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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

COLHIDAS, UM RITUAL DE RESPEITO...

03.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O mês de Junho está aí e ao virar da porta anuncia-se para Badajoz o regresso de José Tomás. Com pompa e circunstância e com inusitado interesse. Com o máximo respeito também como em todo o mundo taurino, e não apenas porque é um génio do toureio mas porque o respeito se ganha pela postura em frente ao toiro. Onde se arrisca a vida em cada momento e onde alguns, poucos, conseguem essa imortalizaçã porque, apesar de colhidos, continuam na arena «a matar ou a morrer» cumprindo a sua parte no ritual...

 

E muitas das vezes perguntamos porque é que o mesmo não acontece em Portugal? O público ri quando um toureiro é colhido, seja ele forcado, bandarilheiro ou matador. Onde é que está o respeito por quem arrisca a vida numa colhida? No caso dos cavaleiros, sucederam-se algumas quedas violentas nos dois últimos anos é verdade, mas felizmente que a colhida com consequências mais graves, transformada em cornada com derrame de sangue nunca aconteceu. Os cavalos também estão protegidos com as embolas nos cornos dos toiros e os toques podem suceder-se que, na maioria das vezes, não acontece nada.

 

Esta questão da verdade do toiro em pontas, com a sorte de varas e a morte do toiro na arena, pelo menos para o toureio a pé em Portugal, é essencial para que o público aprenda a respeitar o toureiro. Para que perceba que da simulação da verdade que é o toureio a pé em Portugal nada tem a ver com o que acontece no resto do Mundo taurino. Ainda que a colhida possa suceder – e já aconteceu várias vezes – e o sangue possa ser vertido pelo toureiro. Dir-me-ão alguns que sempre foi assim em Portugal. E que tivémos figuras, etc etc etc. Verdade. E por isso, também, nunca tivémos verdadeira expressão mundial no mercado do toureio a pé.

 

Mas se queremos respeito, que comece pela verdade histórica e pela manutenção de todo o ritual de acordo com os cânones. Ou seja, que os matadores o sejam na plenitude e que o toiro seja respeitado na sua plenitude, sem amputação das suas hastes, dando-lhe a possibilidade de brilhar na sorte de varas e a morte digna na arena ou o indulto se a sua bravura o justificar.

 

O toureio a cavalo, à portuguesa, só teria a ganhar com esta competição, de verdade, de cumprimento de um ritual milenar. Da vitória da inteligência do homem sobre a força bruta e nobre do animal. Da arte, efémera porque não repetível, do momento que faz suspirar os corações ou rebentar as mãos de tanto aplaudir, do enrouquecer da voz de tantos olés gritar.

 

E do grito em uníssono, único, irrepetível em qualquer outro espectáculo, de «Torero! Torero! Torero!».

 

A verdade, meus amigos, é que todos nós queremos ver, num determinado momento, alguém que seja capaz de transpor a linha que tranasforma algo de banal em momento único de magia. Que seja capaz de um gesto de genialidade e nos transporte para além da realidade, em êxtase. E quando é que isso acontece numa tourada à portuguesa???