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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

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A imposição de um alargado conjunto de regras para que os espectáculos tauromáquicos possam continuar a realizar-se veio a revelar-se, até aos dias de hoje, positiva e aceitável nalgumas situações e inaceitável em noutras.

O público tem marcado presença muito interessante nos espectáculos que se têm realizado, esgotando algumas lotações (agora limitadas a 1/3 ou metade da capacidade normal dos recintos) e tendo um comportamento quase irrepreensível no que ás regras do distanciamento social e uso da máscara diz respeito (aqui alguns xico-espertos, como os recintos são considerados de “ao ar livre” valem-se do facto de serem fumadores e “rapam” do charuto e tiram a máscara durante quase toda a corrida enquanto os restantes se sujeitam a uma furiosa vigilância dos inspectores da IGAC…) Enfim, portuguesices…

Os empresários têm feito tudo o que é possível para que tudo corra bem: gel desinfectante nas entradas, marcas no chão, sinalética nas paredes, marcas nas bancadas perfeitamente visíveis. Há gente que não entendeu ainda que não pode andar a saltitar de lugar em lugar e de toiro em toiro a ir ao bar ou ao wc…

Os toureiros cumprem as regras de princípio a fim ainda que penalizados por não poderem dar voltas à arena, afinal o grande prémio de cada actuação e agradecer ao público esse prémio.

Em termos gerais as mudanças impostas têm repercussão positiva na diminuição do tempo de cada espectáculo: em termos gerais, as corridas têm diminuído o seu tempo total em cerca de 35 minutos, demorando agora entre 2h15 e 2h30 em vez das habituais 3 longas horas.

O encurtamento das cortesias, agora sem que os cavaleiros percorram a circunferência em quartos de círculo e apenas cumprimentem o público e direcção de corrida, regressando ao pátio de quadrilhas é um aspecto que considero aceitável e que não retira nem brilho nem importância à cerimónia inicial do espectáculo.

Nas trincheiras apenas permanece um Grupo de Forcados, o que vai actuar nesse toiro. Inaceitável até porque os Forcados são, de todos os actuantes, os únicos obrigados a testes Covid e se registassem algum caso positivo não podiam actuar… Para mais, ambos os Grupos se colocam bastante separados um do outro. E sua presença no pátio de quadrilhas ou outro local, não garante segurança acrescentada…

Trincheiras limpas de pessoas não directamente ligadas à lide. Aceitável até porque as trincheiras, em muitos casos, já eram mais um local de tentativa de promoção social do que de trabalho (fotógrafos por exemplo podiam estar em 3 ou 4 burladeros) pois havia a presença de familiares, de amigos, etc, que nada ali tinham que estar. Paga o justo pelo pecador.

Volta à arena após as lides. Aceitável para evitar o arremesso de objectos (casacos, bonés e outros) potenciadores de transmissão do vírus. Inaceitável porque a volta á arena é o grande prémio para toureiros e ganadeiros.

As saídas por filas e sectores é algo que não é muito exequível e é perfeitamente normal que a saída, se não for do tipo “à molhada”, se faça segundo o habitual. Nas entradas também não entra primeiro o último número da fila… Critérios de quem parece nunca ter assistido a espectáculos.

Aos poucos vamos assimilando estas novas regras apesar de nem sempre concordarmos com elas ou com a postura de quem as tem de aplicar e fazer aplicar. Nalguns casos, um pouco de contenção não fazia mal algum.

As novas regras podem vir a tornar-se uma realidade mesmo quando terminar este período. E aí veremos o que foi assimilado por todos e que fará a diferença positiva. Vamos esperar para ver!

Texto e foto: António Lúcio