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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Em Sanguinheira, não houve sangue. Desta vez, nem aqueles pândegos que se borrifam com tinta vermelha, comem bifes mal passados e dizem que gostam muito dos 'animais', nem esses, quiseram comparecer ao espectáculo. Não sabem o que perderam. Ana Batista, Alberto Conde e Manuel Ribeiro Telles Bastos na companhia do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, cada um a seu modo, lá brindaram a concorrência com uma simpática e agradável, salvo seja, boa jornada de promoção tauromáquica. Claro que tendo como opositores um curro de seis oponentes hastados da lavra do senhor Higino Sobral.

 

E porque existe sempre uma primeira vez. Sanguinheira, ali perto de Cantanhede, a dois passos da Figueira de Foz, e a outros tantos da conhecida praia de Mira, uma Freguesia com gente que gosta de toiros, foi também a oportunidade de, ao vivo e em directo, iniciar a minha época tauromáquica de 2013, depois de umas tantas corridas do outro lado do Atlântico, via TV, a que se somou o infindável e inqualificável castigo que foi a Isidrada. Se dos lados de Espanha se cumpria o provérbio, 'nem bom vento, nem bom casamento', em Sanguinheira, dando de barato toda a boa vontade que uma critica pode refletir, não houve vento, mas também não chegou a haver casamento. Este foi para mim, o resultado final, generoso, desta quente e ensolarada tarde de toiros.

 

Meia casa de público, e uns quantos aficionados, disposto a suportar os raios solares, com cerca de 30 graus, num espectáculo marcado e iniciado pelas cinco da tarde, ingredientes que devem merecer especial atenção de quem se dispõem, e aceita o desafio de ver o seu nome ser incluído no cartel actuante. E quando essa actuação é em primeira e provávelmente única por um ano, redobradas são, devem ser, os cuidados na apresentação e as responsabilidades dos que a isso se dispõem. Com os artistas intervenientes a demonstrarem, ou a mostrarem, que andam a montar com pouco empenho as suas cavalgaduras, o que os leva a penosos esforços de domínio durante as lides, coisa que nem os arames e outras artes que tais solucionam, na lide a cavalo, sobressaiu, pela regularidade, Manuel Ribeiro Telles Bastos. Alberto Conde, empenhado e esforçado, também esteve em alta, e merece muitas mais oportunidades. Ana Batista, não crendo que os 25 anos de carreira a tornem já uma 'respeitável matrona', compareceu mais titubeante, sem chama e sem domínio das montadas, uma prima-dona na arte de falhar cravagem a toda a prova. O Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, esteve muito bem, mesmo quando teve de repetir a tentativa de pega, fruto da 'primeira vez' de alguns dos moços a quem Pedro Maria Gomes, deu uma oportunidade de mostrar o que vale.

 

Dirigiu a corrida, com acerto e sem interferência inoportunas, o senhor Nuno Nery, assessorado pelo veterinário, dr. João Nobre.

 

José Andrade

 

Notas da Corrida em Sanguinheira – 30 Junho 2013   -  17horas

Direcção de Corrida – Nuno Nery

A. Técnico Veterinário – dr. João Nobre

 

Banda Filarmónica de Covões

 

Guardado um minuto de silêncio em memória de José Maria Cortes. Esqueceram-se de anunciar pelos altifalantes, tardou o público a entender o que se passava.

 

Ana Batista

        1º.-  nº. 61 - Dois ferros compridos, impreparados, após uma luta com a montada.

Quatro curtos, sem esmero, e com os mesmos problemas, como 4º. Ferro a só ficar à 3ª. Tentativa.

Um de palmo como remate, em jeito de desculpa.

 

Pegou à 1ª., com jeito e a jeito, Duarte Mira. Para quem fez a primeira pega, temos gente.

 

        2º.- 43, quarto da tarde, mais encorpado, os dois compridos deixados por Ana Batista, foram mais do mesmo, isto é, sofríveis.

Depois de 3 curtos cravados no chão, e algumas passagens em luta com o cavalo e o touro, deixou o quarto, rematando com um quinto, a mostrar que tinha vontade, mas não aconteceu.

 

Pegou, João Luz, com uma aplaudida e elogiada ajuda de Armando Nunes, que foi chamado e mereceu a volta a praça.

 

Alberto Conde

        No seu 1º.- segundo na ordem da tarde, nº. 69, Alberto Conde, colocou dois ferros compridos, num toiro que mostrava interesse em dar lide. Abriu a série dos curtos, com primeiro, dos 3 que deixou, mostrando que estava ali para apanhar uma oportunidade, numa lide de muito boa nota. Rematou também com um de palmo.

 

Pegou, à 1ª., João Varandas, que aguentou um desvio do toiro no momento da reunião.

 

        2º.- que foi o 5º-. da tarde, nº. 53, mostrou um Alberto Conde também em luta com o cavalo e em encontrar colocação para os ferros, algo que fez esfriar o ambiente criado na lide do seu primeiro. Deixou compridos, três, em jeito de emenda, e após mudança de montada, lá colocou a série de curtos, rematando já em tom de subida.

 

Pegou, Ricardo Mendes Pereira, à primeira.

 

 

Manuel Ribeiro Telles Bastos

        Soube iniciar a lide do seu primeiro, com o nº. 46, terceiro da tarde, um bom exemplar das pastagens de Montemor-o-Velho, com a boa colocação, na preparação e 'su sitio' na cravagem. Os dois bons ferros compridos iniciais, abriram caminho à colocação de quatro curtos, lide que mereceu música da Banda de Covões, pedida pelo público, e muito bem ordenada pelo director de corrida.

 

Pegou, com garbo e valentia, à 2ª. Tentativa, com um poderoso par de braços, António Cortesão.

 

        No seu 2º.- o sexto e último da tarde, com o nº. 66, mostrou uma boa lide, ainda melhor, na preparação e remate, que na primeira intervenção, mostrou um Manuel Telles Bastos, alegre, puxando pelo público, e sabendo entender o oponente, fechando assim a tarde ao som de música e forte animação do público.

 

Pegou, também à 2ª. Tentativa, mas sem qualquer desprimor, muito pelo contrário, Martin Lopes, que também empolgou a concorrência.

 

Espectáculo com cerca de 3 horas de duração. Sempre em bom ritmo, agradável.