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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

19 Mai, 2020

HOJE TOUREIO EU…

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E FAÇAMOS ALGUMAS CONTAS

Não sou um homem das matemáticas mas sei fazer algumas contas. E preocupa-me que muito se fale, sem se ter certeza de nada, da reabertura dos espectáculos tauromáquicos num curto espaço de tempo e sem que haja uma clara definição das restrições ao número de espectadores que se possam vir a sentar nas bancadas. Hipóteses há muitas e delas se tem falado nas redes sociais e alguns órgãos de comunicação social taurina. Se confirmarem algumas das faladas restrições (20 metros…) será completamente impossível que os empresários possam vir a organizar este ano qualquer corrida de toiros em Portugal. Não haverá número de espectadores suficientes para cobrir os custos do espectáculo. E não me parece que os empresários estejam disponíveis para suportar perdas significativas ou os toureiros e ganadeiros deixarem de cobrar os seus cachets só para que haja toiros.

Fiz um curto exercício em que me socorri das quadrículas de uma folha A4 para desenhar as filas de lugares de uma praça de toiros e colocar 1 espectador separado do seguinte por 3 lugares em vazio e nas filas seguintes repeti o esquema, sem nenhum fila desocupada. Espectador no nº1 e nos nº 5, 9 ,13, 17 etc na primeira filfa e nos nº3, 7, 11, 15 e assim sucessivamente, o que daria uma ocupação média de 25% da lotação da praça.

Se intercalássemos um fila sem espectadores entre cada duas ocupadas com este esquema anterior, diminuiríamos a capacidade de ocupação para 16,66%.

Se tivermos em conta que um espectáculo poderá rondar, em termos de custos, 40 mil euros, teremos preços (para lotações máximas possíveis) a cobrar entre 30.20 euros e 69,56 euros e máximos entre os 45.30 e 104 euros (para as lotações mínimas). O que significaria, grosso modo, o seguinte:

Praça com 2300 lugares vendáveis

A 25% - possibilidade de 575 espectadores – custo de um bilhete 69.56 € (para pagar todos os custos)

A 16,66% - possibilidade de 383 espectadores – custo de um bilhete 104.00 €

 

Praça com 4200 lugares vendáveis

A 25% - possibilidade de 1050 espectadores – custo de um bilhete 38.09€

A 16,66% - possibilidade de 700 espectadores - custo de um bilhete 57.14 €

 

Praça com 5300 lugares vendáveis

A 25% - possibilidade de 1325 espectadores - custo de um bilhete 30.20 €

A 16,66% - possibilidade de 883 espectadores - custo de um bilhete 45.30 €

 

Nas praças cuja lotação ultrapassa os 5300 lugares os custos do espectáculo poderiam ser suportados com preços médios por bilhete na casa dos 30 euros com uma lotação possível de 25% do total normal, enquanto que numa pequena praça com pouco mais de 2500 lugares os valores se tornam verdadeiramente incomportáveis para o grande público que vai às corridas de toiros.

Ainda que os cachets de todos os intervenientes pudessem baixar significativamente, já que as taxas a suportar junto das entidades oficiais não o serão quase garantidamente tal como não o deverá ser o valor do IVA, era preciso diminuir os custos em quase 50% para que o espectáculo se pudesse realizar em algumas das praças com mais de 4000 lugares de capacidade e que são bem poucas no nosso País.

O nosso País tem cerca de 78 praças de toiros divididas em 3 categorias, 8 de primeira, 15 de segunda e as restantes de 3ª categoria. Apenas uma praça, Santarém, tem mais de 12 mil lugares, 14 têm mais de 5000 mil e menos de 7000 lugares. Onze praças têm lotação entre 4000 e 5000 lugares, 13 entre 3 e 4 mil e as restantes abaxio dos 3 mil lugares...

Não sou de matemáticas, volto a frisar, mas creio que ainda sei fazer algumas contas ao invés de alguém que foi primeiro-ministro deste País. Que se tirem conclusões!...

Texto: António Lúcio