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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

2. OS CAVALEIROS QUE VI ACTUAR EM 2010

Entre cavaleiros de alternativa, rejoneadores, cavaleiros praticantes e amadores, tive o ensejo de ver actuar mais de 40 dos mais veteranos aos mais jovens e ainda quase incipientes cavaleiros. Grandes actuações a par de outras bem menos conseguidas, umas quantas lições de bem tourear a cavalo a par de outras tantas do “número do cavalito”, fizeram com que houvesse de tudo para todos os gostos, mesmo os maus, pois como diz o ditado popular «gostos não se discutem».

 

Dois triunfadores indiscutíveis, para mim, em duas versões do toureio clássico: António Ribeiro Telles e João Salgueiro. Não esqueço as magistrais lições do primeiro em Lisboa e do segundo no Montijo e em Vila Franca. Assim se toureia de verdade, com a verdade por diante e diante do toiro-toiro, impondo-se, lidando, dominando a negra rês, e saíndo em plano de triunfo para todos quantos puderam a essas magistrais lições assistir.

 

Recordo algumas passagens de duas das crónicas sobre estes dois artistas.

 

"MONTIJO - A GENIALIDADE DE SALGUEIRO NUMA LIDE MAGISTRAL


Um Salgueiro genial e uma lide imaculada, prenhe de emoçãoe de bom toureio, magistral nos cites e nas cravagens, foi aquilo a que assistimos na noite do passado sábado 26 na Monumental do Montijo frente ao segundo toiro da noite, como os restantes da ganadaria de José Lupi. Salgueiro encontrou as distâncias precisas em cada momento, elegeu os melhores terrenos consoante as querenças que o toiro foi mostrando. Depois, de praça a praça provocando a investida, ou em curto atacando o pitón contrário montando o “Van Gogh” levantou o público  das bancadas e proporcionou-nos momentos para recordar.

 

João Salgueiro, depois da extraordinária actuação no segundo da noite, confirmou no quinto da ordem o seu excelente momento e, com um toiro de distintas condições, desenhou outra grande lide com dois excelentes curtos a abrir, o segundo de muito mérito pelo sítio e distãncia a que citou e cravou. Mais uma grande actuação de Salgueiro a confirmá-lo como truinfador indiscutível desta corrida."

 

"LISBOA - E O TOUREIO DE VERDADE NÃO CONTA? SÓ VALE O NÚMERO DO “CABALLITO”?

O público paga o seu bilhete (esgotou novamente o Campo Pequeno), aplaude o que quer, transforma em êxitos aquilo que os mais conhecedores verificam pouco ter a ver com o toureio a cavalo na sua máxima expressão e antes mais não é que a reencarnação do velho espírito do rejoneio campero e do número do “caballito” que tantas e tantas vezes se reprovou. Vir à dita Catedral Mundial do Toureio a Cavalo implica tourear de frente, dar distâncias, deixar o toiro colocado em sorte e para ele partir em linha recta, e isso, caros amigos, foi feito apenas por António Ribeiro Telles. Quem saíu em ombros foi Ventura mas quem TOUREOU DE VERDADE foi o cavaleiro da Torrinha.

 

A verdade do toureio a cavalo esteve a cargo de António Ribeiro Telles, queiram ou não entender aqueles que apenas foram a Lisboa para ver Ventura. Receber os toiros com poder mas sem os recortar em demasia pois as investidas boiantes e insonsas rapidamente se acabam; colocar-se de largo e provocar a investida; sair a passo para o toiro e marcar bem as reuniões, cravar de alto a baixo e ao estribo. Tudo isso fez António Telles em duas actuações de muito nível, superior quiçá a segunda, pelas sortes frontais e entradas apertadas nos terrenos do toiro, reunindo e cravando como mandam as regras. A brega foi de muita qualidade assim como alguns dos remates frente ao segundo do seu lote, fazendo com que a lide ao quarto da noite fosse de imenso valor e por isso mesmo mais que merecedora das duas voltas à arena e chamada especial aos médios."

 

Na senda das actuações bem conseguidas e com impacto junto do grande público, destacaria também Ana Batista, numa das corridas de Lisboa em Agosto, em plano de grande maturidade, uma grande actuação de Rui Salvador em Tomar; Rouxinol e Bastinhas a manterem acesa a chama e a justificarem na arena a sua presença nos mais importantes cartéis; uma grande actuação de Paulo Caetano; o bom momento de João Moura, a mostrar que ainda está aí para durar. Vítor Ribeiro e Sónia Matias também em bons momentos das respectivas carreiras e, nos mais jovens, Moura Jr, João Telles Jr, Marcos Bastinhas, Manuel Telles Bastos e Manuel Lupi a mostrarem que têm uma palavra a dizer nos anos que se seguem.

 

Uma palavra também para Duarte Pinto que, na senda do classicismo e do bom toureio, marcou pontos e a diferença na forma como se colocou de largo e ora deu primazia de investida ora atacou os toiros em algumas actuações de muito bom nível.

 

A lista completa de cavaleiros de alternativa e rejoneadores é a que se segue:

 

Quanto aos praticantes, Salgueiro da Costa e Tomás Pinto, assim como Marcelo Mendes destacaram-se dos demais que vi actuar em 2010 e deixaram vontade de os revermos em 2011, quiçá já a pensarem em tomar a alternativa. Como vi poucas actuações com praticantes e amadores, pouco mais poderei que desejar que a próxima temporada seja de afirmação para todos eles pois a renovação é necessária e alguns podem ser bons valores. Esta é a lista dos praticantes e amadores:

 

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