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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

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FEIRA TAURINA DA MOITA - QUE FUTURO?

24.08.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Confesso que não queria escrever sobre a Feira da Moita e não o vou fazer quanto aos cartéis deste ano ou de outros cartéis. Mas custa-me ler o que tenho lido e que demonstra uma enorme falta de respeito para com os empresários que passaram pela “Daniel do Nascimento” nos últimos 40 anos, sendo que muitos dos que escrevem, para dizer mal quase sempre, ainda usavam fraldas nos finais dos anos 70 princípios dos 80 e não se preocupam minimamente em analisar o que historicamente foi acontecendo.

 

A verdade é que o público que ia aos toiros à Moita mudou. Mudaram as condições de emprego, fora da Moita para muitos milhares, e nos arredores passou-se de uma economia baseada na agricultura e na pecuária, para uma ocupação em serviços, em logística, etc, tendo acabado todo um tecido empresarial baseado no sector primário. Ou seja, hoje, a esmagadora maioria do público que ia ou vai aos toiros á Moita trabalha longe, chega tarde a casa e tem de sair cedo… E tem outras opções para gastar o seu dinheiro. Assim não fosse e a tarde do fogareiro não teria os milhares de participantes que tem e que aumentaram consideravelmente nos últimos anos.

 

Para além disso, e como muito bem escreveu o antigo cabo dos Amadores do Aposento da Moita José Pedro Pires no seu facebook, o público não vai aos toiros mas exige cartéis de grandes figuras e que não indo á bilheteira impedem que as corridas possam ter êxito que permita aos empresários investirem em figuras. A verdade é que mesmo com figuras a Moita não enche porque os que se dizem aficionados não compram bilhetes nem vão aos toiros. Preferem a tauromaquia de rua e de café.

 

Nos últimos 40 anos, passaram pela Moita e pela “Daniel do Nascimento” empresários como Raul Recuero López, José Lino, Manuel Gonçalves, Toiros e Tauromaquia com António Manuel Cardoso Néné e Rogério Amaro, a Toirolindo do Engº Inácio Ramos, a TopToiros de António Luis Raimundo e seu genro, a Aplaudir de João Pedro Bolota, Albino Caçoete e António Manuel Barata Gomes, e algum outro de que não me recordo o nome.

 

Todos viveram sob o mesmo espectro sob as mesmas críticas. Mas tinham, nesses anos finais da década de 70 e inícios dos anos 80, figuras de peso que levavam as pessoas á praça, não davam tantos espectáculos e ainda havia a corrida com picadores que, estranhamente e apesar d etão exigida, nunca foi de casa cheia. Lembro-me de um célebre mano-a-mano entre José Mestre Batista e Álvaro Domecq com 2 toiros desembolados que esgotou de véspera. Corridas picadas com figuras de Espanha com meia casa á 4ª feira. Corridas televisonadas quase cheias, corrida da Rádio Renascença com ¾ fortes…

 

E corridas esgotadas desde o ano 2000? Mudou assim tanto a confecção de cartéis e não foram os empresários de encontro às vontades do grande público? Ou mudou o paradigma sócio-económico e alterou-se a composição dos agregados familiares e sua situação laboral? Há dinheiro suficiente na bolsa dos moitenses e vizinhos após as férias e com a escola à porta e todos os gastos inerentes ao início das aulas? Será que a quantidade de bilhetes que as empresas que gerem a praça têm de entregar aos accionistas não é também uma condicionante para que os preços pudessem ser um pouco mais baixos?

 

A verdade parece-me é que a tauromaquia saiu da praça e desceu às ruas e este espectáculo de largadas de toiros, várias e de entrada livre, afastaram as pessoas da praça. Há também, e urgentemente, que repensar este modelo de corridas de tórios em 4 dias consecutivos de semana. Muito provavelmente, e num futuro muito próximo, proprietários da praça, autarquia, comissão de festas e empresários, terão de chegar a um acordo e os espectáculos serem ao fim de semana, nos dois fins de semana em que se desenrola a festa e sem outros espectáculos de entrada livre á mesma hora.

 

É altura para repensar o futuro e para que os empresários possam também ganhar dinheiro e dar prestígio á praça. Mas isso só se faz com presença massiva de público e não com comentários de bota-abaixo, todos os dias, na facebook e outras redes sociais.