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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

PÓVOA DE VARZIM - 14 DE JULHO 2013 - TUDO FOI BOM... MENOS A DIRECÇÃO DA CORRIDA

15.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Foi anunciada como uma 'sensacional corrida de toiros. E foi mesmo uma sensacional corrida de toiros. Uma tarde de toiros para não esquecer. E não esquecer, por duas razões completamente opostas. Um rotundo êxito artístico. Dos cavaleiros, dos cavalos, dos peões de brega, dos dois grupos de forcados, dos toiros, no conjunto. Do público que compôs meia praça, e até do tempo, que esteve sem sol, mas com uma temperatura agradável. E claro, pela alegria, que foi em crescendo até ao final. E foi também uma tarde para não esquecer, aliás, convém até não deixar esquecer, marcar bem, pelo exercício de autoritarismo, ausência de sensibilidade artística e completa censura, do senhor director de corrida. E como asneira puxa asneira, para completar o ramalhete que vinha compondo, o senhor director, para além de mandar ás urtigas o que o público reclamava – negou música, merecida aos três cavaleiros - não se poupou em mandar identificar pela PSP, Diego Ventura. Um verdadeiro acto de gestão policial.

 

Assim, não!, Assim, não é dirigir, sob que pretexto for, um espectáculo. O exercício de autoridade, não pode ser confundido com arbitrariedade, censura e insensibilidade. Estou a exagerar. Gostava de estar. Infelizmente  não estou. E não estou, infelizmente, porque a meia praça que repetida e ruidosamente se manifestou perante o nepotismo do senhor director de corrida, ali esteve para o provar e comprovar. A corrida de toiros tem regras, infelizmente a sofrerem a falta de uma actualização já longa e penosa, mas isso não implica que quem tem de as aplicar, no tempo e no modo, seja uma ser 'cego, surdo' à realidade. Com direcções, ou directores de corrida assim, não são precisas mais inventonas dos anti-taurinos para afastar pessoas das praças. Com alguns directores de corrida que temos, isso é, são, suficientes. Felizmente ainda são só uma mão cheia, mas se a moda pega, adeus 'Olés' e 'boas vontades' no criar ambiente para empurrar a 'festa'.

 

Mas esta era a 4ª. Corrida dos Caçadores do Norte, em mais uma empenhada e bem orientada organização do Clube de Caçadores da Estela. O dinamismo, o trabalho e aficion de José Manuel Almeida, o presidente, e a sua equipa directiva, iriam estar mais uma vez à prova. E provaram, também mais uma vez, que esta foi uma iniciativa plena de êxito. Um êxito artístico, que nem a ausência de sensibilidade e falta de respeito pelo público, e porque não, também pelos intervenientes, por parte do senhor Francisco Calado, director de corrida, conseguiu esmorecer, ou estragar.

 

Sou, por principio e (de)formação social, muito condescendente com quem tem de dirigir, seja uma corrida de toiros, seja outra qualquer forma colectiva que exija mando, orientação e decisão. E se essa condução implica tomar orientações 'in momento', mais condescendo e entendo, desculpo. A Póvoa de Varzim, capital nortenha da tauromaquia, vai passar a contar no registo nacional dos grandes momentos da 'arte de bem tourear a cavalo'. Diego Ventura, Filipe Gonçalves e Rui Fernandes, mostraram porque mereceram serem as figuras escolhidas para abrir a temporada tauromáquica no Norte. As lides que imprimiram, entenderam e mostraram, ficam como marca. Também como marca, ficam todas as pegas a cargo dos dois Grupos de Forcados, o de Santarém e o de Alcochete, onde os enormes braços de Pedro Viegas, ao último da tarde, foi empolgante de saber e poder.

 

Na tarde de 14 de Julho, na Póvoa de Varzim, tudo foi bom... tão bom, que Diego Ventura vai voltar já no próximo dia 3 de Agosto, porque o público gostou,  e Ventura, agradecido, assim o confirmou.

 

José Andrade