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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

QUEM DEFENDE O FUTURO DA FESTA BRAVA?

10.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros “José Marques Simões” – Arruda dos Vinhos – 08.06.12

Director: Ricardo Pereira – Veterinário: José Manuel Lourenço – Lotação: ½ casa fraca

Cavaleiros: Maria Mira, Jacobo Botero

Forcados: Amadores de Arruda dos Vinhos

Espadas: João Rodrigues, Diogo Peseiro

Ganadaria: José Luis Cochicho

 

QUEM DEFENDE O FUTURO DA FESTA BRAVA?

 

Quando nos aproximámos das bilheteiras da praça de toiros de Arruda dos Vinhos, verificámos que havia alterações ao cartel inicialmente anunciado e, de acordo com o aviso da empresa Tauroleve, o regulamento taurino não permitia a actuação de tantos bezerristas e assim o espectáculo ficava amputado da lide de duas reses e dois dos jovens candidatos a toureiros não podiam actuar. Indescritível que num espectáculo de promoção de jovens estes sejam proibidos de o fazer formalmente por força de um regulamento sem sentido e que, depois do director de corrida e do veterinário abandonarem as respectivas cadeiras presidenciais, e de forma ilegal os mesmos jovens toureiros possam lidar as reses. Sinceramente é mau demais para ser verdade. Mas aconteceu!

 

A presença de público até foi agradável, com quase meia casa preenchida e com público participativo e que queria divertir-se. Mas que foi surpreendido também pela falta de capacidade da maioria dos jovens aspirantes a toureiros de lhes proporcionarem melhores actuações do que aquelas que foram capazes pois as reses de José Luis Cochicho serviram bem para se estar a gosto, excepção ao terceiro que foi mais reservado e de escasso recorrido.

 

Algo acelerada e sem grande acerto na cravagem da ferragem andou a jovem Maria Mira frente um erale de bos nota. Nos compridos esteve mais certeira que nos curtos que ficaram demasiado traseiros fruto de uma deficiente colocação do braço direito quando sai para a sorte; o ferro nunca pode andar por cima do pescoço e da cabeça do cavalo.

 

Jacobo Botero esteve melhor com os curtos, encontrando por duas vezes as distâncias e os terrenos mais adequados para deixar bons ferros que o público soube aplaudir.

 

Nas pegas estiveram os Forcados Amadores de Arruda dos Vinhos com Diogo Francisco a não reunir de forma ortodoxa mas a mostrar vontade para ficar na cara do erale e Luis Lourenço, de apenas 14 anos, a consumar com estilo e ao primeiro intento uma boa pega de caras ao segundo da noite.

 

Também não fiquei satisfeito com o toureio a pé, com os jovens a não aproveitarem as oportunidades, caso de João Rodrigues e de Diogo Peseiro. João Rodrigues esteve razoável no manejo do percal e seria nas bandarilhas que conseguiria os melhores momentos com três bons pares para e com a muleta nos mostrar um toureio ainda incipiente e comprometido muitas vezes por o erale se ficar curto e o jovem toureiro não ser capaz de lhe alargar a viagem. Aqui e além desenhou alguns muletazos de melhor nota.

 

Diogo Peseiro também esteve razoável com o capote e cravou dois pares de bandarilhas bons, deixando o outro par para o seu colega António Fernandes. O erale era repetidor e tinha qualidades que, a espaços, soube aproveitar pelo lado direito mas sem romper como se exigia.

Já sem director de corrida e veterinário e sem autoridade policial, portanto de forma ilegal porque não à porta fechada e o público havia pago bilhete para ver lidar seis reses que deveriamter sido lidadas pelos outros dois espadas e pelos cavaleiros, actuaram Leo Valdés e Pedro Cunha com o primeiro a mostrar a sua planta toureira, o seu bom gosto e conhecimento sacando bons lances de capote e uma faena de muleta com interesse, e o segundo a mostrar espaçadamente que tem vontade e que até é capaz de sacar uns quantos muletazos limpos e com sabor.

 

Dirigiu, sem rigor de tempos de lide, o antigo forcado Ricardo Pereira, assessorado pelo veterinário José Manuel Lourenço.