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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Corrida de gala… com uma gala de aficionados do Norte!

16.10.19 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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A última corrida da temporada de 2019 no Campo Pequeno, com um cartel tão interessante e variado, não merecia menos, daí o toque ordenado pelo ‘maestro’ dos Aficionados Tauromáquicos do Porto, Joaquim Mesquita, na composição da engalanada embaixada nortenha a preceito.

 

O sempre disponível e imprescindível Escudeiro-Mor, Marramaque, lá foi tomando nota dos membros voluntários para embaixada, providenciando os meios de transporte, alojamento, comes-e-bebes e bilhetes para o Campo Pequeno.

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Foram 16 os ‘valentes’ que se dispuseram à aventura, que teve inicio com a partida do Porto, no caso do cronista e mais quatro, em viatura conduzida pelo ´maestro’ Joaquim Mesquita, sempre alegre e com aquela boa disposição contagiante que o consagra. E como não há inicio de jornada sem um bom exercício para testar os viajantes, a gincana de transito impensável na manhã do Porto, em que o jeito e algum palpite, aliado ao improviso, é atitude sempre aconselhável, o ‘maestro’ condutor, pacientemente lá recolheu o pessoal que o acompanhava na peregrinação.

 

Primeira paragem desta romaria, para as necessárias reparações, ajustes físicos das ‘individualidades’, e reabastecimento do transporte, foi em Pombal, na auto-estrada, com as inevitáveis ‘histórias’ das muitas vidas e comidas ao longo de muito anos no Manjar do Marquês.

Camarote Campo Pqueno

Recompostos, em marcha moderada, prosseguimos até Lisboa, capital do reino, dizem. Descobrir o caminho menos conflituoso que nos levasse até à base de pernoita, próxima do Campo Pequeno, foi tarefa distribuída entre o sempre presente GPS do telemóvel, e o conhecimento prático, que se esperava actualizado, do transito e suas vias em Lisboa. Com uns tantos a quererem justificar o injustificável vencimento que sacam dos cofres públicos, ter de percorrer aquelas ruas e avenidas, com traços, tracinhos e viragens proibidas, é uma verdadeira saga espacial.

 

Conhecidos os ‘acampamentos’ de pernoita, sim, que isto de ir e vir do Porto a Lisboa, para ver uma tourada, são cerca de 400 quilómetros de odisseia, e exigem cuidado, lá rumamos até ao Real Clube Tauromáquico, onde nos esperavam uma simpática e senhorial recepção seguida de almoço, frugal, devidamente molhado, na Sala Garrett. As iscas servidas após as entradas e tortilha, estavam a condizer com o ambiente e os comensais. A sobremesa, disputada entre fruta variada e uma tábua de queijos, antecipou o café e o Porto, do nosso, que caiu bem, em todos os sentidos, e serviu de mote a uma longa e generosa conversa, onde nortenhos que por ali trabalham e agora vivem, e que orientaram as suas gentes, para ali pode comparecer, trocaram saudades e reviveram tempos e amizades. Se não foi possível a visita guiada pelo historial do espólio que o Real Clube Tauromáquico guarda, a parte que o foi, que agradecemos e aconselhamos, serviu de mote a renovado encontro a marcar.

 

Com uma outra visita da memória da história da tauromaquia em Portugal em agenda, lá rumamos ao Campo Pequeno, onde acabamos por participar na cerimónia da celebração da realização na capital da Indonésia, à 50 anos, de três memoráveis corridas de toiros. Foi bom rever o bandarilheiro António Badajoz, o cavaleiro José Maldonado Cortes, o senhor da forcadagem, Simão Comenda, que com António Sério, orientaram a mostra de fotos da deslocação. Se o tema tauromaquia provoca em certa gente urticária, celebrar um acontecimento que já na altura era um meio de estabelecer laços entre povos e culturas diferentes, faz da ignorância ‘in moda’, assunto que os arrepia.

 

Revisitada a história, apetrechados os esqueletos e seus depósitos de alimentação, os ‘embaixadores da tauromaquia do Porto’ tomaram lugar nos camarotes adquiridos. O que se seguiu, desde o desfile  dos figurantes, charameleiros e pajens, carruagens e coches, até a azémola dos ferros, foi o aperitivo para uma inesquecível noite de toiros à portuguesa, que as homenagens prestadas só engrandeceram.

 

Era a última corrida da temporada, o fecho da temporada no Campo Pequeno. Foi um cerrar de portas em grande, que a transmissão pela RTP, em diferido, mais uma vez não soube entender. Mas isso ficará para outra altura. Nunca mais aprendem que ‘serviço público’, é servir o público, todo, e não só uns tantos.

 

Do desempenho artístico, em que os toiros, de Brito Pais apresentados, apresentáveis e cumpridores q.b., eternas desculpas ou culpas de muitas coisas, más e boas, tiveram nota alta, se nem todos entenderam o que saiu pela porta dos sustos, por ordem de valor, o destaque vai para Rui Fernandes, António Telles, Ana Rita, António Prates, João Moura Caetano e Luís Rouxinol Junior. O Grupo de Focados da Chamusca não temeu o confronto com o de Montemor, e saiu muito por cima.

 

Foi uma noite de gala que fica a engalanar o historial do Aficionados Tauromáquicos do Porto, gente que gosta de toiros, sabe apreciar toiros, celebra a Festa dos Toiros. A gala que no próximo dia 29 de Novembro vai ter lugar no Clube de Leça, vai ser mesmo… uma gala a preceito.

 

José Andrade