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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

EMOÇÃO DE BOTERO EM ALTERNATIVA DE LUXO COM PRAÇA ESGOTADA E BRONCA DAS ANTIGAS AO DIRECTOR E VETERINÁRIO

06.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros do Campo Pequeno - 05.06.14

Director: Pedro Reinhardt – Veterinário: Carlos Santos – Lotação: Esgotada

Cavaleiros: Rui Fernandes, Diego Ventura, Jacobo Botero (alternativa)

Forcados: Amadores de Alcochete e Aposento da Chamusca

Ganadaria: António Charrua

 

EMOÇÃO DE BOTERO EM ALTERNATIVA DE LUXO COM PRAÇA ESGOTADA E BRONCA DAS ANTIGAS AO DIRECTOR E VETERINÁRIO

 

Quando somos jovens e sonhamos em alcançar uma meta na nossa vida e vemos que a mesma está consumada, com brilho, com um ambiente extraordinário em torno dessa festa de consagração de um percurso que, ainda curto, foi feito a pulso e abandonando a comodidade da sua terra natal, metido entre duas figuras do toureio e tendo como cenário a catedral mundial do toureio a cavalo com lotação esgotada, é normal que a emoção se solte e as lágrimas – de felicidade – percorram as faces qual rio em busca da foz. E o jovem Botero, que deixou a sua Colômbia natal em busca do sonho de ser toureiro, não podia deixar de sentir todas essas emoções e soltá-las ao largo da lide. Parabéns Jacobo Botero pela lide brilhante na alternativa e pela expressão das emoções sinceras.

 

Passavam 15 minutos das 22 horas quando Rui Fernandes solicitou autorização ao Delegado Técnico Tauromáquico Pedro Reinhardt para conceder a alternativa a Jacobo Botero, o que viria a acontecer com testemunho de Diego Ventura e perante o aplauso de sete mil espectadores que esgotavam, por segunda vez esta temporada, a lotação do Campo Pequeno (parabéns a Rui Bento e á sua equipa por mais este feito extraordinário.

 

Frente ao toiro da alternativa, castanho de pelagem, com o nº 40, 490kg, de nome “Tordo” e da ganadaria de António Charrua (como os restantes), Jacobo Botero ficou no centro da arena e foi recebê-lo com uma sorte de gaiola que resultou muito bem, rematando como mandam as regras. A série de curtos teve bons ferros, com a lide a subir de intensidade ao terceiro ferro, com reunião muito cingida, rematando as sortes com piruetas sempre do agrado do público e rematando com um outro bom ferro de frente, numa actuação que o público aplaudiu com força e obrigando o toureiro a dar 2 voltas à arena. No que foi o seu segundo, voltou a estar bem na brega e a lide teve alguns momentos com impacto, nomeadamente na preparação, cites e cravagens dos primeiro e quarto curtos da ordem, com viagens templadas e sortes bem marcadas, rematando com um ferro de violino. Passou com distinção a prova da alternativa.

 

Rui Fernandes recebeu bem o segundo toiro e deixou-lhe dois bons compridos. Na fase da ferragem curta, e procurando sempre os melhores terrenos para cravar a ferragem, Fernandes esteve em bom plano nos quatro ferros deixados num toiro que se deixou tourear sem problemas de maior e onde foi possível ver bons ferros e a qualidade da sua quadra. Quando saiu o quarto da noite, o mais pesado – 580 kg – o ambiente ainda estava pesado com o que se havia passado no terceiro. Cedo se viu que o toiro não podia com o peso que tinha, denotando uma evidente escassez de forças e depois de já ter sido farpeado por duas vezes e caído na arena mostrando a sua debilidade, veterinário (Dr. Carlos Santos) e director, mandam recolher o toiro e estalou a bronca. Toiro devolvido aos currais e conferências na trincheira para saber o que se seguiria.

 

Em terceiro lugar actuou Diego Ventura que teve sorte madrasta também com o toiro que lhe tocou em sorteio, pequenote e sem forças, e que após ter levado o primeiro comprido, de boa nota e bem rematado, caiu na arena. Voltaria cair, sinal da sua debilidade física (que denotou desde o momento em que saiu dos curros) e Ventura ainda conseguiu cravar-lhe um ferro curto, após o que foi devolvido pois voltou a cair. Gerou-se o habitual burburinho na praça e apenas se anunciou que se seguiria o intervalo, com muitos assobios à mistura. O seu segundo mostrou também pouca força de início mas cresceu ao castigo e foi-se aguentando. Com ele desenvolveu uma lide templada e cuidada, cravando dois compridos e uma série de quatro curtos, segundo e terceiro de muito boa nota e sob fortes aplausos do público que exigia a música que o director não concedeu escutando por isso também uma bronca forte.

 

Por oferta da empresa e acordo dos toureiros, lidou-se em sétimo lugar o toiro sobrero que, por sinal, foi o único da corrida que teve força de princípio a fim, se entregou na luta e apesar do total de ferros que levou, ainda teve forças para empurrar os forcados até às tábuas. A lide foi vibrante, em crescendo, com Rui Fernandes e Diego Ventura a mostrarem as qualidades dos seus cavalos e uma série de curtos de muto boa nota, com o público de pé rendido aos bons momentos e aos remates.

 

Os dois Grupos de Forcados Amadores que estiveram em praça para pegarem os toiros de Charrua, Alcochete e Aposento da Chamusca, não tiveram problemas de maior para consumarem as 5 pegas da noite, duas para cada agrupamento e a última num misto encabeçado por Alcochete. Assim, os Amadores de Alcochete tiveram na cara dos toiros o seu cabo Vasco Pinto com uma intervenção segura e à 1ª tentativa, seguido por Fernando Quintela que consumou também à primeira e Joaquim Quintela à segunda num misto com o Aposento da Chamusca.

 

Os Amadores do Aposento da Chamusca concretizaram as duas pegas de caras por intermédio de Francisco Souto Barreiros á segunda, muitíssimo bem a recuar e a mandar na investida do toiro e Francisco Montoya com sobriedade e segurança à primeira.

 

Sairam à arena do Campo Pequeno sete toiros vindos dos campos alentejanos, com ferro e devisa de António Charrua todos com pouca força á excepção do sobrero e onde primeiro, segundo sexto, tiveram alguns apontamentos positivos, destacando-se pela positiva o sobrero e pela negativa, pela sua debilidade, terceiro e quarto da ordem (devolvidos os dois).

 

Pedro Reinhardt e Carlos Santos, respetivamente Director e Veterinário nomeados pela IGAC,  têm enorme responsabilidade no ambiente hostil que se sentiu na praça com a devolução dos terceiro e quarto toiros, com uma bronca forte como há muito não se via, e mais tarde quando Pedro Reinhardt decidiu não conceder música a Ventura. E neste caso particular, há que entender que o público paga o seu bilhete e tem direito de premiar com música um toureiro que se está a entregar para agradar ao público e o director de corrida tem de ter essa sensibilidade para o entender. E aqui faltou também o bom senso depois de tudo o que havia sucedido com as devoluções dos 2 toiros. Escutaram uma bronca como há muito se não ouvia em arenas nacionais.