Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

ANÁLISE Á TEMPORADA 2014 - OS CAVALEIROS DE ALTERNATIVA

05.11.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Nesta análise ao que foi a temporada de 2014, decidi efectuar algumas alterações em relação ao que vinha fazendo nos últimos anos, separando desde logo o escalafón da nossa temporada (ou seja a listagem dos que vimos actuar), daquilo que foi a apreciação a cada toureiro, aos que mais se evidenciaram nas crónicas que fizemos ao longo do ano.

Entendo que talvez seja mais justa esta separação, pois nem sempre os que mais vimos actuar foram os que mais se destacaram nas crónicas que fizemos e é justo que se destaquem essas actuações. E esta separação valerá para todos os artistas, todas as categorias.

Assim, e por categoria, iremos apresentar a listagem dos 5 mais (ou 3 se tiverem mais de 3 actuações) de cada categoria, e depois daremos destaque aos parágrafos das nossas crónicas com os que mais se evidenciaram ao longo do ano, corrida a corrida, por ordem cronológica.

  • Cavaleiros de Alternativa

Cavaleiro

Actuações

Reses Lidadas

Luís Rouxinol

11

20

António Ribeiro Telles

11

20

Duarte Pinto

10

15

Joaquim Bastinhas

12

15

Rui Salvador

7

14

 

Estes cinco cavaleiros lideram um escalafon composto por um total de 38 e que ficou ordenado da seguinte forma:

ARTISTA

CORRIDAS

TOIROS

Luís Rouxinol

11

20

António Telles

11

20

Joaquim Bastinhas

12

15

Duarte Pinto

10

15

Rui Salvador

7

14

Sónia Matias

10

13

Filipe Gonçalves

8

12

Manuel Telles Bastos

6

12

Manuel Lupi

6

9

Vitor Ribeiro

5

9

Marcelo Mendes

6

8

Marcos Bastinhas

6

8

Ana Batista

4

6

Gilberto Filipe

4

6

Pedro Salvador

4

6

João Moura Jr

3

6

Jacobo Botero

3

5

João Telles Jr

3

5

António Brito Paes

3

4

João Moura

2

4

Marco José

2

4

Pablo Hermoso de Mendoza

2

4

Rui Fernandes

2

4

Tomás Pinto

3

3

João Moura Caetano

2

3

Miguel Moura

2

3

Paulo Jorge Santos

2

3

Batista Duarte

1

2

Diego Ventura

1

2

Francisco Palha

1

2

João Maria Branco

1

2

João Salgueiro

1

2

Tiago Carreiras

1

2

Ana Rita

1

1

Joana Andrade

1

1

José Carlos Portugal

1

1

Mateus Prieto

1

1

Tiago Martins

1

1

 

Os que mais se destacaram nas nossas apreciações críticas no decurso da temporada:

  • 4 de Maio, Vila Franca de Xira – Marcelo Mendes

Como diz o ditado, «no hay quinto malo» e em Vila Franca este «Teixeira» foi de boa nota e mais suave que o terceiro. Com ele esteve em bom plano Marcelo Mendes, com uma lide iniciada a aguentar a forte carga do toiro em três voltas à arena e a cravar-lhe dois compridos à tira. A série de curtos, onde houve boa brega, foi de muito bom nível, entrando bem de frente nas sortes e rematando como mandam as regras. Os dois últimos, um deles de palmo, foram deixados montando o «Único» que lhe permite rematar as sortes com grande expressividade.

 

  • 15 de Maio, Campo Pequeno – Pablo Hermoso de Mendoza

Já o havia escrito uma vez, a propósito de uma lide de Pablo Hermoso de Mendoza e volto a fazê-lo com gosto redobrado pois as suas actuações na corrida inaugural da temporada lisboeta, na noite de 15 de Maio, foram de autêntica maestria e uma sinfonia de bom toureio a cavalo, de domínio pleno dos terrenos, das querenças, das distâncias, das montadas e da souplesse com que tudo foi feito na cara do toiro. A praça estava de pé no final das lides, as voltas foram apoteóticas, e tudo isto perante quase 7000 espectadores, com lotação esgotada – curiosamente as capitais ibéricas, Lisboa e Madrid, esgotaram lotação no mesmo dia.

 

  • 15 de Maio, Campo Pequeno – João Moura Jr

Mais um momento alto foi vivido com a actuação de João Moura Jr frente ao terceiro da ordem, um toiro com classe e que cumpriu, e frente ao qual se viu um toureiro inspirado, preocupado em fazer bem as coisas, lidando com preceito e a cravar bons ferros. Moura Jr esteve em muito bom plano na brega, encontrando terrenos e distâncias para cravar a ferragem dando vantagens ao toiro ao mostrar-se de largo e encurtar as distâncias, para em sortes frontais de enorme mérito cravar «en su sitio» e provocar as fortes ovações do público que exigiu música e o director de corrida tardou em conceder. A actuação é de nível superior na concepção e concretização das sortes, num toureio vistoso mas de verdade e com os remates das sortes a serem de muito bom nível. Uma grande actuação a encerrar a primeira parte.

  • 25 de Maio, Moita – Marcos Bastinhas

Marcos Bastinhas teve por diante o melhor toiro da corrida e soube aproveitá-lo desde os primeiros momentos para uma lide vibrante, com bons momentos na brega e alguns ferros de muito mérito, pela forma como abordou com seriedade a lide, nos cites a deixar-se ver, na forma como partiu e marcou as entradas ao pitón contrário. Dois dos ferros tiveram muita verdade e marcaram a tarde e o triunfo de Marcos Bastinhas.

 

  • 8 de Junho, Santarém – Filipe Gonçalves

Filipe Gonçalves teve por diante o melhor toiro e soube lidá-lo na justa medida para conseguir o triunfo. Depois de dois compridos, Gonçalves encontrou os terrenos e as distâncias para, em sortes cambiadas, deixar 3 bons ferros antecedidos de boa brega e rematados com piruetas. Finalizou com um par de bandarilhas em terrenos de compromisso e foi justamente aplaudido.

 

  • 10 de Junho, Santarém – Manuel Lupi

O terceiro da ordem era um toiro imponente, alto e comprido, e teve bastante qualidade, por nobre e suave e sempre disponível para a ferragem mas faltando-lhe um pouco de sal. O regressado Manuel Lupi colocou aquilo que lhe faltava e assinou um bom triunfo neste terceiro toiro, com uma lide muito ligada, com muita classe e entradas fulgurantes ao pitón contrário, numa lide que brindou a seu pai, Mestre José Samuel Lupi. Recebeu o toiro à porta de curros e cravou-lhe dois compridos, segundo de muito boa execução. Seguiram-se bons momentos nas preparações e ferros curtos que fizeram vibrar o público nas bancadas, com entradas ao pitón contrário, vibrantes, pisando terrenos de compromisso e finalizando com um grande ferro, entre os fortes aplausos do público. Uma reaparição auspiciosa e triunfal.

 

  • 6 de Julho, Vila Franca de Xira – António Telles

Que magnífica lição de bem tourear a cavalo deu António Telles a todos quantos estavam nas bancadas da “Palha Blanco” frente ao quarto toiro da tarde. Que momentos brilhantes de brega, de colocação do toiro «á voz» e com suaves movimentos da montada. Que grandes ferros, a entrar pelos terrenos do toiro, frente a frente, com um momento de reunião sempre de grande risco mas com cravagem de três deles de enorme mérito e que fizeram com que o público, como que impelido por molas nas bancadas, se levantasse e aplaudisse de pé como há muito se não via. Confesso que a emoção se apoderou de mim e de muitas pessoas que vibraram com aquele toureio de verdade, com a seriedade de um grande Senhor das nossas arenas e que, uma vez mais, abriu o frasco das melhores e mais perfumadas essências do bom toureio a cavalo. Olé António Telles!

 

  • 11 de Julho, Luís Rouxinol – Póvoa de Varzim

E se no seu 1º. Luís Rouxinol provocou já alvoroço, na lide do 5º. da ordem, provou que 'não há 5ºs. maus', e foi o delírio total. Lide em crescendo, mesmo quando já no final o touro estava a ir a menos, Luís Rouxinol aproveitou tudo o que o exemplar Prudêncio transmitiu e transmitia, bregando e cravando, com gosto e a gosto, rematando com um par, preparado e colocado numa nesga de terreno, todo ele um hino à coragem e saber. Imperdoável e de não esquecer.

  • 2 de Agosto, Jacobo Botero - Abiúl

Comecemos pelo triunfador da corrida, Jacobo Botero e pela sua lide frente ao quinto toiro. Uma lide bem medida, debaixo de chuva miudinha, com o jovem colombiano a procurar colocar bem o toiro para deixar a ferragem da ordem, com dois compridos à tira e uma série de três curtos em sortes frontais bem executadas para rematar com outro de muito boa nota e a entrar nos terrenos do toiro com muito mérito e a pedido do público um bom violino.

  • 3 de Agosto, Luís Rouxinol - Abiúl

Coube a Luis Rouxinol abrir praça e como é seu timbre deu tudo para triunfar, construindo uma boa lide, com boa brega e bem nos remates das sortes. Mas seria no quarto da ordem, um toiro bravo e com trapio, codicioso nas arrancadas para as montadas, que o cavaleiro de Pegões conseguiu galvanizar o público com bons ferros curtos em sortes frontais, e com os habituais palmo e par de bandarilhas para rematar uma actuação que começara com um excelente comprido montando um dos novos cavalos da sua quadra e que tem um momento do ferro excepcional

  • 8 de Agosto, Rui Salvador – Tomar

Rui Salvador foi igual a si próprio ao longo das seis lides: de raça e entrega total. Procurando em cada momento, em cada ferro, em cada lide, dar o melhor, galvanizar o público, entregando-se como se de um toureiro em busca de um lugar ao sol se tratasse.

Trinta anos depois da alternativa concedida pelo grande e saudoso José Mestre Batista numa corrida da Rádio no Campo Pequeno, a paixão continua bem viva, no olhar sempre cintilante, faiscante, na expressão de felicidade por cada ferro bem conseguido, na forma de “provocar” e ao mesmo tempo agradecer ao seu público.

Foram quatro lides a sós, com grandes momentos de toureio, com alguns grandes ferros, pisando terrenos de compromisso, mostrando doze montadas.

  • 17 de Agosto, Duarte Pinto – Arruda dos Vinhos

Mas a noite seria de Duarte Pinto. Se no seu primeiro já mostrara classe e uma atitude muito serena na forma de lidar, de citar de largo num estilo muito clássico e que cada vez mais vai calando forte nos aficionados, foi no sexto da ordem que mostrou a sua maestria na abordagem da brega, na colocação do toiro nos médios e na forma como, de frente, com entradas ao pitón contrário, deixou um conjunto de ferros curtos de muito boa nota, pisando terrenos de compromisso e triunfando com justiça, sublinhada pelas fortes ovações que escutou durante a lide e na volta com o forcado.

  • 17 de Agosto, Mateus Prieto – Póvoa de Varzim

Mateus Prieto, veio à Póvoa de Varzim, disposto a mostrar que a sua passagem pelos ecrans da Tv na corrida televisionada da Figueira da Foz, foi uma daquelas noites não, que sucedem ao mais pintado. Lide segura, com preparações cuidadas, iniciada com dois bons compridos, foi subindo de tom nos quatro curtos, sempre em sortes frontais, em que o quarto, cravado em violino, pelos terrenos e pelo desenho da sorte, fez tremer a praça, rematando a lide com mais um bom violino e um de palmo, onde o delírio do público era a causa/efeito porque gostou e queria isso mesmo manifestar ao artista.

  • 21 de Agosto, Rui Fernandes – Campo Pequeno

Rui Fernandes está em grande momento de forma. Provou-o nos dois toiros, em crescendo a lide ao seu primeiro, rematada com dois curtos de muito bom nível. Mas seria no quinto da ordem que se excederia quer na brega e nos remates quer na abordagem das sortes, com grandes momentos e grandes ferros que foram justamente premiados com música e fortes aplausos do público. Foi uma lide de nível muito elevado e que o catapultou para o merecido êxito.

  • 4 de Setembro –João Moura Jr – Campo Pequeno

João Moura Jr mostrou que queria triunfar e triunfou. Esteve em bom plano no terceiro da ordem, com um toureio de largo e alguns bons ferros com destaque para o terceiro em que foi encurtando as distâncias para atacar o toiro e cravar bem. Voltaria a repetir o bom toureio no que encerrou praça, dando distâncias, mostrando-se de largo, em cites de praça a praça e cravando alguns ferros. Por mim fico-me com o de palmo com que encerrou a lide, em sorte frontal muito bem executada e com reunião muito justa.

  • 5 de Outubro – Marcelo Mendes – Vila Franca de Xira

Marcelo Mendes lidou bem o toireco segundo da tarde, sem trapio e bizco do piton direito. Esteve diligente na brega e cravou bons ferros curtos. Contudo seria no sexto da tarde/noite que assinaria um rotundo triunfo, pela forma como lidou e cravou a ferragem, colocando-se bem de frente, pisando os terrenos do toiro em entradas ao piton contrário e cravando muito bem, entre os fortes aplausos do público. Foi uma actuação redonda de Marcelo Mendes frente a um toiro com muita presença e enraçado nas suas investidas.