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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

jandrade.jpgApós um curto interregno de duas semanas, um descanso que impusemos a nós mesmos, sim, que esta coisa de escrever carece de pequenas paragens para reflexão, e nada melhor que aproveitar o fim das 35 emissões semanais na www.FeelFm.pt, e tudo o mais que envolveu a cobertura das 13 corridas que a Norte do Rio Mondego onde estivemos presentes, para tirar um pequeno descanso. E, feito que está o intervalo, aqui estamos de volta, na colaboração escrita no barreiradesombra.blogspot.pt.

Paramos para reflectir, dizíamos. Mas não paramos de acompanhar o que se vai passando no mundo dos toiros, seguindo com atenção o que se vai dizendo, escrevendo e mostrando em imagem, directa ou gravada, cá e nas redondezas.

À semelhança de uma lide perfeita, como mandam as regras, ao – parar, templar e mandar - paramos para reflectir, templamos o que fizemos, paramos para pensar no que esperamos poder fazer pela Festa.

E, se reflexão, por mais incrível que pareça, é uma das palavras mais usadas nos inquéritos de opinião, por aqueles que, aqui na vizinha Espanha, se interessam pela Festa dos Toiros, por cá, reflectir, é palavra que não consta no vocabulário do meio taurino. Todo o mundo sabe de tudo. Poucos são os que reconhecem que humildemente nada sabem. Temos a economia de casino no tecido produtivo do país. Ir a uma corrida de toiros, virou jogo de roleta. Como nesta coisa de jogos de fortuna e azar o cumprimento das regras é que mantém a constância do negócio, apesar dos resultados os casinos sofrem de ano para ano reveses nos dividendos a distribuir. No mundo dos toiros, com regras pouco claras, a sorte e o azar, se já não é constância atractiva, antes pode ser o golpe final fatal. Daí que seja urgente, necessário e incontornável, que se sentem a uma mesa, troquem ideias, confrontem opiniões, reflictam, os que vivem ou sobrevivem do e no mundo dos touros!

A temporada de 2014 em Portugal teve, e tem, muitos e bons motivos que merecem ser debatidos, reflectidos, confrontados e questionados.

Esta foi a temporada da entrada em vigor de uma nova regulamentação. Com regras novas, sobram motivos para uma primeira abordagem. Mas se não se quer incomodar o poder político, outros bons temas carecem de ser ponderados, a começar pelo papel dos meios de Comunicação Social na promoção, divulgação e elevação da Festa, dos seus agentes e dos seus aficionados. Mas se este é também um tema tabu, então, porque não discutir o papel dos intervenientes no espectáculo. Ou então, o que fazem, ou o que não fazem as organizações que representam, ou dizem representar os interesses da Festa.

Na vizinha Espanha, a reflexão sugerida nos inquéritos de opinião, vai já ganhando caminho, quer através da comunicação social, quer no seio das peñas, troca de argumentos que, originando discussão e debate, reúne contributos de um leque interessante de diversas e distintas personalidades, empresários, artistas, jornalistas, autarcas e aficionados de 'solera'.

Por cá, bem, por cá, a discussão é confundida com intromissão. E assim sendo, nem o pai morre, e só uns tantos ainda vão almoçando.

V.C. 10 Dez 2014

josé andrade