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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

eu.jpgDecidi interromper a quarentena do nosso Barreira de Sombra porque também quero deixar um apelo a todos aqueles que nos seguem e que cumprem, como eu, uma prisão domiciliária sem termos cometido qualquer crime. Mas é essencial que cada um de nós cumpra as regras impostas e que as faça cumprir, protegendo-nos a nós próprios e a todos quantos nos rodeiam.

Sou um ser que, pela sua própria natureza, gosto do ar livre, de passear por onde em dá a real gana, de desfrutar da propriedade que com o meu pai e os meus irmãos vamos trabalhando, cultivando as nossas batatas, hortaliças, frutícolas diversas. Gosto de umas churrascadas feitas na Quinta do Salvador e de ter muita gente à minha volta. E a Festa Brava em todas as suas vertentes é parte importante do meu ser.

Sei que os tempos são difíceis, que nada voltará a ser como dantes… Esta pandemia, que ninguém me convence do contrário de que se trata de uma guerra biológica entre americanos e chineses, vai deixar importantes marcas, negativas, na nossa sociedade, na forma de se relacionar, nos empregos, na forma de vivermos o nosso dia-a-dia.

Não acredito, nem um pouco, nos números que os jornais e televisões, ao serviço da propaganda do Governo, nos vão dando a cada dia que passa. E por isso, também, a minha única saída de casa é para comprar pão fresco e pouco mais, procurando horas de menor movimento.

A situação é grave. Grave de mais para passar de forma leviana, sem controlo, sem responsabilizar quem de direito pelo que sucede hoje e poderá agravar-se amanhã. As aglomerações de pessoas em determinados sítios, é inadmissível. Colocam me causa todos os outros. Mesmo quando vão ás compras, respeitem uma distância considerável á outra pessoa. Não é preciso ir marido e mulher… Basta um.

As notícias não são suficientes para me transmitir, e a muitos, alguma confiança de que, brevemente, o surto possa estar controlado e em regressão em Portugal. Há números escondidos, há mortes não declaradas, há imensos profissionais de saúde em risco e, daqui a uns tempos, milhões de empregos que podem desaparecer ainda que todos nós cumpramos as regras impostas.

O meu apelo é para que fiquem em casa, criem rotinas que vos possam ajudar a passar o tempo. Projetam-se e aos vossos para que isto termine o mais rapidamente possível e possamos voltar a encontrar-nos nas ruas, nos restaurantes, nos nossos passeios, nas nossas corridas de toiros.

António Lúcio, 25/03/2020

Foto: Amélia Rainho/Nos cornos do toiro