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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

PRÉMIOS NA TOURADA À PORTUGUESA

13.10.10 | barreiradesombra

“Não basta conquistar a sabedoria; é precisa usá-la”, Cícero

 

Começo por fazer uma distinção: chamo tourada à portuguesa por contraposição à corrida de toiros, entendida esta como corrida integral com morte do toiro na arena e aquela como o espectáculo onde actuam cavaleiros e forcados frente a toiros embolados e «matadores» ou novilheiros que lidam reses despontadas, sem intervenção de picadores e sem morte de toiro na arena.

 

Enquanto que na corrida de toiros os prémios de ovação, volta, orelha, 2 orelhas, 2 orelhas e rabo, volta do toiro ou indulto do mesmo, se encontram não apenas perfeitamente regulamentados, entendidos e assimilados pelo público, com o Presidente da corrida a assumir a responsabilidade máxima pela sua concessão e os toureiros «disciplinados» para só de pois da manifestação popular se dirigirem à arena para agradecer esses mesmos prémios, o mesmo não sucede em Portugal.

 

Desde logo, Portugal é terra de uma festa “sui generis”, em que se lidam toiros embolados, em que existem forcados que os pegam de caras ou de cernelha, em que os destinados ao toureio a pé saem com as astes despontadas, onde não existe sorte de varas nem se mata o toiro no final, o Director de Corrida, vulgo Inteligente, tem o privilégio da concessão do prémio de volta á arena após petição popular.

 

Mas a verdade é que ainda o público não bateu palmas ao toureiro e já este está na arena a pedi-las para a tal volta. Mais comedidos são, na esmagadora maioria dos casos, os forcados, que até se recusam a algumas voltas à arena. Mas já repararam na quantidade de voltas à arena que a esmagadora maioria dos cavaleiros dão em cada lide? É uma depois de cada ferro, mais uma no final e outra ainda depois do toiro recolhido!!! Está tudo dito... Na verdade, se o público permite cinco voltas a cavalo à arena após cinco vulgares ferros, porque não há-de permitir mais uma volta de apoteose final, com ou sem forcado? E o director de corrida pode alguma vez opôr-se???

 

Por isso entendo que os toureiros, sejam eles quais forem e de que categoria forem, deviam ter um pouco mais de cuidado e usar de alguma moderação nessas voltas a cavalo após os ferros. O público vai à praça para se divertir e sentir emoções diferentes. Aplaude o que gosta, mas deve sentir que os toureiros também são exigentes consigo próprios e se recusam a dar voltas por dar voltas.