Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

“CORRIDA – BREVE HISTÓRIA DA TAUROMAQIA EM PORTUGAL”, de Mascarenhas Barreto

11.02.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Esta é mais uma das obras que qualquer aficionado que se preze deve ter na sua biblioteca. Editada em 1970, em Lisboa e distribuída pela Agência Portuguesa de Revista, esta obra reúne importante informação histórica sobre a corrida de toiros e, em alguns dos seus capítulos abordam-se temas de extraordinária importância e actualidade. A páginas 192 deste livro escreveu o autor sobre o «Inteligente» e os Críticos. É o texto que a seguir se transcreve.

“O «INTELIGENTE» E OS CRÍTICOS


Chama-se «Inteligente» ao Director da Corrida, no sentido de ser ele quem entende, quem reúne experiência e sabedoria para conduzir a sequência das lides. Transmite, como se disse , as suas ordens por meio de toques de clarim, ou trompete, e por sinais convencionais que os toireiros compreendem.


Antigamente, escolhia-se, entre o público, uma pessoa conhecedora de toiros e entendida nas regras  de toirada para dirigir a Corrida. Mas, com a crescente afluência do público aficionado e consequente dificuldade na escolha do Director, foi decidido optar-se pela nomeação de profissionais.

Os entendidos sobre a arte e ciência tauromáquica que se dedicam à crítica das Corridas – os Críticos – e as analisam, quanto à qualidade dos toiros e à actuação dos toireiros, têm uma espinhosa missão a cumprir, se desejarem, como devem, desempenhar, justa e imparcialmente, a função de orientadores do público e preservar as regras fundamentais do toireio, em salvaguarda da pureza tradicional da «Festa Brava».


A Corrida é espectáculo, mas se se afastar dos princípios que a regem, transformar-se-á em variedade circense. Desde sempre se realizaram jogos taurinos, de formas acrobáticas e cómicas, como se lidaram toiros a cavalo, sem regras formais, num gesto que se nos merece o apodo de «cavalhada». Atrás se mencionou costumarem os «Rojoneadores» espanhóis dedicar-se a este género de espectáculo, indubitavelmente emocionante e alegre, mas desprovido da seriedade tradicional da toirada equestre portuguesa. Para tal tipo de lide, chegam a utilizar cavalos «especializados» em certas sortes, mudando de montada, conforme o efeito espectacular que pretendem obter. Justiça lhes seja feita, que não têm tradições equestres a respeitar e, alguns deles começam já a toirear a cavalo, segundo os preceitos por que se regem os Cavaleiros portugueses e até há toireiros mexicanos que vêm a Portugal para obter a sua Alternativa, na lide a cavalo. Não nos parece pois admissível que alguns críticos tauromáquicos teçam altos louvores à actuação de «Rojoneadores» espanhóis em confronto com a de Cavaleiros portugueses, quando os métodos das suas respectivas lides não têm o mesmo nível, sendo portanto inequivalentes.


Tal como o Director de Corrida, o CRÍTICO tauromáquico não pode deixar-se influenciar pelas reacções do público, muitas vezes precariamente informado das realidades taurinas. Tão pouco deve recear os protestos da massa espectadora, nem os hipotéticos desforços dos toireiros, cuja acção foi censurada pela crítica; ainda menos deixar-se subornar, com vista à projecção publicitária dum qualquer actuante- A sua divisa deverá ser «Doa a quem doer», seja qual for o artista; seja qual for a Ganadaria donde provenha o toiro lidado. Mas não recuse elogios a quem deles for merecedor, para além de quaisquer desentendimentos pessoais.

São os Críticos não só os mais influentes propagandistas da Toirada, entre os seus compatriotas, mas também os melhores iniciadores do público pré-aficionado. Para tal têm a Imprensa, a Rádio e a Televisão ao seu serviço. Bem hajam na sua difícil missão.”

 
In. “CORRIDA – BREVE HISTÓRIA DA TAUROMAQIA EM PORTUGAL”, de Mascarenhas Barreto, Agência Portuguesa de Revistas, 1970, Lisboa (pp.192-194)