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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

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A MINHA ANÁLISE À FEIRA TAURINA DA MOITA 2018

16.09.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra


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Quando uma Feira Taurina é apresentada ao grande público em geral e ao aficionado em particular, muitas são as expectativas que se criam e muito são os comentários sobre a sua composição, os que estão, os que deveriam estar, os que o público mais queria e aqueles que o empresário conseguiu contratar dentro do orçamento que tem disponível para montar essa feira.

 

Como já aqui referi, muito mudou no campo social, económico, do emprego, na Moita como em tantas vilas e cidades do nosso País. Inclusivé o ano escolar que dantes arrancava nos primeiros dias de Outubro tem os seus inícios, actualmente, nos primeiros de Setembro. Logo, a disponibilidade financeira das famílias é manifestamente a mínima para suportar 4 espectáculos taurinos numa semana que é, também, de trabalho.

 

E quem ainda não compreendeu que a tradição já não é o que era há 15/20 anos atrás e não permite algumas alterações, não estará seguramente á espera que haja muitos empresários sérios e com capacidade para montar bons espectáculos com vontade de investir e perder o seu dinheiro numa praça como a da Moita onde não há público venha quem vier a tourear.

 

O paradigma tem de ser alterado. As corridas têm de mudar para o fim de semana; tem de haver um forte compromisso entre a empresa que gere a praça, a proprietária da praça, a edilidade e a comissão de festas para que não haja actividades gratuitas concorrentes com as corridas de toiros até 2 horas após o início das corridas. E a corrida do Município terá de ser realizada à noite para potenciar o número de espectadores… Também a “tarde do fogareiro” tem de deixar de viver num perfeito clima de caos/anarquia como vem a suceder nos últimos anos prejudicando claramente a corrida dessa noite. Os que vêm de fora para as corridas na Moita não podem deixar os carros em Sarilhos Grandes para chegar à praça após uma longa caminhada a pé. Os Bombeiros têm imensas dificuldades para chegar à praça assim como os toureiros e com as ruas vedadas ninguém consegue romper em direcção à praça. Medida a adoptar: ás 18h a avenida Teófilo Braga tem de estar limpa e desimpedida!

 

Postos estes considerandos, passemos ao que foi, na minha modesta opinião, a parte artística, taurina, da Feira.

 

  1. Espectáculos

110918 - Moita (1).PNGA empresa montou um total de espectáculos tauromáquicos, entre terça e sexta-feira, com figuras e com oportunidades a toureios que têm triunfado e ainda a jovens valores. Exemplo disso é a presença de Nuno Casquinha na corrida mista de terça-feira, a inclusão de Francisco Palha no cartel das Dinastias de 4ª feira, ou a alternativa de Verónica Cabaço. De referir ainda a homenagem póstuma a Fernando Quintella falecido há um ano…

4 espectáculos, divididos em 2 corridas de toiros á portuguesa, uma delas concurso de ganadarias, uma corrida mista e uma novilhada popular, em que actuaram 16 cavaleiros dos quais 3 praticantes, 1 rejoneador e 1 amador; 2 matadores de toiros e 4 novilheiros; 4 Grupos de Forcados e onde se lidaram reses de 10 ganadarias.

 

  1. Público

O público voltou a não preencher, numa corrida, mais de 2/3 a 3/4 da lotação da “Daniel do Nascimento” num único espectáculo e com preços a partir de 15 euros… A melhor lotação registou-se na corrida de quinta-feira, seguida da de sexta e com cerca de 1/3 de lotação preenchida a mista de terça-feira e a novilhada com uma razoável assistência. Mesmo assim, melhorou em relação ao ano anterior.

 

Foi um público que, regra geral, apoiou os toureiros e vibrou com as pegas.

 

  1. O Toiro

Neste capítulo a empresa Rafael Vilhais apresentou uma feira em que o toiro com idade, peso e trapio foi uma constante. A corrida de Falé Filipe, lidada a 11/09, teve muita presença e qualidade com destaque para os segundo e sexto toiros, ambos lidados a pé. Também muito homogénea de presença e de comportamento a corrida de Passanha lidada na quinta-feira. Na corrida concurso de ganadarias que encerrou a feira, toiros de distinta presença e comportamento, destacando-se o toiro do Engº. Jorge Carvalho que viria a vencer os prémios em disputa. E na novilhada, destaque para o eral de Falé Filipe lidado por João d’Alva.

 

Se tivesse de eleger triunfadores no campo ganadeiro, destacaria a ganadaria de Falé Filipe e o toiro nº42, de 500kg, lidado por Manuel Escribano, assim como o nº 38, de 508kg, lidado por Nuno Casquinha. E o toiro nº52 de 565 kg da ganadaria do Engº. Jorge Carvalho que venceu so prémios “Bravura” e “Apresentação” na corrida concurso de ganadarias.

 

 4. Cavaleiros

Actuaram um total de 16 artistas a cavalo sendo que foram 11 cavaleiros de alternativa, 3 praticantes, 1 rejoneador e 1 amador e que o único que toureou 2 toiros foi Vítor Ribeiro na corrida inaugural e que esteve francamente bem.

 

Como triunfador elejo Francisco Palha pela sua prestação na corrida de dia 13, onde Luís Rouxinol e luís Rouxinol Jr também cantaram alto. Também o rejoneador espanhol Andrés Romero a par de Gilberto Filipe ultrapassaram a fasquia para uma nota de suficiente mais. Depois João Moura, António Teles, Miguel Moura, Ana Batista, Filipe Gonçalves, e Verónica Cabaço que tomou a alternativa com um satisfaz à justa.

 

Nos praticantes destaque para a actuação de António Prates na corrida de sexta-feira. Pelos mínimos cumpriram Francisco Correia Lopes e Ricardo Cravidão.

 

Uma boa prestação teve o amador António Telles filho frente a um bom eral de Passanha.

 

  1. Matadores de Toiros e Novilheiros

Apenas 2 matadores fizeram o paseíllo na arena moitense. Manuel Escribano que reaparecia após a grave cornada sofrida em Espanha, e o português Nuno Casquinha que dias antes cortara uma orelha em Sotillo de la Adrada, Espanha, e que vem triunfando em arenas peruanas. Com toiros de Falé Filipe que tiveram presença e qualidades para o toureio, cada um com o seu estilo esgrimiram os seus argumentos e triunfaram, sendo aplaudidos pelo público. Conferir-lhes-ia o prémio ex-aequo.

 

Quanto aos novilheiros, destaque claro de João D’Alva sobre os seus alternantes. Muito mais placeado, soube aproveitar as boas investidas do bom eral de Falé Filipe. Alternou com Rui Jardim, Filipe Martinho e Miguel Muñoz.

 

 6. Grupos de Forcados

Foi o renascer e recuperar dos momentos de glória do Grupo de Forcados do Aposento da Moita. Prova superada com valor e galhardia numa noite tranquila, com muita rapaziada nova e algum que outro mais veterano a ajudar, com boas pegas de caras frente a sete Passanhas que empurraram com força e alguns derrotes mais violentos. Foram caras o cabo José Maria Bettencourt, Marcos Prata, João Ventura, Leonardo Mathias, Bernardo Cardoso, Martim Afonso Carvalho e João Gomes. Pegaram ainda os dois novilhos da lide a cavalo da novilhada de 4ª feira.

 

Na primeira corrida pegaram os Amadores da Moita com destaque para a grande pega de caras a cargo de Fábio Silva, uma das que elejo como pega da Feira.

 

Outra das grandes pegas da Feira – porque os diversos tempos foram muito bem executados e o forcado suportou alguns derrotes mais emotivos (é o meu critério para as distinguir das demais) - foi a de Manuel Pinto dos Amadores de Alcochete no sexto toiro da corrida de sexta-feira. Pegaram ainda nesta corrida com boas intervenções os Amadores de Évora.

 

Texto e foto: António Lúcio e Emilio