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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

A MINHA VISÃO SOBRE O ACTUAL ESTADO DA TAUROMAQUIA

10.01.19 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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A tauromaquia é uma actividade cultural reconhecida por lei e tutelada pelo Ministério da Cultura, de acordo com os dispositivos legais em vigor e garantida, também, pelas normas constantes da Constituição da República Portuguesa. Parece que não restam dúvidas quanto a isto e o próprio exercício das funções e protagonistas da festa brava se encontra devidamente enquadrado não apenas no Regulamento do Espectáculo Tauromáquico como numa panóplia de legislação sobre o acesso à profissão, ao funcionamento das praças de toiros, seguros dos artistas, etc.

 

Uma larga maioria dos deputados nacionais tem defendido a Festa Brava (alguns até marcam presença em corridas) de severos ataques de que esta tem sido alvo por parte do deputado do PAN e de outros do Bloco de Esquerda, dos Verdes, de alguns do PS… Até ao dia de hoje, esta maioria de deputados tem conseguido fazer valer os valores da democracia instaurada em 1974, contra posições sectárias e ditatoriais que deveriam ter sido erradicadas.

 

Mas a nossa tauromaquia continua vulnerável a estes ataques e há que manter sempre a atenção sobre toda e qualquer movimentação dos anti, apoiados que estão no único deputado do PAN, mas que consegue, pela surra, ir metendo as suas “farpas” contra a Tauromaquia. Trabalho importante tem sido feito pela Prótoiro apesar desta falhar claramente na comunicação para o exterior. Um aspecto urgente para pensar e repensar na sua estratégia.

 

Comunicação e informação junto do grande público é essencial e que seja feita de forma clara e com números claros que não deixem margem para dúvidas. De outra forma, se soubemos aproveitar a questão do IVA, não fomos capazes de mostrar claramente quanto vale, financeiramente falando, a economia da tauromaquia; o valor da defesa da ecologia, da biodiversidade etc etc.

 

Um estudo sério sobre toda a envolvente da Festa Brava, todos os meios sócio-económicos envolvidos, da economia familiar á de maior escala com os grandes eventos tauromáquicos, é necessário para dar a conhecer ao grande público quem somos, o que fazemos, o que aportamos à sociedade e quanto damos aos cofres do Estado. Não adianta falar que somos 2 ou 3 milhões de aficionados se depois não o conseguimos demonstrar social, económica ou financeiramente.

 

Num breve esforço para encontrar intervenientes directos e indirectos na festa brava, encontrei um conjunto de itens para analisar e servir de base a um estudo sobre o que está envolvido numa corrida de toiros. E devo recordar que as manifestações tauromáquicas vão muito para além das corridas de toiros e espectáculos tipificados no RET. Sim porque temos:

·         Corridas de Toiros

·         Festivais Taurinos

·         Novilhadas

·         Garraiadas

·         Largadas e esperas de toiros

·         Touradas à Corda (Açores)

·         Recortadores

·         Capeias arraianas

·         Forcão

Não esquecendo as Chegas de Bois em Trás-os-Montes e a Vaca das Cordas em Ponte de Lima, entre outras tradições como as de Barrancos ou Monsaraz.

 

Assim, verifico que, grosso modo, estão envolvidas entidades como:

·         Proprietários de praças de toiros (particulares, Misericórdias, Câmaras Municipais)

·         Empresários taurinos

·         Criadores de Toiros de Lide

·         Criadores de Cavalos

·         Campinos e Maiorais

·         Jogos de Cabrestos

·         Emboladores

·         Pessoal de serviço nas praças de toiros

·         Tratadores de cavalos e motoristas

·         Médicos e enfermeiros

·         Bombeiros

·         Autoridades Policiais

·         Cornetins

·         Directores de Corrida e Veterinários

·         Banda de Música

·         Transportadores de toiros

·         Artistas – cavaleiros, matadores, forcados, bandarilheiros

·         Pessoal de bilheteiras

·         Gráficas

·         Pessoal de afixação e distribuição de publicidade

·         Outros meios de publicidade

·         Comunicação Social

·         Fotógrafos

·         Talhos/Matadouros

·         Restauração local

E haverá ainda outros de que me possa ter esquecido…

Se atentarmos no facto de que uma pequena praça de toiros esgotada, com 2200 pessoas, pode gerar uma receita bruta de cerca de 48 mil euros (valores meramente especulativos como todos os que se seguem porque não existe o tal estudo…) ou que uma praça esgotada como a do Campo Pequeno (6700 lugares) pode chegar à casa dos 250 mil euros, é fácil de perceber quanto lucra o Estado em IVA, sem investir um centavo que seja na sua promoção, defesa ou divulgação ao contrário do que faz com o Teatro, o Cinema etc sempre de mão estendida para os subsídios…

 

Mais ainda se verificarmos que assistiram aos espectáculos tauromáquicos abrangidos pelo RET mais de 300 mil pessoas e que o preço médio do bilhete se terá fixado nos 25 euros, teremos uma receita bruta de 750 mil euros, de onde o Estado retira, para além das taxas pagas à IGAC e outras entidades estatais, os tais 13% de IVA… Está tudo dito!!!

 

É uma exigência que o Estado, através dos seus organismos, e mais ainda dos que tutelam a Festa Brava, a respeitem e todos os seus intervenientes. Mas também nós temos a obrigação de a fazer melhor, de mais emoção, de mais risco, de mais valor, de mais arte.

Foto: Maria João MIl-Homens