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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

AS PRESENÇAS ENTRE BARREIRAS E A SEGURANÇA

16.09.19 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Os acidentes acontecem quando menos se espera e esta actividade, da tauromaquia, é uma actividade de risco pelo que, todo o cuidado é pouco. Estar entre barreiras, vulgarmente na trincheira, tem de ser, sempre, um exercício de responsabilidade por parte de todos quanto a ela têm acesso e que nem sempre têm algo a ver com o espectáculo. Mais do que criticar o que acontece, importa prevenir e educar as pessoas e os seus comportamentos quando estão nesse espaço em trabalho, nomeadamente aqueles que representam algum órgão de comunicação social.

 

Se nos debruçarmos sobre a questão meramente legal, no Regulamento do Espectáculo Tauromáquico, temos o  Artigo 28.º Permanência entre barreiras que estipula:

1 — Sem prejuízo dos elementos das autoridades policiais e dos bombeiros de serviço, apenas podem permanecer entre barreiras, e desde que em funções, os seguintes elementos:

a) Os artistas que atuam no espetáculo e os grupos de forcados, desde que não excedam:

i) 20 elementos por grupo, quando peguem mais do que três reses;

ii) 18 elementos por grupo, quando peguem três reses;

iii) 16 elementos por grupo, quando peguem duas reses;

iv) 12 elementos por grupo, quando peguem uma rês;

b) Até quatro elementos pelos demais cabeças de cartaz, com exceção dos ganadeiros, em que só é permitida a permanência até dois elementos;

c) A equipa médica de serviço;

d) O avisador;

e) Até cinco representantes do promotor;

f) Os representantes da comunicação social, em número adaptado às circunstâncias, determinado pelo diretor de corrida em função das condições de segurança do recinto;

g) O embolador e seus ajudantes, até ao máximo de três, dois campinos e demais pessoal de serviço entre barreiras e na arena, todos devidamente identificados.

2 — Todas as pessoas presentes entre barreiras devem manter -se nos esconderijos, salvo o disposto no número seguinte.

3 — Apenas podem movimentar- se entre barreiras durante a lide das reses, o avisador, os elementos diretamente relacionados com o cabeça de cartaz em atuação, o embolador e seus ajudantes para entrega da ferragem. (…)

 

Ou seja, se for uma corrida concurso de ganadarias com 3 cavaleiros e 2 grupos de forcados, teremos, no espaço entre barreiras, ligados diretamente ao espectáculo (equipa médica incluída e também os representantes do promotor), 85 pessoas, a que se somarão  bombeiros e agentes da autoridade.

 

No que se refere aos representantes da comunicação social, a alínea f) do artigo 28 apenas diz: “em número adaptado às circunstâncias, determinado pelo diretor de corrida em função das condições de segurança do recinto”. Presumo que por condições de segurança do recinto se refiram os burladeros que devem acomodar estes e os outros indivíduos que estarão na trincheira.

 

E aqui colocam-se diversas questões porque ter condições de segurança quer dizer mais do que existir. Explico-me: uma praça como Sobral de Monte Agraço ou Arruda dos Vinhos, por exemplo, não só não têm burladeros que permitam acomodar tanta gente como este não protegem minimamente quem neles esteja no decurso de um espectáculo e se um toiro saltar a trincheira.

 

Numa praça de 1ª categoria como Vila Franca, que segurança dão a quem neles está alguns dos burladeros que permitem que os seus ocupantes estejam sentados? Se o toiro saltar e decidir “barbear” os burladeros facilmente pode atingir quem lá estiver.

 

E esta é uma questão que me sinto na obrigação de colocar: quem protege quem? Os burladeros devem ser, na minha modesta opinião do tipo daqueles que existem em Lisboa, Santarém, Moita, Montijo, só para dar alguns exemplos. E deviam ter assentos que permitissem que aqueles que por ali tivessem de permanecer – e não são apenas os representantes da comunicação social – pudessem sentir-se seguros, protegidos, e confortáveis.

 

E a partir desse momento imporem-se regras claras e inequívocas quanto ao número de burladeros obrigatórios para Representantes dos cabeças de cartaz, dos ganadeiros, dos representantes do promotor, e por aí fora.

António Lúcio