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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

“MÁRIO COELHO – DA PRATA AO OURO”

20.12.11 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Este é o título do livro apresentado ao público no dia 27 de Junho de 2005 na Fundação Mário Soares em Lisboa. Mas é também o tema de fundo com que o maestro vilafranquense nos brinda ao abrirmos o folheto que nos mostra a sua trajectória ao visitarmos a Casa Museu Mário Coelho em Vila Franca de Xira, na Travessa do Alecrim, número 5, junto à antiga Escola do Bacalhau, hoje Escola Àlvaro Guerra. Por isso, decidi, enquanto coordenador deste website, dar-vos a conhecer o texto que retrata parte da história de uma vida vivida intensamente.

 

“Percurso do Toureiro

Mais de 3000 toiros leva Mário Coelho lidados ao longo de uma carreira de 40 anos, onde actuou em 1427 corridas e mais de 200 Festivais de Beneficência. Foi há já meio século que a «Palha Blanco» em Vila Franca abriu as portas ao jovem amador Mário Coelho, numa Quinta-feira de Ascensão. Corria o ano de 1950. Imparável, Mário Coelho apresenta-se novamente em Vila Franca em 1955 prestando prova para bandarilheiro. Dá início, assim, a uma carreira que o iria guindar aos mais altos cumes do valor e da fama. O seu sonho começava a tomar forma: era já Profissional. A Praça do Sítio, na Nazaré, foi a escolhida para a Alternativa para Bandarilheiro, a 13 de Setembro de 1958.

 

«Em prata» iria dançar Mário Coelho alguns dos maiores e mais belos «solos» alguma vez dançados em todo o mundo, frente aos pitóns de um touro. O seu nome ía, aos poucos, alcançando os picos da fama e, em 1960 fixa-se em Espanha, de onde veio a cruzar mais fronteiras e a tornar-se ímpar em todas as arenas que pisava. (…)

 

O público português e estrangeiro ovacionava de pé sempre que o nosso herói lusitano empunhava as bandarilhas e iniciava nova dança rente aos pitóns de um touro. Na Monumental de Madrid saíram pombas brancas das bandarilhas mágicas de Mário Coelho. Ainda em Madrid, após 23 anos de silêncio, a música irrompeu durante um dos seus tércios de bandarilhas infringindo, assim a tradição que permite que a música só toque durante o paseíllo… A música explodiu em som, regida pelas bandarilhas do português Mário Coelho, para não mais tocar desde então.

 

Seis anos se escoaram durante os quais o nome de Portugal ia sendo levado em triunfo  dentro do mundo tauromáquico. Em praças engalanadas a bandeira portuguesa ia sendo hasteada em países como França, Espanha, Marrocos, Venezuela, Colômbia, Equador, México, Estados Unidos da América, Canadá, Angola, Moçambique…

 

… Mas uma vez na Plaza México o nosso estandarte não flutuava. Perante 60.000 aficionados Mário Coelho recusou pisar a arena enquanto no mastro não tremulasse uma velha bandeira verde/rubra, colocada às pressas, remendada e desbotada pelo sol azteca…

 

… Nem perdoou ao jornalista que, por lapso, se lhe referiu como andaluz… Às 4h da manhã Mário Coelho telefonava-lhe a corrigir: «Soy portugués, hombre! De Portugal y de Vila Franca». (…)

Episódios de patriotismo e episódios de humanidade, juntamente com valor e honestidade foram as notas dominantes do seu carácter.

 

Privou de perto e conviveu não só com os grandes vultos da tauromaquia mas também com os mais destacados vultos do mundo das Artes e das Letras como Picasso, Hemingway e Henri Papillon; com conhecidas vedetas e belíssimas mulheres como Ava Gardner, Audrey Hepburn, Deborah Kerr ou Capucine, e Mário Moreno (Cantiflas) ou Orson Welles.  Do seu círculo social também constam a realeza e a política como o Duque de Windsor e Lady Simpson, o Rei Humberto de Itália, Kubitechek de Oliveira, o Duque de Cádiz e o Presidente da República da Venezuela, Carlos Andrés Pérez.

 

Um toureiro é, por excelência, um herói que busca testes em que se prove. A carreira de Bandarilheiro já não proporcionava a Mário Coelho a execução de mais testes nem de mais desafios: era o número um. Era o melhor do Mundo. Tinha chegado ao cume, ao ponto mais alto, mas isso não lhe bastava. Ainda havia mais a provar, ainda havia muito por cumprir. Havia por cumprir um sonho de menino de se vestir de oiro.

O público também o incitava a mais.

 

Então, em 1967, Mário Coelho toma a Alternativa de Matador de Toiros em Badajoz das mãos de Júlio Aparício e com o testemunho de «El Pireo». Confirma a alternativa na Monumental de México em 1975 e na Monumental de Madrid em1982.

 

Cumpriu-se o sonho.

 

Mas não guardou ciosamente para si todo o mérito e conhecimentos.  Facultou-os a jovens que, como ele um dia, ambicionaram vir a pisar uma arena e são hoje figuras do toureio. Jovens de todo o mundo se contam entre nomes como Rui Bento Vasques, Pedrito de Portugal, Eduardo Oliveira, Pepe Luis Nuñez, Oscar San Roman, Adolfo Rojas, Mário Coelho Júnior e os bandarilheiros João José, Pedro Santos e Rui Plácido, apenas para mencionar alguns de muitos.

 

Famoso, elegante, pleno de vitalidade, rico de nome e de sabedoria, o Maestro Lusitano, tal como Camões, ansiou pela «ditosa pátria», sua amada, depois de ter escrito em diáspora, com temple e com o seu próprio sangue, o nome de Portugal e de Vila Franca, à qual tornou com «esta empresa já acabada».

 

Em 1990 chorou a música no Campo Pequeno ao cortar, para sempre, a coleta.”

 

In, Folheto da Casa Museu Mário Coelho

 PRINCIPAIS TROFÉUS E PRÉMIOS – MÁRIO COELHO

 

·         Troféu Diário Ilustrado – 1962

·         Troféu Jornal Acutalidade – 1963

·         Troféu Casa Paco – Feira de Santo Isidro – Madrid 1964

  • Troféu Joselito – Barcelona - 1964
  • Troféu Grupo Tauromáquico Sector 1 – 1964, 1965, 1979
  • Troféu Mayte – Feira de Santo Isidro – Madrid 1965
  • Troféu Casa Córdoba – Feira de Santo Isidro – Madrid 1965
  • Troféu Feira de Zamora – 1965
  • Troféu Feira de Vitória – 1965, 1966
  • Troféu Feira de Santander – 1965, 1967
  • Troféu Feira de Málaga – 1966
  • Troféu Feira de San Sebastian – 1966
  • Troféu Feira de Pamplona – 1966
  • Troféu Feira de Jerez de la Frontera – 1967
  • Prémio Especial Vista Alegre – Madrid – 1968, 1972
  • Troféu jornal Hoopstad – 1971
  • Troféu Casa Armindo – 1971
  • Troféu Feira de Coro – Venezuela – 1971
  • Troféu Cacique de Ouro – Maracay – Venezuela – 1972
  • Troféu Melhor Faena – Barquisimeto – Venezuela – 1972
  • Prémio Imprensa – 1972
  • Troféu Melhor Faena – Maracay – Venezuela – 1972, 1973
  • Troféu Melhor Par de Bandarilhas – Barquisimeto – Venezuela – 1973
  • Troféu Manuel dos Santos – Moita do Ribatejo – 1975, 1984
  • Troféu Sombrero de Plata – Monumental de México – 1976
  • Troféu Lark – Equador – 1976, 1977
  • Troféu Feira de Tuxpan – México – 1976, 1977
  • Troféu Nogales – México – 1976, 1978
  • Troféu Município de Riobamba – Equador – 1977
  • Troféu Rádio Voz taurina de Portugal – 1977
  • Troféu Domecq – Monumental de México – 1979
  • Troféu Daniel do Nascimento – Moita do Raibatejo – 1979, 1984
  • Troféu Rádio Comercial – 1979, 1987
  • Troféu Texcoco – Feira de Texcoco, México – 1981
  • Troféu Tertúlia Festa Brava - 1984