqueles que passam a vida a dizer que o toureio a pé não mete gente nas praças, que isto e mais aquilo e toda a conversa da treta com que nos querem vender uma coisa que não corresponde à verdade, tiveram a resposta na corrida de 18 de Junho em Lisboa. Há que aproveitar o elan, a força e alento que El Juli trouxe, e tudo o mais que o grande público absorveu deste momento mágico e histórico, têm de ter continuidade. A corrida mista com figuras, verdadeiras figuras dispostas a dar a cara, a entregar-se na lide, a conquistar e arrasar corações e almas, tem de continuar.

A corrida tinha, obrigatoriamente, de ter terminado após as 3 clamorosas voltas à arena dadas pelo maestro madrileno entre os gritos de “torero”, “torero”, “torero”. A saída em ombros nesse momento de extâse, porque não de orgasmo puro de milhares de espectadores, teria soado como uma bomba e a sua repercussão seria provavelmente equivalente a um tsunami. Lamentavelmente, e porque se veio também a comprovar nada ter acrescentado ao labor do rejoneador Diego Ventura, a autorização de lide do segundo sobrero, quase arrefeceu esse momento mágico. Ainda bem que os jovens alunos da Academia de Toureio do Campo Pequeno sacaram em ombros o ídolo e com ele saíram pela Porta Grande do Campo Pequeno, que se reabria ao fim de cinco anos, entre os aplausos da multidão que o aguardava no largo fronteiro á entrada do magnífico tauródromo.

Uma vez mais, obrigado Julian López. Obrigado Maestro pelos momentos únicos que nos proporcionaste numa noite inolvidável.

António Lúcio