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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BAIÃO – 23 DE AGOSTO DE 2014 - PARREIRITA NÃO SE INTIMIDOU... E DEIXOU AFICION. A MELHOR PEGA, FOI PARA CARLOS POLME, DOS AMADORES DO REDONDO.

25.08.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Baião voltou a mostrar que tem aficionados. Mais uns poucos e seria mais uma praça cheia.

 

Como este ano não tive oportunidade de ver a corrida televisionada transmitida na noite anterior de Albufeira, não posso fazer comparações como as que fiz no passado ano, onde também no dia anterior à corrida de Baião, foi transmitido um espectáculo... só que do Campo Pequeno. Coisas de o mês de Agosto só ter 31 dias.

 

O curro anunciado para Baião, era da ganadaria Prudêncio. Era. Foram os cinco últimos. O primeiro, com cinco anos, lidado por Rui Salvador, era de Paulinho da Cunha da Silva. Bem apresentado, bonito de apresentação, acometia e deu lide. Outra coisa foi Rui Salvador, na lide deste seu primeiro, entender o toiro, acertar nos andamentos e concretizar a cravagem com modos. Dos compridos, nem vale a pena referir, tal o desconchavo da lide, onde dos quatro compridos utilizados, só um adornou, descaído entre o murrilho e a espádua. Salvaram-se quatro dos cinco os curtos, colocados já com outra montada. Pegou à 1ª., numa pega valente, aguentando dois valentes derrotes, que lhe custou um abalo de dentes e uma incisão no céu da boca, Fábio Mileu, dos Amadores de Arronches.

 

Se a lide do primeiro foi para esquecer, Rui Salvador que teve como oponente na segunda intervenção um Prudêncio, desenvolveu uma lide de principio ao fim que teve principio, dois compridos colocados  a deixar recado de quem mandava, meio, cinco curtos bem preparados e melhor cravados, e fim , o último foi a cereja no topo. Pegou este 4º. da tarde, à 4ª. tentativa, Duarte Gato, pequeno de estatura, mas grande de valentia e raça. Uma valentia e raça que foi pelo senhor director da corrida reconhecida, convidando-o a dar a volta com o cavaleiro, e saudando-o. São atitudes, gestos, desta natureza, que dignificam e enobrecem quem tem a difícil missão de conduzir espectáculos onde se misturam homens, Homens, animais, e Animais. Está de parabéns o Senhor Manuel Gama.

 

O segundo toiro da tarde, lidado por Marco José, era da ganadaria de José Salvador. Uma lide algo descoordenada, com um Marco José irreconhecível, ele que pela quarta vez consecutiva integra o cartel desta corrida tradicional, cravando ferragem descaída, descomposta e sem sal. Uma lide onde um toiro foi desaproveitado, que encrençou, e que sobrou em defesa para complicar o forcado Carlos Silva, dos Amadores do Redondo, que só ao 5º. intento, a sesgo , muito curto e com o grupo reforçado, conseguiu concretizar a pega. Mas, como não 'há quinto mau', foi no 5º., um Prudêncio a pedir meças, que Marco José mostrou porque tem reserva marcada à 4 anos em Baião, e só não tem em outras praças, porque outras motivações 'se alevantam'. Com dois compridos bem preparados e bem colocados, a lide subiu de tom nos curtos, só três. Suficientes para alvoraçar o 'respeitável', que delirou com o 'violino' de remate. Pegou, numa grande pega, pelo toiro que tinha pela frente, e pela forma como abordou e concretizou, Carlos Polme, dos Amadores do Redondo, mereceu o troféu para a 'melhor pega'.

 

Era a primeira vez que iria ver o 'tal cavaleiro revelação de 2014' como estava anunciado, Parreirita Cigano, penso que em homenagem ao seu Pai, e não por uma questão de apelo a diferença rácica, ou xenofóbica. Aliás, depois das duas lides que presenciei, a ir pelo caminho que em Baião mostrou trilhar, só tem a perder se não clarifica pronto e cabalmente essa situação identificativa. A diferença que o distingue, que o pode distinguir, está na maneira de lidar, de encantar o público, de tornar fácil a cavalo, o que é difícil.

 

E o que vi, na lide que Parreirita deu aos dois Prudêncio que lhe couberam em sorte, foi um jovem com um ar franzino, algo compenetrado, procurando fazer tudo bem, com tempo e a tempo, mas fazendo como se impunha. Foi assim na lide do 3º. da tarde, um Prudêncio com peso e medida, em sortes frontais, preparadas e, sobretudo, bem rematadas. Os dois primeiros compridos, e os três curtos eram suficientes para já lhe assegurarem uma tarde em alta, daí que o 4º. curto, cravado a sesgo, soou a desnecessário. O 'tal ferro a  mais', que acaba por ficar no resumo da corrida, a 'menos'. Pegou, ao 2º. intento, Pedro Silva, dos Amadores de Coimbra. O 6º. e último da tarde, um 'sobressalente' por força de um percalço no que estava a isso destinado, foi o toiro mais pequeno, com menor peso, mas que deu uma boa lide. Uma lide que  Parreirita soube dosear na ferragem, dois compridos, e nos quatro curtos, todos de boa nota, em lide frontal e bem marcada. Pegou à 1ª., numa boa pega, recuando bem e com o grupo a ajudar bem, Diogo Pereira, dos Amadores de Coimbra.

 

Dirigiu a corrida, com muito bom sentido técnico, bom critério e sensatez, o senhor Manuel Gama, que foi ajudado pelo assistente veterinário, senhor dr. João Candeias.

 

Nota final:- No intervalo, a Câmara Municipal de Baião, na pessoa do seu Presidente, dr. José Luís Carneiro, bem como o senhor Presidente da Junta de Freguesia e a Casa de Pessoal da Câmara Municipal, ofereceram lembranças ao cavaleiro Rui Salvador, por ocasião da comemoração dos seus 30 anos de alternativa, bem como ao seu apoderado, José Carlos Amorim, um ícone de gentileza e confiança, que o acompanha desde 1989.

 

José Andrade