Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Anunciada como corrida de fecho de temporada no Campo Pequeno, a Corrida de Gala à antiga portuguesa que acabo de assistir pela RTP, confirma o que já é comum acontecer: - 'corrida de espectação... corrida de frustação'. Naturalmente que gostei mais da segunda parte que da primeira. Pelos toiros, pelos cavaleiros, pelas pegas... e sobretudo, pela envolvimento do público. Vitor Ribeiro esteve muitos metros acima da concorrência, e do astado que lhe coube em sorte. Aquele quarto curto, levantou a praça, e levantou a moral, penso de muita gente, com responsabilidades. Vitor Ribeiro teve uma lide onde jogou forte, mostrou saber entender ao que vem, e o que quer. O ano sabático de 2012, que se auto-impôs, pode bem ser o tempo de chamada para um salto na carreira. A pega à 2ª. tentativa, de Francisco Borges, do Grupo de Montemor, foi também a pega da noite. Era o quarto toiro da noite, e após este dois em um, Marcos Bastinhas, com uma lide algo nervosa, onde alguns viram denodo e muita garra, tudo fez e tentou, para igualar no patamar, mas não passou disso. Cumpriu, mereceu a música e os aplausos, mas não passou do trivial. Se emoção existiu, essa ficou por conta intervenção de João Torre Vaz Freire, do Grupo de Santarém. Valentia e alma, ou como se pode escolher o modo de sair de uma praça. Ou pela porta da frente, ou pela da enfermaria. Jacobo Botero é já um fenomeno. Pela história de vida, curta, mas de vontade, persistência e humildade, mas também, porque aliado a tudo isso, tem sabido aprender, e apreender, o que é lidar toiros a cavalo. Até na não cedência de 'mais um ferro', soube entender que é melhor sair em alta, que satisfazer uns pedidos, e sair atirando injustificadas justificações. Foi bonito e soube bem ver o menino tourear. Fechou as lides a cavalo numa gala onde os 'outros' eram da casa, com créditos já firmados, mas não desmereceu o lugar à mesa. João Romão Tavares, do Grupo de Montemor, fechando-se muito bem, e pegando à primeira, foi bom por duas boas razões:- mostrou a sua classe, e deu um alento de alma ao grupo.

 

Das lides de João Moura, Joaquim Bastinhas e Rui Salvador, o meu destaque vai para este último. Parecia o Rui Salvador de há vinte anos atrás, quando os dentes ainda conseguiam trincar carne colocada num assador com pouco lume. Aqui, nesta lide, tragou a que ele mesmo colocou. João Moura, que diz ter cavalos novos na quadra, e que agora está melhor montado, teve uma lide esforçada, para cumprir. Joaquim Bastinhas, com entrega e muito valor, foi igual a si mesmo. Uma dose forte de simpatia, e dois dedos de saber. Nas pegas, João Brito do Grupo de Santarém, à 1ª.e à córnea, rematou a lide do 1º., o novo cabo do Grupo de Montemor, António Vacas de Carvalho, só lá ficou à 4ª. no 2º., e João Góis, do Grupo de Santarém no 3º., apesar da valentia e saber, só resolveu a papeleta à 3ª. e em curto.

 

A Gala à antiga portuguesa, encerrou a temporada no Campo Pequeno, mas será interessante, talvez voltar ao tema, porque se pela televisão vamos recolhendo informação sobre o porquê do cortejo e personagens, quem está na praça, e não conhece a tradição, pode ficar deslumbrado pela cor, pelo ritual e pelo insólito, mas não tem como se esclarecer. E meia hora a ver uma coisa que não se entende, é como ir à ópera, sem libreto.

 

PS:- Não entendi porque o director não concedeu música na lide de Rui Salvador.

José Andrade