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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

ANTÓNIO TELLES, A VERDADE DO TOUREIO; FRANCISCO PALHA, A IRREVERÊNCIA QUE MARCA PONTOS, VEIGA TEIXEIRA A BRAVURA ENCASTADA E COM CLASSE.

14.05.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros de Salvaterra de Magos – 13/05/18 – Corrida Concurso de Ganadarias

Director: João Cantinho – Veterinário: José Luís Cruz – Lotação: casa cheia

Cavaleiros: António Telles, Francisco Palha, Andrés Romero (rejoneador)

Forcados: Amadores de Santarém e Amadores de Coruche

Ganadarias: Conde de la Maza, Miura, Dolores Aguirre, Veiga Teixeira, António silva, Canas Vigoroux

IMG_5914.JPGANTÓNIO TELLES, A VERDADE DO TOUREIO; FRANCISCO PALHA, A IRREVERÊNCIA QUE MARCA PONTOS, VEIGA TEIXEIRA A BRAVURA ENCASTADA E COM CLASSE.

 

Duplamente premiada foi a ganadaria de Veiga Teixeira, pelo excelente comportamento do quarto da fria tarde (climatologicamente falando) em Salvaterra. Um toiro de extraordinária presença e trapio, que foi bravo, com mobilidade e com classe e que, justamente, foi premiado no que a apresentação e bravura diz respeito, em decisão unânime dos 3 elementos do júri: D. Francisco de Mascarenhas, António Vasco Lucas e José Luís Gomes, após uma lide soberba do clássico dos clássicos António Ribeiro Telles.

 

Verdade, entrega, ferros ao piton contrário, num conceito de lide total mostrando que está como as grandes reservas dos melhores vinhos, António Telles foi o grande triunfador da corrida. Lidando como poucos, encontrou os melhores terrenos para deixar a ferragem ao toiro do Conde de La Maza que teve alguma qualidade e mobilidade para dar emoção aos ferros curtos. Mas foi no bravo e que teve classe nas investidas de Veiga Teixeira, imponente, que António Telles nos trouxe as maiores emoções ao aguentar as cargas do toiro em voltas á arena com o cavaleiro a dominar e a deixá-lo colocado para ferros que levantaram o público das bancadas tal o ímpeto da investida, dominada na abordagem ao pitón contrário com reuniões justíssimas e onde o inevitável toque aconteceu num desses ferros colocados em terrenos proibitivos. António, com essa lide de mestria, ainda deu mais importância às qualidades do toiro.

 

Francisco Palha atravessa um excelente momento e a sua forma irreverente mas dentro dos melhores conceitos de toureio pode alcandorá-lo a um plano cimeiro na lusitana tauromaquia equestre. Arrisca, pisa terrenos que não são fáceis, compromete-se e às montadas e leva emoção ás bancadas. Foi assim em Salvaterra de Magos frente ao seu primeiro, de Canas Vigoroux, que teve alguma qualidade, mas sobre o mansote, bregando com critério e deixando alguns ferros que foram fortemente aplaudidos. O seu segundo, de Dolores Aguirre, impressionante nos seus 670 kilos, saiu com problemas de locomoção e foi substituído por um sobrero de Veiga Teixeira que serviu. Francisco Palha cumpriu a papeleta com os primeiro e último curtos a serem de boa nota.

 

Andrés Romero não foi feliz nesta sua passagem por Salvaterra. O seu primeiro, de Miura, foi protestado de saída pela sua insignificante presença e total falta de trapio. A sua actuação foi sofrível, com alguma dificuldade para deixar a ferragem da ordem, situação que viria repetir-se no que encerrou praça, um segundo sobrero, este da ganadaria de António Silva que substituiu o titular da mesma ganadaria por dificuldades de locomoção. Esperamos por outras presenças para o podermos avaliar em condições.

 

Tarde de emoção em algumas das pegas de caras protagonizadas pelos Forcados Amadores de Santarém e de Coruche, com momentos verdadeiramente dignos de realce da grande alma do forcado, nomeadamente nas enormes pegas de Ruben Giovetti de Santarém no 5º e de António Tomás, de Coruche, no que encerrou praça. Por Santarém abriu praça António Goes com uma boa cara ao primeiro intento e Fernando Montóia à segunda. Por Coruche Pedro Coelho consumou à segunda tentativa e João Ferreira numa rija pega de caras à primeira, foram os outros forcados de cara.

 

O espectáculo foi dirigido por João Cantinho assessorado pelo veterinário José Luís Cruz.

Crónica e foto: António Lúcio