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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - UMA BREVE ABORDAGEM

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 Na temporada comemorativa dos 30 anos de crítico tauromáquico, decidi acompanhar um maior número de espectáculos tauromáquicos, em especial os que tinham toureio a pé, aproveitando para ver em acção jovens e veteranos, novilheiros e matadores, alguns dos quais grandes figuras da tauromaquia.

 

Houve cartéis de grande categoria na sua montagem e aos quais o grande público não reagiu com a sua passagem nas bilheteiras, situação sobre a qual importa reflectir pois os empresários que apostaram nessas corridas perderam somas consideráveis de dinheiro e alguns dos espectáculos não tiveram importância artística transcendente que se julgava pudessem vir a ter.

 

Houve ilusões no princípio da temporada (como sempre) e que se foram esfumando (como sempre) ao longo do ano. E houve espectáculos como os dos recortadores que foram uma interessante lufada de ar fresco, culminando com uma lotação esgotada em Vila Franca de Xira na final do Ciclo que teve lugar na Feira de Outubro.

 

Feira de Outubro de Vila Franca que acabou por ser um final pouco feliz na temporada da “Palha Blanco” com todos os problemas motivados pelos toiros e pela falta de público e pelas condicionantes existentes no local devido às esperas e largadas de toiros. E se em Vila Franca a tradição manda muito, há também muito que mudar. Disso falaremos mais adiante quando analisarmos a temporada da praça vila-franquense.

 

Mas já em Junho, em Santarém, e com dois cartéis recheados de figuras de nível mundial, a 10 e 17, faltou público e não fossem a entrega de El Juli e de Padilla e o fiasco teria sido ainda maior. Desligada da Feira do Ribatejo há muitos anos, é necessário criar uma âncora importante, seja de novo um programa de rádio ou de televisão de grande audiência, como era o «Despertar» da Rádio Renascença de Sala e da amiga Olga, ou um grande patrocinador, uma grande marca, para que Santarém possa voltar a encher. O público não é o mesmo, a região vai-se despovoando, as oferta do CNEMA (que nunca quis entender-se e criar uma parceria com as empresas da praça “Celestino Graça”) na feira são muitas e a um preço quase simbólico, e há toureiros que dizem pouco na capital do Ribatejo.

 

Em Agosto, a Feira taurina de Alcochete marcou o contraponto, teve gente, teve qualidade e bons espectáculos mantendo-se fiel ao lema do toiro-toiro. A lotação da bonita e bem cuidada praça é curta mas os êxitos foram grandes e assim se mantém há muitos anos.

 

Depois, a Moita do Ribatejo. O grande público não aderiu à renovação de cartéis que a empresa propôs e o fracasso de bilheteira foi grande. Houve toiros, houve toureiros, falharam os Forcados do Aposento da Moita e há ainda a registar o episódio dramático e infeliz que foi a morte do forcado Fernando Quintella dos Amadores de Alcochete.

 

O Campo Pequeno comemorou 125 anos de existência. Teve cartéis bons, outros assim-assim, teve toiros que não deviam pisar a arena de Lisboa, deixou toureiros importantes de fora. Teve 3 lotações esgotadas e editou um livro que fica para a história com momentos marcantes da história da praça de toiros de Lisboa.

 

No aspecto ganadeiro há vários momentos para recordar e deles falaremos detalhadamente quando analisarmos as ganadarias que vimos lidar. Resumidamente, a ganadaria Murteira Grave triunfou claramente, seguida pela de Prudêncio com os novos produtos da linha Campos Peña a darem bons resultados. Veiga Teixeira manteve o interesse, tal como os toiros de Jorge Carvalho e os novilhos de Calejo Pires.

 

No toureio a cavalo assistimos a uma temporada onde António Telles consolidou a sua posição de mestre desta arte. Luís Rouxinol teve alguns bons momentos numa temporada algo atípica, dividindo alguns espectáculos com o seu filho que tirou a alternativa em Lisboa e se foi afirmando no decurso da temporada. Diego Ventura mostrou o seu poderio e classe no Montijo frente aos toiros de Canas Vigoroux e em Vila Franca no festival de encerramento da temporada frente a um bravo Prudêncio.

 

Dos mais novos, Moura Caetano marcou pontos tal como João Telles Jr e Francisco Palha para além dos irmãos Moura. Para ver e rever, esperando-se que “se piquem” mais e com outros toiros e que o público marque presença nessas corridas em que se anunciem.

 

Forcados, os eternos românticos da Festa, os que, em Portugal, pagam esse romantismo, essa forma de abrir os braços, de peito aberto, desafiando os toiros, com a própria vida. Pedro Primo e Fernando Quintella foram os heróis que perderam a vida nas arenas e por quem os aficionados choraram nesta temporada.

 

Grandes pegas de caras, momentos emotivos, a par de outros de claro falhanço por falta de ajudas, por deficientes colocações dos toiros para as pegas, de desconhecimento da técnica necessária para bem ajudar os forcados de cara. Destacaremos também as grandes pegas ou actuações de conjunto quando nos detivermos no capítulo relativo à forcadagem.

 

No toureio a pé, Lisboa foi de extremos: da idolatria à vaia a Padilla, ninguém poupou o matador de Jerez pela sua fraquíssima prestação na sua última passagem por Lisboa depois de dali ter saído em ombros, Saída que foi forçada em Santarém e em Vila Franca como em devido tempo escrevemos. Manzanares toureou de sonho em Lisboa, tal como Dias Gomes o viria a fazer ao passo que Casquinha o fez também no seu regresso a Vila Franca. Santarém teve El Juli em grande e Morante em tom menos que menor. Roca Rey e Castella estiveram na Moita com bons momentos e muitas interrogações se colocam para 2018 onde os jovens João D’Alva e Luís Silva espreitam oportunidades.

 

Nestas notas iniciais da nossa análise ao que vimos na temporada de 2017, uma palavra quando ao público, Contestam claramente a repetição dos cartéis, com toureiros mais veteranos e, ao mesmo tempo, pasme-se, não marcam presença nos cartéis com os jovens toureiros ou, mesmo naqueles que são claramente diferentes como nas mistas ou em corridas em que estão presentes grandes figuras do toureio mundial.

 

O grande público conhece seguramente quase ou mesmo todos os nomes, todos os toureiros de a pé que actuaram em 2017 em Portugal. Poderá haver um ou outro toureiro que não seja tanto mas nos locais onde se trabalhou bem ao longo dos anos, os resultados estão â vista (Abiúl é o exemplo).

 

Dizer que um cartel com Ventura, Morante e Juli não tem interesse, ou o mesmo por Ventura/Roca Rey, ou ainda Fandi/Del Álamo, etc, não me parece minimamente justo. Até porque muitas corridas só com cavaleiros também não tiveram grande adesão de público.

 

Será que o custo de vida, o custo de cada bilhete (e alguns cartéis eram bem caros e tinham bilhetes a 15 euros), o grande número de espectáculos concentrados em poucos dias de uma semana, obrigam as pessoas a escolhas mais apertadas? Creio seguramente que sim. Mas também se houvesse um toureiro português capaz de enlouquecer as pessoas…

 

Mas também acredito que se a RTP tivesse um papel dinâmico na promoção e divulgação da corrida de toiros e não se limitasse a uma mísera transmissão de 3 espectáculos na temporada, outro galo cantaria.

 

Teremos, seguramente, tempo durante este defeso para abordarmos, serenamente como se impõe, todas estas questões.

(CONTINUA)

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