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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

ANÁLISE DA TEMPORADA 2011 DO «BARREIRA DE SOMBRA»

08.11.11 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

A temporada 2011 do «Barreira de Sombra», o programa de tauromaquia da Oásis FM 106.4, centrou-se sobretudo nas corridas realizadas num raio de 50/60 quilómetros em redor de Lisboa, indo ao encontro dos interesses locais e regionais e tentanto efectuar uma cobertura razoável dos espectáculos realizados nesta região, atendendo também à necessidade de diminuir os custos de produção de cada programa.

 

Por isso mantivémos quase o mesmo número de espectáculos presenciados ao vivo que em 2010, com uma ligeira descida como mais adiante se verá. A crise toca a todos e o «Barreira de Sombra», que vive orgulhosamente sem apoios publicitários de toureiros e de empresas, sem publicidade que não a da própria estação emissora, tem a noção de que a sua área de influência e de cobertura geográfica de emissão se situa num raio de 100kms e com orçamento zero sabe também quais são as suas limitações financeiras. Independentemente disso, continuamos a acompanhar muitos dos grandes momentos da temporada portuguesa.

 

Como referido, ainda que diminuindo ligeiramente o número de espectáculos assistidos ao vivo em praça, estivémos nos grandes acontecimentos de Lisboa, Montijo, Santarém, Vila Franca e marcámos presença na reinaugurada praça de toiros “Carlos Relvas” em Setúbal e na reinauguração da praça de toiros de Azambuja, agora baptizada com o nome do Dr. Ortigão Costa, conduzindo toda a cerimónia de reinaguração.

 

Em termos de presenças de público – assistentes em praça – registámos algumas lotações esgotadas (Campo Pequeno) e outras lotações muito boas, sempre em corridas à portuguesa e com as denominadas máximas figuras. Os mais novos continuam a não conseguir fazer deslocar o grande público e os aficionados às praças, sinal que deve merecer de toureiros e apoderados uma séria reflexão com vista ao futuro.

 

TIPOLOGIA DE ESPECTÁCULOS

 

Tal como em anos anteriores, dividimos o tipo de espectáculos de acordo com o preceituado no Regulamento do Espectáculo Tauromáquico português em vigor, acrescentando o item de «toiros de morte» por termos assistido a espectáculos em Espanha. Mais de metade dos espectáculos foram corridas à portuguesa, só com cavaleiros e forcados, seguidas pelas corridas mistas e pelos festivais, conforme quadro que apresentamos de seguida.

 

TIPO DE ESPECTÁCULOS

 

Corridas à Portuguesa

30

57,69%

Corridas Mistas

10

19,23%

Corridas só c/ Matadores

1

1,92%

Novilhadas

1

1,92%

Festivais

6

11,54%

Variedades Taurinas

2

3,85%

Toiros de Morte

1

1,92%

Outros Espectáculos

1

1,92%

    

 

Os empresários continuam a apostar na corrida dita à portuguesa, com cavaleiros e forcados, garantia em muitos casos de melhores presenças de público. No que concerne às corridas mistas, com toureio a cavalo e a pé, a presença do público pode ser interessante em algumas delas mas abaixo das expectativas dos empresários. É preciso semear para colher mas, em tempos de crise, a aposta é pelo aparentemente mais segur.

 

Nestes espectáculos foram lidados 323 toiros e novilhos de 49 ganadarias, 5 delas espanholas, sendo que no toureio a pé se lidaram 72 reses e a cavalo 251. Tentámos privilegiar os espectáculos com toureio a pé, desde a aula prática do Encontro Internacional de Escolas de Toureio no Campo Pequeno, às corridas mistas e festivais com toureio a pé. Com a pouca expressão que os empresários dão a este tipo de espectáculo, é nossa obrigação acompanhar o maior número possível destes espectáculos e em especial aqueles em que actuam jovens toureiros.

 

 

PRAÇAS DE TOIROS – TOTAL DE ESPECTÁCULOS PRESENCIADOS

 

Mantivémos sensivelmente o mesmo número de praças onde asistimos presencialmente a espectáculos tauromáquicos em 2011 e em 4 casos vimos os espectáculos na íntegra através das televisões. Foram os casos de Nazaré, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim e Évora, deles tendo feito as respectivas crónicas.

 

Em muitas praças houve corridas de muito bom nível, algumas lotações esgotadas e outras de casa quase cheia, mas também corridas de escassa adesão popular. E a culpa não é ou foi apenas da crise.

 

A forte presença das televisões RTP e TVI permitiu levar o espectáculo a muitos lares e mostrar a grandiosidade do espectáculo tauromáquico. Em termos de audiências, e se atentarmos nos números que a empresa do Campo Pequeno divulgou, elas atingiram  mínimos acima dos 350 mil espectadores e máximos na casa dos 600 mil.

 

Tendo em conta as lotações aparentes, daquilo que a nossa expeiência também nos ensinou, podemos afirmar que a média de espectadores das corridas onde estivemos presentes rondou os 2963 espectadores, que a melhor média foi a de Santarém com 5833 presenças e a pior média foi a do Redondo com 700 espectadores.

 

Os cinco primeiros lugares da nossa classificação de praças de toiros ficaram organizados da seguinte forma:

 

Praças de toiros e Espectáculos

Praça

Total Espectáculos

%

Campo Pequeno

12

23,07%

Vila Franca de Xira

6

11,54%

Montijo

5

9,61%

Sobral M. Agraço

4

7,69%

Arruda dos Vinhos

3

5,77%

Santarém

3

5,77%

 

Se distribuirmos os espectáculos por categorias, teremos a seguinte distribuição para cada uma das praças de toiros:

 

  1. Campo Pequeno
    1. Corridas à portuguesa . 6
    2. Corridas mistas ............. 3
    3. Novilhadas .................. 1
    4. Festivais ....................... 1
    5. Outros espectáculos .. 1

 

  1. Vila Franca de Xira
    1. Corridas à portuguesa . 3
    2. Corridas mistas ............. 1
    3. Só matadores ................ 1
    4. Variedades taurinas ...... 1

 

  1. Montijo
    1. Corridas à portuguesa . 3
    2. Corridas mistas ............. 1
    3. Variedades taurinas ...... 1

 

  1. Sobral de Monte Agraço
    1. Corridas à portuguesa . 3
    2. Festivais ......................... 1

 

  1. Arruda dos Vinhos
    1. Corridas à portuguesa . 1
    2. Corridas mistas ............. 1
    3. Festivais ......................... 1

 

  1. Santarém
    1. Corridas à portuguesa . 3

 

 

Mas o «Barreira de Sombra» marcou presença em muitas mais praças de toiros. A saber:

 

Praças de toiros e Espectáculos

Praça

Espectáculos

Azambuja

2

Tomar

2

Alcochete

1

Caldas da Rainha

1

Caneças

1

Évora (RTP)

1

Figueira da Foz (RTP)

1

Foz do Sizandro

1

Lourinhã

1

Malveira

1

Moita

1

Mourão

1

Nazaré (RTP)

1

Póvoa de Varzim (RTP)

1

Redondo

1

Setúbal

1

Villanueva del Fresno (*)

1

 

(*) alternativa de Nuno Casquinha

 

 

CAVALEIROS DE ALTERNATIVA E REJONEADORES

 

Em 2011 vimos em actuações em praças nacionais um total de 34 cavaleiros e rejoneadores e estivémos presentes nas alternativas de Marcelo Mendes (Vila Franca de Xira) e Tomás Pinto (Santarém). Em termos de actuações e do mérito que tiveam elas foram do 8 ao 80, com grandes lides e momentos verdadeiramente maus para o toureio, daqueles que ninguém já tem paciência para ver.

 

Importa, contudo, destacar um conjunto de toureiros que, apesar da sua veterania continua a dar cartas e alguns jovens que marcaram muito positivamente a temporada com grandes actuações. E destes, Moura Caetano e Duarte Pinto foram talvez os que mais se destacaram, cada um com conceitos bem definidos de toureio, a imporem-se aos poucos mas com segurança e arriscando como lhes compete para garantirem um dos primeiros lugares da grelha de partida, permita-se-me a analogia com as corridas de automóveis.

 

Rui Fernandes conseguiu, finalmente, uma grande temporada em Portugal e Manuel Telles Bastos mostrou-se em clara ascensão de forma dentro do mais puro estilo clássico. Vítor Ribeiro somou algumas boas actuações com outras menos conseguidas como aconteceu com quase todos os seus colegas que vimos actuar em 2011. A veterania de Moura e de Bastinhas, por exemplo, permitem-lhes continuar nos lugares cimeiros com uma raça e entrega como é também apanágio de Rui Salvador, ou de João Salgueiro capaz de rasgos de genialidade. Marcos Bastinhas e Marcelos Mendes tiveram uma temporada de alguma indefinição no conceito de lide e no esquematizar da mesma enquanto que o clássico dos clássicos António Telles voltou, um ano mais, a mostrar todo o poder e classe do seu toureio e a sua enorme capacidade de lidador e Luis Rouxinol continuou nos lugares cimeiros com a habitual entrega e vontade de vencer todos os obstáculos com entrega e verdade.

 

Dividimos a nossa classificação da temporada em três grandes grupos: aqueles a quem vimos lidar 10 ou mais reses; os que lidaram menos de 10 e mais de 5 e, no terceiro grupo os restantes.

 

Cavaleiros de Alternativa e Rejoneadores

Cavaleiro

Actuações

Toiros

Luis Rouxinol

10

17

Rui Salvador

10

16

António Telles

9

15

João Moura

8

15

Manuel T.Bastos

10

24

Vítor Ribeiro

8

12

Marcos Bastinhas

9

11

Marcelo Mendes

7

11

Joaquim Bastinhas

7

10

Rui Fernandes

5

10

 

O segundo lote é encabeçado por João Salgueiro, de quem já falamos acima. Neste grupo incluem-se toureiros que mantém o interesse como Sónia Matias, Ana Batista, João Telles Jr, Brito Paes, Pedro Salvador e Manuel Lupi; outros que foram revelações como Filipe Gonçalves ou Tomás Pinto e Francisco Palha em clara ascensão de forma; Tiago Carreiras que não convenceu e Diego Ventura que tem de jogar mais forte e com outros toiros se quer que os seus triunfos tenham verdadeiro peso.

Cavaleiros de Alternativa e Rejoneadores

Cavaleiro

Actuações

Toiros

João Salgueiro

5

9

João Telles Jr

5

8

Sónia Matias

5

8

Diego Ventura

4

8

Duarte Pinto

6

7

Moura Caetano

5

7

Ana Batista

4

6

Tiago Carreiras

4

6

Filipe Gonçalves

4

5

Francisco Palha

4

5

Tomás Pinto

4

5

Brito Paes

3

5

Manuel Lupi

3

5

Pedro Salvador

3

5

 

Dos restantes cavaleiros que vimos actuar, não podemos deixar de saudar o regresso ás lides de Alberto Conde (em Caneças). Aqui fica lista dos que vimos lidar menos de 5 reses em 2011.

 

Cavaleiros de Alternativa e Rejoneadores

Cavaleiro

Actuações

Toiros

João Moura Jr

2

4

Gilberto Filipe

2

3

Tito Semedo

2

2

Alberto Conde

1

2

Alvarito Bronze

1

1

Fermin Bohórquez

1

1

Francisco Cortes

1

1

João Cerejo

1

1

Marco José

1

1

Tiago Martins

1

1

 

No capítulo dos cavaleiros praticantes e amadores, não foram muitos os espectáculos que presenciássemos em que participassem elementos destas categorias. Salgueiro da Costa foi o mais destacdo em termos de reses lidadas. Nos amadores, destaque para David Gomes, com uma grande actuação na Malveira.

 

Cavaleiros Praticantes

Cavaleiro

Actuações

Toiros

Salgueiro da Costa

3

5

Mateus Prieto

2

2

Paulo d’Azambuja

2

2

Ana Rita

1

1

João Maria Branco

1

1

Joaquim Guerra

1

1

 

Cavaleiros Amadores

Cavaleiro

Actuações

Toiros

David Gomes

2

2

Miguel Moura

1

1

Mário Ferreira

1

1

Duarte Alegrete

1

1

 

 

GRUPOS DE FORCADOS AMADORES

 

Num momento em que proliferam inúmeros Grupos de Forcados e, por consequência, alguns deles sem um número mínimo de espectáculos que possam garantir a coesão e capacidade de resposta perante maiores dificuldades criadas pelo toiro, continuam a ser estes rapazes do barrete verde, cinta vermelha, jaqueta de ramagens, a fazerem valer muitas idas do grande público às corridas de toiros.

 

Este ano voltámos a assistir a enormes pegas de caras e sempre por elementos experientes e dos mais destacados dos grupos de primeiro plano. Destaque maior, na nossa opinião, para a enorme pega de caras de Pedro Castelo no quarto toiro da noite de 30 de Setembro em Vila Franca de Xira, um duro Coimbra, que proporcionou a que consideramos a pega do ano, nas que vimos (como parece óbvio).

 

Na frente do nosso escalafón voltaram a ficar os Grupos de Santarém, Vila Franca, Alcochete, e Aposento da Moita, entrando para o «top-dez» Chamusca, Tomar, Lisboa, Coruche, Azambuja e Montemor. Vimos actuar 32 agrupamentos, conforme quadro que se segue.

 

Grupo de Forcados

Corridas

Toiros

Santarém

8

23

Vila Franca

8

23

Alcochete

7

20

Apos. Moita

7

19

Chamusca

6

15

Tomar

4

13

Lisboa

5

12

Coruche

4

10

Azambuja

3

10

Montemor

3

8

Redondo

3

8

Arruda dos Vinhos

4

7

Apos. Chamusca

3

7

Montijo

3

7

ABV Alcochete

3

6

Alenquer

3

6

Évora

2

6

T.T.Terceirense

2

6

Caldas da Rainha

2

5

Cascais

2

5

Monsaraz

2

5

Ribatejo

2

4

Turlock

2

4

Amigos da Abrigo

1

4

Moita

2

3

Povoa S. Miguel

1

3

Académicos de Elvas

1

2

Arronches

1

2

Coimbra

1

2

São Manços

1

2

Juv Vila Franca

1

1

Selecção Bandarilheiros

1

1