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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Barreira de Sombra - Temporada de 2015 - 12ª. Emissão – 27/Maio/2015

27.05.15 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Estava tentado em não deixar aqui neste espaço, nesta nossa participação semanal, qualquer referência à polémica sobre exigência da Carteira Profissional, eleito agora, passaporte que dá acesso a fotografar as corridas de toiros a partir da trincheira.

Sou dos que concordam que por vezes, por aqueles terrenos, até existe gente a mais. Mas isso é um problema tem de ser discutido e ponderado sob outro ângulo, não o que agora está em polémica. - Disse que estava disposto a deixar em branco a minha opinião, mas, não me contenho perante a estupidez e a deselegância.

Há muitas maneiras de dar uma má noticia. Com deselegância, estupidamente, poucas. Mesmo com Carteira Profissional. E sobretudo depois de ler e ouvir o que aqui disse e escreveu o meu distinto Amigo, António Lúcio, texto e opinião que de todo, se ele me permite, subscrevo. Após ler e ouvir este companheiro de jornada em prol da Festa dos Toiros, também não posso calar a minha estupefacção perante o impedimento de que foi alvo um dos decanos e veterano da fotografia taurina, António Cecílio.

Não calo a minha solidariedade para com o senhor António Cecílio, e não calo a minha indignação, perante a estupidez da aplicação de uma regra, a que os senhores empresários e representantes dos artistas intervenientes nas corridas de toiros, tinham, e têm aqui uma séria e imperiosa razão, justificada motivação, de em conjunto, se oporem, a exigirem que se cuide as situações, os casos, na aplicação prática e cega da regulamentação. - Não! Não somos todos iguais.

Não somos, não queremos ser, não queremos que assim seja! Daí que, por muitas razões que existissem, ou existam, este tratamento a António Cecílio, é um caso, um sinal que, se mais não fosse, obstar a que queiram meter todos nos mesmo saco. E só por isso, já deveria merecer enorme e forte indignação, oposição.

Há quem não necessite de estar na trincheira, quem não faça lá mais nada que não seja conviver próximo com amigos e conhecidos, todavia outros existem que, por dever de função, com provas dadas de muitos e bons contributos na promoção, difusão e divulgação da Festa dos Toiros que, mesmo sem carteira profissional, sem nada ganharem ou receberem, que não seja a satisfação de poderem registar, pela imagem, e pela escrita, o que na arena ocorre, esses outros, não podem, não devem, não merecem ser avaliados e qualificados por igual. Sou dos entendem, que ninguém deve ter privilégios. Por mim, nunca os pedi, nunca os reclamei. Mas reconheço que existem pessoas, situações, casos que são excepcionais. A excepção que confirma a regra, diz o ditado popular.

E, se por regra, solicitamos uma senha de trincheira para fazer fotografia, isso mais não é, por esse modo, assim, dali, poder escolher o melhor ângulo, obter a melhor imagem, aspectos que suportam a crónica escrita que, sempre, depois fazemos e publicamos. Sempre agradecemos a gentileza da oferta, é também necessário que aqui diga, que foram imensas as ocasiões em que retribuímos, muito para além do normal e cordial, civilizado 'muito obrigado'. Nem a oferta da senha me faz mais rico, nem o aceitar me torna mais pobre, mais dependente, me diminui. Claro que me escuso, aqui e agora, de enumerar as incontáveis vezes em que, para além de fotografar e tomar notas, colaboramos em outras funções dentro da trincheira, sempre no sentido de que o espectáculo seja um êxito, seja mais uma grande tarde ou noite de toiros. O trabalho que temos desenvolvido em prol da festa, sem Carteira Profissional, passe a imodéstia, em nada é inferior ao exigível, feito em liberdade de informação e de opinião.

É esta a nossa opinião em relação à exigência de Carteira Profissional, e aos ínvios caminhos de ingratidão, respeito e obtusa forma de gerir relações e poderes.

Do Norte, com um abraço

José Andrade