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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BAIÃO: CASA CHEIA NO TRIUNFO DA FESTA - POR JOSÉ ANDRADE

24.08.17 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Baião – 23/08/2017

Tradicional corrida integrada nas Festas de São Bartolomeu

Director: Rogério Joia – Veterinário: Carlos Santos

Lotação: Quase esgotada

Cavaleiros: Rui Salvador, Bastinhas Jr, David Gomes

Forcados: Amadores de Arronches e Amadores de Monsaraz

Ganadaria: José Luís Pereda, La Dehesa e La Rosaleda (sobrero)

 

Baião, pela mão do empresário José Brás, voltou este ano, e após incontáveis obstáculos levantados pelos ‘novos reguladores de consciência’, a ver cumprida uma tradição, a realização, incluída nas Festas em Honra de São Bartolomeu, padroeiro da terra, da sua corrida de toiros. À portuguesa, como faziam questão de esclarecer os programas distribuídos e afixados. E foi uma boa corrida de toiros, só que com rezes espanholas, como se comprovava no edital afixado na entrada da praça, compostos de figura e, que cumpriram com boa nota. Embora com ferros de duas ganadarias, todo o curro cumprir por igual, com pata e entrega. E, quando durante uma lide, recheada de muitos ferros, com intuição e conhecimento, consentida pelo Senhor Director de Corrida, os toiros, numa tarde de Agosto, com Sol e calor abrasador, chegam às pegas, com a boca fechada, e com força suficiente para permitirem mostrar que pegar toiros é mais que ‘agarrar o dito pelo cachaço’, está esclarecida a qualidade em termos de resistência, já que diligentes na lide o foram.

 

Como cavaleiro mais antigo em alternativa, abriu praça Rui Salvador.

Rui Salvador que ultrapassado o compasso inicial de entender o exemplar da La Dehesa que lhe coube em sorte, cumpriu a cravagem dos compridos algo descoordenada. Mudança de montada, e mudança de nível. Curtos com boa preparação e cravagem, e nova mudança de montada, para rematar esta primeira amostragem, com um ferro de violino, ou parecido como tal, algo que fez vibrar a concorrência. Pegou à primeira, recuando e mostrando garra, Tiago Policarpo, muito bem ajudado pelo grupo, dos Amadores de Arronches.

 

Embora mais equilibrada, na sua segunda prestação na tarde, onde lidou um exemplar de J.L Pereda, Rui Salvador, desenvolveu uma lide menos emotiva, deixou boa ferragem, com boas preparações e entradas de frente dignas, não foi todavia capaz de ‘agarrar’ o público, como é seu timbre. Pegou este 4º. da tarde, à 1ª. Paulo Cardoso, dos Amadores de Monsaraz, com o grupo a mostrar coesão na ajuda.

 

Bastinhas Júnior, ou seja, Marcos Bastinhas, em nova versão, iniciou a lide um ritmo já habitual, mostrando logo nos compridos quem conduzia e mandava. E teve um oponente Pereda à altura, que não poupou, mas também não facilitou. Não poupou bons ferros, mas o oponente também não o poupou. O publico agradeceu. Pegou, à 1ª. O cabo, Ricardo Cardoso, dos Amadores de Monsaraz, numa pega rija e com muito valor. Mas se no seu primeiro Bastinhas Júnior que lidou um exemplar da casa Pereda, nesta segunda intervenção, teve de se entender com um da casa La Dehesa. Agradou, cumprindo, nesta segunda exibição, embora de nível idêntico à primeira, foi uma lide sem história, sem marca, de destaque o ferro de palmo com que rematou. Pegou à primeira, um pequeno grande forcado, com alma e saber, Duarte Gato, dos Amadores de Arronches.

 

Diferente no modo de como encara a lide, desde o seu inicio, David Gomes, escolheu para esta sua apresentação em Baião, ir buscar o exemplar de J.L.Pereda à porta dos sustos. Uma ‘porta-gaiola’ que fez empolgar a praça, e mostrou que no percurso profissional que o obrigou, e obriga, a ter de enfrentar outros públicos, Espanha, França e Estados Unidos, ensinou que, tudo numa lide, desde que se transpõem a porta de entrada, tem de ser feito com saber e atenção. O público é que enche as bancadas, paga o bilhete, justifica a carreira e o suor.

 

Procurando não deixar fugir o tempo, nem esfriar a concorrência, David Gomes, desenhou duas lides muito ritmadas, equilibradas e com ferros de boa nota, na preparação, cravagem e recorte, que lhe valeram ter conseguido as melhores lides dos cavaleiros em praça. Soube dar do ‘ladeio’ a cavalo nota que cria expectativa, e dos ferros a duas mãos, uma emoção distinta. Pegou o 3º., à primeira, numa pega com mando e boa ajuda, André Mendes, dos Amadores de Arronches, e o 6º. e último, o único que não foi pegado à primeira, mas à 3º. tentativa, por Fábio Mileu, também dos Amadores de Arronches.

 

Dirigiu com acerto, cuidada atenção, muito saber e aficion, Rogério Joia. Aquele pormenor de indicar que o ajuda devia dar a volta com o forcado e cavaleiro no 5º. da tarde, foi de mestre.

Crónica de José Andrade