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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

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BADAJOZ, 23 DE JUNHO - A CLASSE E O MAGISTÉRIO DE PONCE FIZERAM TODA A DIFERENÇA

24.06.18 | barreiradesombra

Praça de Toiros de Badajoz – 23/06/18 – Corrida de Toiros

Matadores: Enrique Ponce (orelha – orelha com petição de 2ª), António Ferrera (orelha – ovação), Ginés Marin (2 orelhas – palmas)

Ganadaria: Zalduendo

IMG_8549.JPGA CLASSE E O MAGISTÉRIO DE PONCE FIZERAM TODA A DIFERENÇA

Regressei a Badajoz e á sua praça, no final da Avenida de Pardaleras, para assistir ao cartel mais rematado de uma fraca feira de San Juan, a anos-luz de algumas a que ali tive o privilégio de assistir. Por isso também, e apesar do interesse do cartel, a presença de público não chegou para preencher 2/3 da lotação da praça que já necessita também de algumas obras de recuperação.

 

Ver actuar Enrique Ponce é sempre uma garantia para os aficionados pois a sua classe e magistério, o seu poderio e capacidade de «ler» os toiros, fazem dele um predestinado e sempre nos premeia com alguns momentos para mais tarde recordar. Ponce mostra toda a sua enorme classe desde que inicia o paseíllo, na forma como saúda o público ou como recolhe os aplausos e, sobretudo, na forma como lida os toiros, acariciando as suas investidas desde os lances iniciais de capote. No que abriu praça, templadas e suaves foram as verónicas rematadas de meia. A faena de muleta, que não brindou, foi bem desenhada pelos dois lados, predominando os derechazos e uma série de ajudados, metendo sempre o toiro na muleta e terminando com vários passes de joelho flectido antes de receitar uma bela estocada que ainda necessitou de um golpe de descabelho para despachar o de Zalduendo que teve pouco de bravo mas se rendeu à flanela de Ponce que passeou a primeira orelha da tarde.

 

No quarto da ordem e que foi mansote, Ponce voltou a lancear à verónica e rematou com duas meias. Começou a faena de muleta com poncinas e aguentou uma barbaridade numa delas em que o toiro se parou a meio do muletazo. Ponce teve uma extraordinária série de derechazos, muito ligados em redondo e com o toiro sem ter por onde se escapar da muleta. Três molinetes abriram a série seguinte que foi de classe e muito temple, aplaudida pelo público. Uma faena de arte e classe rematada de estocada quase inteira, com o toiro a demorar algo a cair. Orelha com forte petição de segunda e uma bronca ao presidente.

 

António Ferrera regressava à praça de Badajoz e não teve sorte com o seu lote, ambos a “meterem-se” pelo pitón direito. Toureou à verónica e com a muleta teve uma faena com interesse pelo lado esquerdo ora com ajudados ora com naturais. Depois de submeter o toiro e de lhe ter sacado algumas tandas, mostrou que era possível obrigar o toiro a investir pelo lado direito, ainda que também tenha tragado quando o toiro se parou a meio de um muletazo. Finalizou com alguns passes por baixo e matou de estocada de rápido efeito, passeando depois uma orelha.

 

No quinto da calorosa tarde (+ de 36 graus), Ferrera não se pode luzir de capote mas na muleta teve alguns bons momentos, nomeadamente no toureio ao natural, onde conseguiu os seus melhores momentos face a um toiro de escassa mobilidade e nula transmissão. Matou de estocada descaída e dois golpes de descabelho e foi ovacionado.

 

Em terceiro lugar actuou Ginés Marin, um jovem toureiro que vai toureando em todas as feiras importantes e que tem interesse para o aficionado. Esteve francamente bem no terceiro da tarde que teve alguma qualidade na muleta. No capote frenava-se ao segudno lance e não deu muitas hipóteses. O labor muleteril de Marin foi de boa nota e teve os melhores naturais da tarde. Alguns desplantes nos finais das séries e que o público aproveita para aplaudir. Matou de estocada que fez o toiro rodar sem puntilha e foi premiado com 2 orelhas.

 

O que encerrou praça foi o pior dos Zalduendos, manso, sem casta e parado, obrigou o jovems toureiro a expor-se na faena de muleta já que de capote apenas duas ou três verónicas conseguiu sacar. Faena de alinho e de alguma exposição referendada de estocada traseira e tendida. Escutou palmas.

 

No final Ponce e Marin saíram em ombros.

Texto e foto: António Lúcio