Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

100919 moita - mjmh.jpg

Como não podia deixar de ser, e não apenas porque era a 1ª corrida após o desconfinamento, e porque era essencial a presença de todos para que o empresário sentisse esse respaldo dos aficionados pela ousadia que teve em levar por diante a corrida ainda que com um enorme conjunto de regras que a asfixiavam financeiramente, fui para Estremoz mais do que tudo como aficionado. E os aficionados, como escrevi na crónica do espectáculo, souberam, uma vez mais, honrar a história, a cultura, o civismo, em todos os momentos do espectáculo. Cantar o hino com máscara? Sim, assim foi. De máscara durante todo o espectáculo? Sim, assim foi. Sem posibilidade de sair do lugar e ir ao WC? Sim, assim foi. Exemplo claro da responsabilidade que norteia a vida de cada aficionado em sociedade.

A empresa teve o cuidado de colocar painéis informativos em toda a praça, dispensadores de alcool/gel, marcações no pavimento, no exteriro e interior da praça. Olé por isso. Seguiu rigorosamente todas as instruções da DGS/IGAC, com esta última a enviar dois inspectores para acompanhar todo o espectáculo.

E no que concerne ao espectáculo algumas exigências perfeitamente rídículas e sem qualquer sentido. Desde logo começando pelos Bombeiros, apenas 2 na trincheira e os restantes nas entradas dos diversos sectores. O socorro imediato aos artistas em caso de acidente depende e muito da prontidão na resposta/acção destes elementos. Felizmente nada de grave aconteceu...no mesmo burladero podiam estar 6 bombeiros!!!

Desvirtuando a essência das cortesias, obrigou-se a que só pudesse estar em praça, á vez,um cavaleiro. os bandarilheiros e os campinos ficaram de fora e os Grupos de Forcados entraram á vez, atrás uns dos outros e só depois do primeiro sair pode entrar o segundo...

Os cavaleiros e respectivas quadrilhas não puderam ficar em burladeros na trincheira, obrigados que foram a ficar no pátio de quadrilhas ou nos acessos aos sectores. O que não se compreende pois nestes locais a concentração de pessoas era maior e impedia-os de algo que é importante para cada toureiro: ver o comportamento dos toiros nas lides que antecedem a sua.

Os Forcados entravam para a trincheira ao mesmo tempo que o cavaleiro saía para lidar o toiro respectivo e regressavam ao pátio de quadrilhas mal o toiro era recolhido. Qual a diferença de ficarem na trincheira? O que se ganhou com isso?

As voltas à arena foram suprimidas e substuídas por uma ida ao centro da arena onde cavaleiro e forcado agradeciam os aplausos e se cumprimentavam com um toque de cotovelo. A nova forma de cumprimento nesta sociedade onde  a pandemia veio alterar todas as regras de convívio social.

Não consigo entender tamanhas exigências quando noutros espectáculos de teatro, música e bailado, por exemplo, isso não existe. Vejam-se os programas dominicais de RTP, SIC e TVI... Dois pesos, duas medidas? Claro que sim e com prejudicando claramente o nosso espectáculo.

Felizmente todos os intervenientes no espectáculo cumpriram as regras que lhes foram impostas e a tauromaquia saíu vencedora fazendo juz ao lema da corrida: "RESISTIREMOS".

Aguardam-se as novas corridas, a começar com a de dia 30 no Campo Pequeno.

Foto: Maria Mil Homens