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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Barreira de Sombra no www.FeelFm.pt - 32.ª  -  emissão   05/Novembro/2014

05.11.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Boa noite, ou boa tarde, sejam bem-vindos a este espaço de opinião.

Um espaço que semanalmente pode seguir no barreiradesombra.blogspot.sapo.pt, e ouvir, aqui, na www.FeelFm.pt.

          Vi e revi, com muita atenção, e alguma curiosidade, o programa que recentemente passou na TVI, no seu canal mais radical.

O 'Infiltrado, assim se chama, ou chamou o programa, que criou expectativa, e foi tão diabolizado por certos meios taurinos nacionais. Afinal, não passou de um bom, e refinado, programa de humor. Humor fino, e porque não dizer, humor refinado, sagaz, perspicaz, saudável, onde a figura do “Infiltrado” era, na verdade, conhecida e reconhecida de todos. De todos, isto é, de muitos. - Só um parêntesis: - não conheço o jornalista, nem tenho nenhuma ligação com a TVI. 

O programa, ao que parecia, isto é, a fazer fé nas trovejantes parangonas dos meios noticiosos dedicados a coisas da festa dos toiros, o 'Infiltrado', era um programa, um trabalho, que ia fazer muito mal à Festa, ao campeonato tauromáquico nacional. E isso, o mal que isso ia fazer, que faria, iria fazer mover montanhas de espúrias declarações inflamadas, ataques ferozes dos anti-tauromaquia. Era, a creditar nestas 'câmaras de ressonância' dos 'puros' taurinos cá da paróquia, um programa de 'afronta', o acto capaz de desinfestar doridas honras ofendidas, que motivava prantos de coitadinhos enganados, um gesto, a que os ditos 'donos' da 'verdade' da Festa, 'exigiam' fosse dada uma resposta adequada. Era chegada a hora dos 'puros' se baterem contra os 'infiéis'. O lirismo luso na sua plenitude mais profunda.

Isto o que por aí se lia e ouvia. Afinal, como do costume, tudo não passou de um equívoco, uma dor suportável. Nem os 'puros' saíram do seu confortável aconchego, nem os 'infiéis' apareceram a reivindicar glória. E como um, mais um, são dois, visto e revisto o 'Infiltrado', quem ganhou, quem saiu a ganhar, foi a Festa dos Toiros.

Assente o pó, quedemo-nos então pelo que se viu e ouviu no tal programa 'Infiltrado' de seu nome, e pela boa contribuição que aportou para a Festa, desfazendo mitos, abrindo a outros públicos... e deixando baralhados os anti-quase tudo.

Ora, isso, pelos vistos, o tal programa 'Infiltrado', mais não foi que uma forma bem humorada de um jovem jornalista fazer uma incursão no mundo dos toiros. Apresentou-se, perguntou, pediu para ver, ouvir, e  mostrou o que daí resultou. Não gostaram alguns do que viram ou ouviram!? É um problema deles. Parece que foi isso o que pensaram os menos dados a saberem como reagem os 'puristas' da Festa. Enganaram-se quando lhes serviram de porta-vozes certos 'virtuosos' da pena e do bit. Isso, 'um barulhinho', era o que muitos pensavam, e queriam, mas que fossem outros fazerem-no, para bem da sua conhecida 'pureza' taurina, da sua envergonhada 'ousadia', do seu 'escondido' amor à Tradição e Cultura tauromáquica. Um amor que os leva a 'profundos' debates entre copos, quase sempre, rematados nos 'profundos' saberes da sobremesa, onde as tricas são digestivo. Como não aconteceu o tal 'barulhinho', o pó das suas fidalgas e nobres 'tradições', regressou ao pó da sua fidalga pesporrência.

Como disse, vi e revi o tal programa, o 'Infiltrado'. E o que vi, ou quem viu, sem preconceito, com olhos de 'querer ver', com bom senso, desprendida emoção, viu um  trabalho televisivo, um trabalho jornalístico, bem feito, com fino gosto opinativo,  que soube seguir o que foi ouvindo o que lhe diziam, soube traduzir e refletir em voz alta sobre o que ouvia e via, jogando com alegria o jogo que lhe foi proposto, sem ofensa, com humor. Respeitou o meio taurino, separou 'aguas' entre o seu gosto, o gosto dos que gostam, os gostos da 'moda', dos que vivem da Festa, os que vivem na Festa.  Soube ser e estar, ouvir e filmar. Se disser que o 'Infiltrado' fez mais pela Festa que muitos que por dentro dela se movem, penso não estar a dizer nada que fuja ao essencial que não se saiba.

Que o 'Infiltrado' foi um bom exercício de jornalismo, feito com gente, para gente que sabe ver e ouvir os outros, é o mínimo como se lhe pode consagrar. Que fez mais pela Festa dos Toiros na opinião pública, que muito boa gente, que há muitos por aqui desanda, é só saírem dos 'ruedos' onde se movem, e ouvirem o 'outro mundillo', dos que pagam as entradas, dos que vão aos toiros, porque gostam, sem pretensões, conexões, ou comichões. Por isso, venham de lá mais 'Infiltrados' como este, feitos com humor, com sabor, e os anti, em vez de se despirem para reclamarem a atenção que não têm, passam a andarem de gabardina em pleno Verão. Ou então, como já fazem, vão aborrecer outros, neste caso, os circos. Se calhar pensam que os animais que deslumbra a criançada, são seus directos concorrentes.

 Por hoje é tudo. Até para a semana.          

 

José Andrade