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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CHAMUSCA - SUBLIME FAENA DE MORANTE NA HOMENAGEM PÓSTUMA A RICARDO CHIBANGA

INCONCEBÍVEL POSTURA DO DIRECTOR DE CORRIDA

23.10.21 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Praça de Toiros da Chamusca – 23/10/21 – Festival Taurino

Director: Manuel Gama – Veterinário: José Luís Cruz

Cavaleiros: João Ribeiro Telles, Tristão R Telles, Vasco Veiga (amador)

Forcados Amadores da Chamusca e Aposento da Chamusca

Matadores: Morante de la Puebla, El Fandi, Jose Maria Manzanares, Juanito

Ganadarias: Rosa Rodrigues, Passanha, Garcia Jiménez (2), Manuel Veiga (2) e Calejo Pires

Embelezada na sua estrutura e com novo piso na arena, a centenária praça de toiros da Chamusca ficou a muito pouco de esgotar a sua lotação numa tarde de sol e de momentos sublimes de toureio que levaram o público ao rubro com estrondosas ovações de pé quando actuaram os matadores de toiros e que mereciam outra atitude do director de corrida Manuel Gama. Mas o que importa é o que o público sentiu, vibrou, se emocionou e se apaixonou pelo toureio do grande matador de La Puebla del Rio e grande mentor deste espectáculo em conjunto com o seu apoderado Pedro Marques e o Dr. Nuno Castelão Provedor da Misercórdia chamusquense.

O público em geral e o aficionado em particular, arrastados pelo interessante cartel, encheu na quase totalidade as bancadas e desfrutou enormemente toda a tarde. Morante de la Puebla abriu o livro desde que recebeu o bom toiro de Manuel Veiga. Magníficas algumas das verónicas e a meia de remate a que se seguiu um quite por chicuelinas. E a faena de muleta, sublime e de raros perfumes não só pela profundidade muitos dos passes, por ambos os pitóns mas com alguns naturais a serem enormes e com uma classe excelsa, ao alcance apenas dos predestinados. E os adornos e alguns remates…. Pois bem, público de pé, fortíssima ovação no final da lide e exigida a volta que o director negou. Incompreensivelmente e de uma tremenda falta de respeito.

David Fandila El Fandi esteve muito bem de capote por verónicas e chicuelinas. Preencheu com espectacularidade o tércio de bandarilhas, sendo o terceiro de violino. A faena de muleta foi de muita qualidade, com naturais de largo e bom traço e uma série pela direita foi de muito valor pela forma como ligou os passes, bem em redondo, um após o outro sem tirar a muleta da cara do toiro de Garcia Jiménez. Foi um dos grandes momentos de uma grande faena que o público aplaudiu de pé nas bancadas e, de pé, exigiu a volta que o director de corrida teimosamente e sem justificação voltou a negar.

A Jose Maria Manzanares tocou outro toiro de Garcia Jiménez que não foi muito claro de início e que se colou 2 ou 3 vezes pelo piton direito quando o matador o lanceou, e bem, à verónica. Construiu com muito saber, e sabor, uma boa faena faena de muleta, com o seu selo pessoal nos toques e nas colocações, dando as distâncias adequadas para que o toiro investisse fosse melhorando essas investidas, ao ponto de alguns muletazos serem de elevada qualidade. Na fase final há uma poderosíssima tanda de naturais que fizeram soar olés. No final, e de pé, o público aplaudiu o matador que teve de recolher esse prémio nos médios porque, uma vez mais, o director de corrida não teve sensibilidade para entender o que devia ter acontecido: a volta à arena!

A Juanito coube lidar um exemplar de Calejo Pires e que recebeu bem por verónicas e depois algumas gaoneras. Pouco motor teve o toiro e Juanito soube entendê-lo até mais de metade da faena, sacando boas séries de muletazos por ambos os pitóns, dando distâncias e tempo. Duas séries, uma por cada pitón, tiveram muita qualidade. O toiro começou a ficar curto, a mirar as sapatilhas do toureiro e aconteceu a voltareta. Vontade e entrega não faltaram a Juanito que também foi premiado com forte ovação pelo público.

No toureio a cavalo, que iniciou o festival, João Ribeiro Telles teve uma boa prestação frente a um cumpridor exemplar de Passanha. O seu terceiro curto foi de muito boa execução com reunião ajustada e cravagem como mandam as regras.

Tristão Ribeiro Telles lidou um bom exemplar de Rosa Rodrigues e esteve bem no 2º comprido e no primeiro curto, de boa execução. Terminou com um violino.

O amador Vasco Veiga, com um novilho de Manuel Veiga, não esteve muito certeiro de mão, com ferragem algo dispersa mas, ainda assim, com o apoio do seu público.

Para as pegas saíram à arena os dois Grupos de Forcados da Chamusca: Amadores e Aposento. Pelos Amadores foi à cara do 1º da tarde o forcado Diogo Marques que consumou ao segundo intento e pelos do Aposento Afonso Melara Dias concretizou à 1ª. No terceiro da tarde foi um misto dos dois agrupamentos, com o forcado Manuel Aranha Condesso, dos Amadores, a consumar com facilidade à 1ª.

Como já referimos foi director deste espectáculo Manuel Gama que teve uma postura nada aceitável, inconcebível até, no que se refere à negação de autorização de voltas á arena e que com outro público podia ter acabado mal. O espectáculo em si e toda a envolvência mereciam outra atitude pois não é assim que vamos lá. Se noutras corridas já houve cortesias como antes da pandemia, se já houve autorização para voltas à arena e até saídas em ombros, o que é que justifica esta imposição? Será que cada um impõe as suas regras? Não se respeita a vontade do público, para mais quando há actuações de enorme mérito? Não é isso que se tem de premiar? Também não percebi porque é que todos os fotógrafos foram para a bancada e apenas um foi autorizado… Critérios? Foi assessorado pelo veterinário José Luís Cruz.

Por estas e por outras também eu vou pensando que o melhor mesmo é mudar de ramo!

Texto e foto: António Lúcio