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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

31 ANOS É MUITO TEMPO… MUITOS DIAS, MUITAS HORAS

13.06.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

31 ANOS É MUITO TEMPO… MUITOS DIAS, MUITAS HORAS

europa fm 2.jpgCumprem-se nesta data 31 anos sobre a minha estreia na Rádio e consequente percurso na crítica tauromáquica até aos dias de hoje, passando por jornais (Nova Verdade, Correio da Manhã, Olé), revistas (Ruedo Ibérico, Contra Barreira), televisão (RTP, Sol e Toiros TV), internet nos precursores Tauromaquia Portuguesa on-line e Toiros&Cavalos e um conjunto bastante alargado de participações/colaborações em programas de diversas rádios às quais estavam ligados colega como o Eduardo Leonardo (grande mestre, infelizmente já desaparecido), Marcelo Mendes (RCA), Paulo Beja (Ribatejo, Marinhais e Popular FM), Catarina Bexiga (Voz de Alenquer), Joaquim Mesquita (Voz do Sorraia), uma episódica participação do sombra Sol da Voz de Lisboa da Renascença com Maurício vale e outra no Sol e Toiros da Antena Um com Virgílio Palma Fialho.

 

Acho que é um curriculum do qual me posso orgulhar, ainda para mais por ter conseguido um importante desiderato: o respeito dos profissionais da festa em todas as vertentes, granjeando muita amizades. Aprendi muito com os mais velhos porque nunca tive a veleidade de pensar que sabia tudo e menos ainda de não estar atento ao que diziam e faziam, em silêncio, até ao dia em que ousava perguntar o porquê de algumas coisas.

 

Fui aprendendo da tradição oral junto de gente ligada às diversas vertentes da Festa. Fui escutando comentários,

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ouvindo programas como o Sol e Toiros e o Clarin da RNE, vendo programas de televisão, assistindo a corridas por todo o País, Espanha e França. Vi actuações das maiores figuras de finais dos anos 70, e das décadas que se seguiram, até aos dias de hoje. Li jornais e revistas, portugueses e espanhóis, onde a temática taurina era abordada por pessoas que sabiam do que escreviam e que pouco se importavam se as suas apreciações das corridas incomodavam alguém. Mas havia nível na escrita, quer em termos técnicos que em português. Algo que hoje, infelizmente, e salvo raras excepções, não se verifica.

 

O que evoluímos na rapidez de acesso às ditas “fontes de informação” e à notícia na hora, regredimos nos outros aspectos: escreve-se mal e com poucos conhecimentos técnicos de toureio e do comportamento do toiro. Hoje vale quase tudo para dar nas vistas e permitem-se comentários nas redes sociais que demonstram o baixo nível a que isto chegou!

 

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 Não adianta querer estar na frente da corrida, liderar o pelotão, se, depois, não há estaleca para manter uma posição equidistante em relação a todos os intervenientes na festa; se não há capacidade para separar o trigo do joio; se as amizades e os negócios de impõem ao relato da verdade do que se passou na arena. Não apenas no que se escreve mas também no que são os registos fotográficos. Eu escrevo o que quero, o que me dá na real gana e coloco as fotos que eu escolho como mais aptas a retratar o que escrevi.

 

Nestes 31 anos nunca houve um patrocínio de um toureiro, de uma empresa taurina, o que fosse ao Barreira de Sombra. Esse é o preço da independência, da isenção. E sim, é verdade, sou um amador, um amante da festa brava que sobre ela escreve e fotografa. Não, não quero ser um profissional como muitos dos que por aí andam.

 

E volto a referir que o preço da independência e da isenção é elevado mas é o único que aceito!

 

António Lúcio

13/06/2018