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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

ANALISAR E CONTAR APENAS O QUE VIMOS E OUVIMOS…

05.06.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Tem sido um lema de sempre na minha postura. Só posso analisar e contar, por palavras ou de viva voz, aquilo a que assisti, que tive oportunidade de presenciar e vivenciar. Nunca aquilo que os outros me contaram, ainda que neles possa acreditar piamente. Quem escreve sobre um tema, analisando uma corrida de toiros por exemplo, tem de estar presente. Caso contrário corre o risco de escrever ou falar sobre o que lhe contaram e, como diz o adágio «quem conta um ponto…»

 

A postura, que entendo ser a mais correcta – e para mim única -, é estar no local, ver, tomar notas e analisar aquilo que se viveu, para posteriormente emitir opinião, analisando e passando ao papel as nossas sensações e impressões sobre o espectáculo. Como sempre, a opinião é subjectiva e pode prestar-se a várias interpretações mas, quem escreve ou fala sobre uma determinado acontecimento, se lá esteve, tem argumentos para esgrimir se for obrigado ao contraditório. Se não, é o diz que disse e a credibilidade é como fumo…

 

Sou absolutamente contra os «textos da Redacção» ainda que possam ser entendidos como necessários para dar algum corpo, por exemplo, a uma foto-reportagem. Mas sempre que se emite uma opinião, um juízo de valor, tem de lá estar escrito quem prestou a referida informação. Quem as presta deve dar a cara e poder ser confrontado com a informação prestada se não for a mais correcta ou para poder ser contraditada.

 

Ver para contar. Tem de ser um dos principais critérios para que haja alguma credibilidade naquilo que se faz. E com todas as partidarites que existem em torno de toureiros, de toiros, de forcados, etc, existirão sempre ouvidos que não escutaram o que não lhes interessa mas cujos olhos sempre encontram nas crónicas, análises, informações sobre esta ou aquela actuação, motivos para questionar e criticar.

 

E quando criticam e questionam sobre o que não ouviram ou não viram (porque muitas das  vezes lhes dá jeito), deviam dar a cara tal como nós o fazemos. Para mim, a caminho dos 50 anos e com quase 26 anos de crítica, é para o lado que durmo melhor. Vou às corridas ou a conferências de imprensa e palestras? Conto o vi e ouvi. Não vou? Pois também não conto. E aqueles que ao longo dos anos têm colaborado com o «Barreira de Sombra» também só contam o que viram nas arenas. Com os seus conhecimentos e as suas sensibilidades. Com a sua afición porque ninguém lhes paga.

 

Contamos o que vimos! Estivemos lá para ver, ouvir e contar!