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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

C.T. VILAFRANQUESE; TODOS PRESENTES NA GALA DE PRÉMIOS

São já trinta anos de história na cidade terra mãe de toureiros. O jantar de entrega de prémios aos triunfadores da temporada 2013 na praça de toiros de Vila Franca e a sexta entrega dos prestigiados galardões José Falcão fizeram praticamente lotar a sala do restaurante do Lezíria Parque Hotel numa iniciativa do Clube taurino Vilafranquense há três décadas a promover os valores da festa brava na região e num ano especial em que foram destacados entre outros pelo circulo de amigos da dinastia Bienvenida e a academia Artes e Letras do Brasil. Paulo Silva, o popular Gadocha, presidente da colectividade desde há seis temporadas era um homem feliz nos agradecimentos, mas sentiu-se um discurso de despedida, visto em Março de 2014 haver eleições para nova direcção. Homenageou especialmente o trabalho do empresário taurino Ricardo Levezinho e o arrojo em acreditar no êxito da encerrona de António Telles, que foi decerto a corrida do ano. A classe e afición da santa casa da misericórdia local em ceder a praça por menos catorze mil euros anuais, compreendendo o momento do país e fazendo com que Vila Franca pudesse assim manter o elan de uma praça de toreria e não de cartéis vulgares, e assumiu pessoalmente os erros cometidos durante o seu mandato. Para o ano, quer voltar a ser apena o “Gadocha” mas chamou a atenção para uma efeméride especial para Vila Franca, que será decerto nota de destaque tauromáquico em eventos culturais: Os 40 anos sob a morte de José Falcão! Um nome ligado especialmente a este clube e à escola de toureio que leva o seu nome nesta cidade. Quanto aos galardões com o nome deste matador, lembrou que sempre distinguiram figuras especiais da festa e se para o ano se se mantiver a entrega tenham isso bem em conta na escolha dos galardoados. Foi pois um discurso quase de despedida, mas acreditamos que após o balanço destes seis anos os vilafranquenses não deixarão partir este grande aficionado e verdadeiro apaixonado pela festa e a sua cidade e o sururu na sala foi unânime de um…Fica por cá Gadocha!

 

            Antes da chamada dos triunfadores ao palco e com apresentação da gala a cargo do crítico Sérgio Perilhão houve discursos circunstanciais dos autarcas presentes: Mário Calado, presidente da junta da cidade e aficionado de solera afirmou que a freguesia que dirige não ficará indiferente e encarará com frontalidade o apoio às colectividades do concelho, especialmente ao clube taurino pela especificidade própria da região em que se insere e desejou que os nomes que receberam este prémio em 2013 o possam repetir, pois foi um ano extraordinário de triunfos na palha Blanco.

 

            Também o presidente da Câmara Alberto Mesquita se associou às palavras do seu opositor político mas companheiro e amigo na afición que partilham pela festa brava e comungou de uma parceria Câmara e Junta reforçada para desenvolver a tauromaquia no concelho e as parcerias com outras entidades para convidar turistas nacionais e estrangeiros a visitar o melhor de Vila Franca, numa verdadeira ponte cultural onde claro a tauromaquia é valor inestimável.

 

            Mostrando essa ponte cultural, este ano coube ao rancho dos varinos actuarem com os seus trajes e tradições musicais nesta gala. Longe vão os tempos em que vieram de Ovar para Vila Franca onde estão à muitas gerações e a castiça rua Luís de Camões ainda continua a ser conhecida com a rua dos varinos. Ao longo de meia hora viveu-se esse ambiente com dançarinos dos oito aos quase oitenta.

 

            Mas os momentos altos eram dos galardoados e intercalando a chamada ao palco com imagens de um DVD montado para esta ocasião, foi bonito ver que todos estiveram presentes, não se fazendo representar como em alguns casos acontece pelo país. É a nota de importância e de exigência a que este clube já tem demonstrado, não dar prémios por conveniência mas sim por mérito em praça. Prova disso foi ver o prémio deserto para melhor ganadaria apesar de alguns bons toiros saídos à arena.

 

            António Telles agradeceu especialmente este prémio à empresa por ter acreditado ainda mais que ele nesta encerrona a permear os seus 30 anos de cavaleiros de alternativa e o sentir-se tão a gosto numa noite mágica na praça da sua terra onde tudo se conjugou para um triunfo que jamais esquecerá e o poder compartilhar com Vítor Ribeiro o momento, pois é um cavaleiro e principalmente um homem especial como amigo dentro e fora da praça. Palavras que Vítor retribuiu ao receberem este prémio Ex équo e partilhando-o com o seu braço direito Flávio Miranda, pois os bastidores da festa são tão importantes como os momentos na praça.

 

            O matador de toiros António João Ferreira agradeceu aos que acreditaram em si, nas empresas da Moita e Vila Franca que o contrataram este ano e espera ainda mostrar mais valor em cada tarde ou cada noite na próxima temporada pois é um toureiro que tudo dá em praça e este prémio é prova da sua passagem numa corrida séria na Palha Blanco.

 

            E prova desse valor foi a ovação que distinguiu o forcado Pedro Viegas dos amadores de Alcochete, pela pega monumental efectuada a cinco de Maio a um toiro Palha. Um hino ao forcado que se estreou nos amadores de Salvaterra e se veio a consagrar às ordens de Vasco Pinto que o acompanhou no momento da entrega. Um prazer conseguir este feito em terra de grandes forcados…

 

            Pela terceira vez e decerto não será a última, foi a presença do bandarilheiro Cláudio Miguel nestas galas, protagonizando uma vez mais o melhor tércio de bandarilhas. O par em terrenos de compromisso a um toiro perigoso de canas Vigouroux fê-lo saudar de montera em mão sob uma das maiores ovações da corrida de matadores e já afirmou que para o ano quer voltar à praça onde se sente tão bem!

 

            Os quatro galardões José Falcão consagraram nomes especiais da nossa festa e Sérgio Perilhão foi exímio no resumo das vidas taurinas destes Senhores: Fernando Palha como Homem, Ganadeiro, Aficionado, Vilafranquense e Ribatejano encheu a sala com o seu carisma. Tal como José Samuel Lupi um nome de grande tradição como ganadeiro, forcado e cavaleiro que este ano completou os 50 anos de alternativa e apelou à união e importância das tertúlias e clubes taurinos na nossa festa e tanto ele como Fernando palha lembraram histórias passadas com José Falcão, em que a toreria e modéstia andaram sempre de mãos dadas. Também a festejar os 50 anos de matador de toiros Maestro Amadeu dos Anjos, agradeceu sumariamente esta distinção recordando-se os seus êxitos de novilheiro em Madrid e a alternativa das mãos de Paco Camiño em Salamanca com Cordobés como testemunha e as duas orelhas cortadas a um toiro Cunhal Patrício.

 

            A noite fechou com o momento emotivo das imagens de Nuno Carvalho “Mata” e o receber o galardão das mãos do presidente da Câmara Alberto Mesquita. Os agradecimentos, a força das palavras, a citação a Nelson Mandela, a volta à “arena” com todos de pé foi o culminar de uma noite festiva e onde muita gente do toiro marcou presença. Como diria La Féria, Grande Noite, Grande Noite!!

 

Texto de Paulo Beja, fotos de Alvaro Coelho

 

 

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