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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

“O ÚLTIMO FERRO” – HENRIQUE C. DIAS

19.02.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Escolhi hoje este livro que contém 100 fotografias do grande cavaleiro que foi José Mestre Baptista, da autoria de Henrique Carvalho Dias, para homenagear nestes páginas as duas figuras. Baptista por tudo quanto representou, e ainda representa, na emoção do toureio frontal e ao pitón contrário, atestado pelo magnífico momento aqui retratado por Carvalho Dias, numa corrida em Albufeira a 10 de Abril de 1982. Que momento magnífico captou Carvalho Dias e que pena que os nossos toureiros não enveredem por este tipo de toureio. Mas, também é verdade, que Baptista só houve, este que por sinal nasceu em São Marcos do Campo a 30 de Maio de 1940 e que faleceu a 17 de Fevereiro de 1985 em Zafra (Espanha).

 

As palavras de Henrique Carvalho Dias, no único texto que este pequeno livro (apenas no tamanho) contém, são elucidativas do que os aficionados viam em Baptista.

 

“Mais do que palavras ficam aqui imagens vivas de um grande toureiro, de alguém que pelas arenas portuguesas passou como símbolo de arte e de valentia na nobre arte de caval­gar a toda a sela...

 

Jamais assomará sorridente,  à porta das quadrilhas.

A notícia abrupta do desenlace correu, na madrugada do passado dia 17 de Fevereiro... Um Fevereiro chuvoso e nevoento.

Em Zafra faleceu José Mestre Baptista, longe de casa, fora do seu País, mas singular­mente perto da terra onde nascera.

 

Parecia inacreditável! Um homem todo vida, desaparecer assim, de um momento para o outro! A triste realidade da morte... A asma que tanto o atormentava em vida foi o toiro que o vitimou, abafando o atormentado coração do toureiro que nos redondéis fora enorme e indomável.

A mais profunda tristeza, invadiu os amantes da tauromaquia, e não só, pois a sua imagem perdurará como figura inesquecível e popular, num caso raro a nível nacional, de um toureiro ser venerado fora do ambiente envolvente da Festa.

 

Recordo, com saudade, esses tempos, dos anos 60, quando competindo com João Nún­cio, montado no "Falcão" e no "Forcado", Baptista inaugurou um toureio diferente, todo feito de emoção e verdade. Entrava pêlos toiros dentro, ou citava de largo, quasi fazendo parar os corações de quantos o viam das bancadas, e, em delírio, lhe respondiam com as mais entusiásticas ovações.

 

Com Álvaro Domecq, travou grandes competições, obrigando o jinete de Jerez a animar--se e, por vezes, a apear-se e de muleta em punho acabar por lidar toiros, para assim, tapar actuações menos brilhantes. Foi contudo, com Luís Miguel da Veiga que formou, uma inte­ressante pare/ha toureando para cima de 500 tardes.

 

Todas estas razões e um conhecimento de perto do genial toureiro a quem me ligava uma enorme admiração e uma boa amizade justificam esta humilde homenagem. Registo assim neste pequeno livro, as imagens vivas do toureiro ilustre, fixadas pela minha objectiva em momentos significativos da sua carreira.

 

Saliento as suas últimas: O seu último ferro na Praça de Toiros de Évora a 6 de Outubro de 1984 que serve de título a esta brochura e a última ovação em vida - um plena praça, vestido de toureiro, numa triunfal volta à arena.

Descansai na paz de Deus,  meu bom e leal amigo

Henrique Carvalho Dias”