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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

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ANÁLISE DA TEMPORADA 2018 DO "BARREIRA DE SOMBRA" - OS MATADORES DE TOIROS

25.10.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

MATADORES E NOVILHEIROS.JPG

MATADORES DE TOIROS

Em Portugal, quase desde sempre e salvo raras e contadas excepções, o toureio a pé vive amputado de duas das suas mais importantes sortes: a de varas e a de matar. E os toureiros têm de lidar toiros com idade e com peso, que isso de trapio é muito subjectivo e muita gente confunde peso e tamanho com trapio, ultrapassando essas duas fases importantíssimas em qualquer lide a pé. E já agora permitam-me um preciosismo mas que poderá ser também pedagógico: o toureio a pé é aquele que é executado pelos matadores de toiros e novilheiros. Dizer-se que é toureio apeado é um erro pois para se estar apeado havia primeiro que estar montado, certo?

 

Em termos gerais assistimos – Barreira de Sombra/António Lúcio -  a um número idêntico ao dos últimos anos no que ao toureio a pé se refere, pois foram 22 entre corridas com matadores, mistas, novilhadas e festivais representando cerca de 45% do total dos espectáculos a que assistimos.

 

Bons momentos de toureio, duas broncas como há muito se não via (Lisboa na corrida de Morante e  Manzanares) e a “Palha Blanco” em Vila Franca a destacar-se com 4 espectáculos onde houve toureio a pé e Lisboa, Campo Pequeno, onde assistimos a 3 desses espectáculos. Mourão marcou o arranque da temporada e com fortíssima componente de toureio a pé, algum dele de muita qualidade como foi o caso do matador “Cuqui de Utrera”.

 

A nossa lista da temporada no que a matadores de toiros diz respeito ficou assim ordenada:

MATADORES

CORRIDAS

TOIROS

Nuno Casquinha

4

8

António João Ferreira

2

4

Manuel Dias Gomes

2

2

António Ferrera

1

2

Enrique Ponce

1

2

Ginés Marin

1

2

José Maria Manzanares

1

2

Juan José Padilla

1

2

Manurel Escribano

1

2

Morante de la Puebla

1

2

Octávio Chacon

1

2

Pepe Moral

1

2

Cuqui de Utrera

1

1

Curro Diaz

1

1

El Cid

1

1

Israel Lancho

1

1

Joaquin Galdós

1

1

Juan Leal

1

1

Pablo Aguado

1

1

José Garrido

1

1

 

Nuno Casquinha e António João Ferreira são, claramente, os triunfadores. Pelos toiros que lidaram, pelo seu pundonor e garra colocados em cada tarde e em cada toiro, merecem o respeito dos aficionados e deveriam ver mais portas a abrirem-se e a terem maiores e melhores oportunidades. Manuel Dias Gomes deixou-se ver em dois festivais e não toureou ao longo da temporada a não ser já no final no festival de Vila Boim.

 

Manzanares e Morante escutaram sonoras broncas em Lisboa frente aos toiros de Paulo Caetano, enquanto que Padilla se despediu com mais uma saída em ombros. Octávio Chacón teve uma boa lide frente ao bom sexto toiro de Murteira Grave em Abiul.

 

 Vejamos então o que escrevemos sobre o toureio a pé.

 

04/02/18 – Mourão - Em segundo lugar exibiu-se um dos triunfadores maiores da tarde: Curro Díaz. Excelentes foram as verónicas, com o público a fazer ouvir os seus olés e a rematar com duas boas meias verónicas. Na faena de muleta, o diestro de Linares conseguiu boas tandas de derechazos e uma de naturais, correndo bem a mão, ligando como mandam as regras e rematando com passes por baixo com pintureria. Momentos que começaram a aquecer o ambiente nas bancadas onde uma gélida aragem fazia das suas.

E para aquecer, nada melhor que bater palmas, fazer ouvir olés, vibrar com o bom toureio. Foi o que aconteceu com a lide do terceiro da tarde a cargo de Manuel Jesus “El Cid”. Bem de capote a lancear por verónicas rematadas de meia de cartel. A faena de muleta, muito aplaudida, começou com passes por baixo por ambos os pitóns e com o eral a meter-se um pouco pelo lado direito. Mas aí começou o toureiro a impor-se, obrigando-o a passar e desenhando depois uma excelente série de naturais, largos, templados, profundos. E mesclando as séries, ora pelo lado direito ora ao natural, El Cid conseguiu os mais quentes momentos da tarde, não faltando passes de trincheira e de peito nos remates e ainda uns molinetes antes de rematar a sua bela faena com mais duas séries por ambos os pitóns. Duas aclamadas voltas à arena e triunfo maior.

 

25/04/18 – Sobral de Monte Agraço - Manuel Dias Gomes esteve francamente bem de capote, á verónica, mãos bastante baixas. O toureio de muleta foi de bom corte por ambos os pitóns, passes bem desenhados, alguns de muito boa nota mas com o novilho a não repetir como se exigia e apesar da sua nobreza, não teve transmissão.

João Silva “Juanito” foi uma bela surpresa pela positiva, pela atitude que teve diante do novilho, impondo-se de forma clara quer nos lances de capote, algumas verónicas foram boas, quer na forma como desenhou  a faena de muleta com bons passes por ambos os pitóns, remates pintureros e algum improviso que caiu bem. Em bom momento.

 

08/07/18 – Vila Franca de Xira - Nuno Casquinha voltou a triunfar na sua terra, com atitude e decisão, metendo-se nas faenas de muleta com muita garra e bom toureio. No seu primeiro lanceou á verónica e cravou 3 pares de bandarilhas, o último num arriscado quiebro. Faena de muleta de muito boa nota com destaque para duas séries de naturais de muito valor, correndo bem a mão, rematando bem os muletazos. Pelo lado direito foi menos cumpridor o toiro e o matador de Vila Franca descarou-se com ele, obrigando-o a investir. No que encerrou praça voltou a repetir a dose e a gter, de novo, o público consigo. Um início de capote com uma larga afarolada de joelhos, verónicas, chicuelina e larga de remate. Partilhou bandarilhas com Pedro Gonçalves que sofreu uma voltareta na saída do par de bandarilhas e Nuno deixou dois bons pares. A faena de muleta teve voos mais altos ao tourear ao natural, com muito valor e qualidade e que o público voltou a premiar. A atitude de Casquinha valeu-lhe um triunfo sério que, exige-se, tenha como resultado maior número de corridas contratadas.

 

02/08/18 – Lisboa, Campo Pequeno - António João Ferreira, que esteve bem de capote em ambos os toiros, foi o autor da melhor faena da quente noite, precisamente frente ao quinto da ordem e que teve mobilidade, codícia e recorrido. A faena teve uns quantos derechazos de muito boa nota, correndo bem a mão e meia dúzia de naturais que foram aplaudidos. Foi uma faena de muito interesse para o aficionado. E Ferreira cumpriu frente ao segundo da ordem que lhe permitiu uma faena com algum interesse.

 

05/08/18 -  Abiul - Octávio Chacón cumpriu de capote nos seus dois toiros e escutou bronca no primeiro por não ter bandarilhado. A faena ao seu primeiro teve alguns bons muletazos pelo lado direito, por onde baseou quase na totalidade o seu labor e uns naturais de muita classe mas a que não deu continuidade. Contudo, quando começou a faena de muleta ao bravo e nobre sexto da ordem, de joelhos em terra, percebeu rapidamente as excelentes investidas do “112” e aproveitou então para se relaxara e tourear com profundidade por ambos os pitóns, com o novilho-toiro a investir humilhado, focinho pelo chão, pendente apenas e só dos voos da rubra flanela que o matador espanhol bem soube manejar. Uma grande actuação frente a um novilho-toiro de volta á arena.

 

11/09/18 – Moita - Reapareceu e em bom plano o matados espanhol Manuel Escribano. Boas prestações com o capote e as bandarilhas e uma faena de muleta de elevado quilate frente ao bom segundo toiro da tarde. Quer pelo lado direito quer pelo lado esquerdo, sucederam-se os passes com imensa qualidade, largos e profundos, com sabor e com saber. Aproveitou ao máximo as qualidades do toiro e concebeu uma excelente faena de muleta. No quinto da ordem, que exigia um pouco mais e não repetia as investidas com tanta qualidade, voltou a estra bem e a proporcionar bons momentos aplaudidos pelo público.

Nuno Casquinha que foi volteado de má forma num quite de capote no toiro de Escribano apresentou-se em bom plano no seu primeiro quer de capote quer com as bandarilhas. Boa faena de muleta, metendo bem o toiro na rubra flanela, correndo bem a mão para que os passes tivessem outra e melhor expressão. Entendeu bem o toiro e sacou-lhe o melhor partido. Voltou a estar bem no que encerrou praça e ao qual sacou meritória faena de muleta.

 

20/09/18 -Lisboa, Campo Pequeno - Juan José Padilla também não teve toiros para se poder relaxar e tourear como sabe e que o público mais exigente e conhecedor também aplaude. A ambos os toiros faltou bravura, codícia e recorrido. E o que falta aos toiros coloca-o Padilla. Recebeu o primeiro com uma larga afarolada de joelhos e algumas verónicas. A faena de muleta começou-a por baixo, joelho flectido, alargando ao máximo a viagem em muletazos largos procurando interessar o toiro, algo que repetiria no segundo. Ambas as faenas foram baseadas na mão direita, a primeira mais larga que a segunda, não deixando de ter acontecido uma voltareta de permeio. Toureio de cercanias, desplantes e público rendido a Padilla. Duas voltas em cada toiro e saída em ombros!

 

30/09/18 – Vila Franca de Xira - Triunfou, claramente, o toureio a pé. E António João Ferreira foi um dos triunfadores da tarde pois a sua primeira faena, a um toiro que exigia bastante e perante o qual esteve bem de capote e muito bem de muleta, com boas séries, aproveitando da melhor forma o bom pitón esquerdo do terceiro da tarde, fazendo soar os olés e dando mais um grito, um toque de atenção para as empresas. Meteu e embarcou bem o toiro nos voos da muleta, mandando, templando e procurando que a rês não derrotasse na muleta, levando-o bem por baixo em muletazos que também tiveram profundidade. No seu segundo, que não teve qualidade, esforçou-se por sacar os passes, sem a desejada ligação pois a rês saía solta dos muletazos. Uma actuação em que mostrou garra e vontade de agradar.

Nuno Casquinha entrou na competição com o seu colega, logo em quites, cumprindo em ambos os toiros com bons lances de capa e triunfou também. Preencheu bem os tércios de bandarilhas, melhor o primeiro, com um bom par a quarteio e o terceiro num ajustado quiebro. Boa faena de muleta a que registamos no quarto da tarde, uma faena onde houve uma excelente série de derechazos bem ligados em redondo e depois, recreando-se e a gosto, naturais com a mão direita e naturais com a mão esquerda como é usual e que fizeram soar as ovações e os olés. A sua segunda actuação também foi de bom nível e no conjunto tornam-no no triunfador da tarde. Bons momentos pelos dois pitons em faena onde foi visível a sua entrega e o seu placeamento.