FESTIVAIS DE MOURÃO ADIADOS PARA 21 E 22 DE FEVEREIRO

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A tauromaquia vive de sentimentos, de emoções, de momentos únicos que nos fazem deslocar corrida a corrida, dia a dia, em busca de algo diferente, imprevisível. E quando deixa de ser imprevisível, a magia deixa de acontecer e torna-se banal. Ou seja, na arte tudo o que é previsível carece de um conjunto de factores que a tornam única.
O improviso frente ao toiro, seja a cavalo seja a pé, é um dos factores-chave para o despertar dos sentimentos e das emoções. Como aquele golpe de génio que, não raras vezes acontece. Aquele receber o toiro na espádua da mão direita do cavalo e o cravar ao estribo após uma forte investida do toiro, ou aquele lance de capote ou passe de muleta que parecem não ter fim por serem tão ao ralenti… Ou aquela pega em que o toiro investe e derrota com violência e o forcado se fecha com raça e determinação.
Ah, e aqueles momentos em que o público se levanta dos seus lugares como que impulsionados por uma mola… Pois isto é a imprevisibilidade a funcionar e a dar alma à festa brava.
Por isso precisamos de gestos que marquem a diferença. De competição a sério. De rasgos de genialidade e de improviso. Algo que nos faça o coração parar e gritar olés…
Vamos ver o que nos trará esta temporada de 2026.
António Lúcio

Com quase 21 anos de distância a separar-nos da data com que inicialmente foi escrito e pensado, este texto que se segue continua de uma actualidade incrível, mais ainda quando falta massa crítica e capacidade para entenderem aquilo que muitas vezes escrevemos sobre a temática taurina, nomeadamente nas análises aos espectáculos a que assistimos. E por isso também a razão para agora, acompanharmos um número bem inferior ao de então, no que a espectáculos taurinos diz respeito.
Este texto que foi elaborado em 2005 para o Colóquio organizado pela Associação Grupo de Forcados Amadores de Caldas da Rainha “O Futuro da Festa – A Verdade do Toiro” – Caldas da Rainha, 5 de Fevereiro de 2005, e intitulado “O papel da crítica enquanto contributo positivo para a festa”.
Criticar não é o acto de dizer mal; bem pelo contrário: criticar é um exercício mental e de escrita que põe em evidência o que de bem foi realizado e, por contraposição, se aponta o que de mal foi executado, aduzindo-lhe os critérios de análise técnico-artísticos, e sabendo colocar o acento tónico na valorização do bem feito. Nunca deverá o crítico tornar-se desagradável nas posições assumidas, mas tentar mostrar o que na realidade se passou na praça, frente ao toiro.
Muitos críticos esquecem, e os ditos aficionados também, que só o facto de um artista, a cavalo ou a pé, matador ou forcado, bandarilheiro ou cavaleiro, se colocar frente ao toiro, já é um facto digno de crédito. Depois, se souber fazer as coisas bem feitas no seu mester, se juntar a técnica à arte, então tudo será mais belo e mais difícil também de descrever. Por isso os aficionados falam, muitos anos depois, daquela faena ou lide deste artista, da pega deste ou daquele forcado, deste ou daquele toiro famoso de uma ganadaria. Por isso se correm muitos milhares de quilómetros atrás de um toureiro.
A este propósito o Dr. Joaquim Grave, no seu livro “Bravo!”, escreveu o seguinte:
“Com efeito, a prática responsável da crítica exige certos requisitos, sem os quais essa crítica perde rigor e credibilidade. Em primeiro lugar há que ter um conhecimento histórico do tema em questão. (…)
Depois, deve possuir um conhecimento técnico, isto é, deve saber como se executa a obra sobre a qual vai emitir opinião. Esta premissa no toureio é de grande importância. Ajuda imenso ter-se visto a Festa «lá de baixo», onde a condição humana dos toureiros é mais real. Deve igualmente possuir um conhecimento teórico, ou seja, ter uma ideia do que representa a actividade ou a obra criticada, em si mesma, ou em relação com a vida humana.
Um dos maiores encantos das corridas de toiros é que, sendo o toureio uma ocupação silenciosa dá, contudo muito que falar… (…)
Quem sabe mais de toiros e de toureio, o que estuda e revolve crónicas e dados de um passado toureiramente morto ou o que viu mais tourear? Eu diria que o que mais viu tourear, mas sabendo ver. Quero dizer, sabendo tomar-lhe o gosto, o sabor ao que vê, ao que observa. Porque ver, só por ver, pouco adianta. Aquele que observa e critica, deve, do mesmo modo que o toureiro, ver claro. Este, se não vê claro o que tem pela frente não pode tourear, ou toureia mal, que é como se não toureasse. (…)
No meio disto tudo, só há um que tem o direito de não ver claro, é o toiro. (…)
No toureio tudo é verdade e tudo é mentir. Não quero com isto dizer que não se deva ser exigente. A exigência nasce do conhecimento e é salutar, mas a intransigência é filha do desconhecimento. A intolerância acaba sempre por ser contraditória. (…)“
Ser crítico taurino ou cronista taurino em Portugal não é muito diferente de o ser em qualquer outro País onde se realizem espectáculos taurinos. A diferença advém da importância concedida ao próprio espectáculo na sua aceitação nacional e na segmentação efectuada nos respectivos órgãos de comunicação social. Ou seja, os métodos serão idênticos porque reflectem tratamento e análise, ou apenas um breve sumário, em termos jornalísticos. Portugal, país sui generis na sua tauromaquia, também o é em termos de tratamento do crítico, analista, cronista, jornalista taurino.
Em Portugal não existe uma escola de jornalismo taurino. Cada um aprendeu à sua custa, movido pela sua afición e com ajuda da sua formação académica. Alguns dos críticos taurinos, nos quais me incluo, também passaram pelas arenas, aprendendo a conhecer e a sentir de outra forma os terrenos em que se movimentam. Se nos anos 50, 60 existiam brilhantes cronistas taurinos, Manuel Azambuja, Leopoldo Saraiva, Paco Camilo, Samuel Reis e tantos outros são grandes referências assim como os jornais de então, ao lado da então Emissora Nacional e da Radiotelevisão Portuguesa, se existiam muitos meios de comunicação com páginas dedicadas à tauromaquia, garantidamente foi nos anos 70 e 80 que se forjou a maioria dos actuais críticos taurinos. Recordo-me que, bem miúdo, ficava sempre atento às transmissões directas do exterior – as nocturnas do Campo Pequeno – e ao Sol e Toiros na rádio. Nesses anos outros nomes aparecem no pequeno ecran e os programas voltam, de novo, a cativar-nos. Francisco Morgado, Maurício Vale, Eduardo Leonardo, Virgílio Palma Fialho, são nomes que nos influenciaram.
Em Portugal, país pequeno em tudo ou quase tudo, onde é quase delito ter opinião, especialmente se formos contra o status quo de alguns artistas e empresários que se acham intocáveis – ficamos à porta e temos de pagar bilhete se quisermos ver o espectáculo! – o crítico taurino não tem o seu papel facilitado. Os órgãos de comunicação social tratam o tema taurino como um parente pobre, dedicando-lhe o menos espaço possível porque não é politicamente correcto dar muito destaque pela positiva aos toiros.
Os empresários reconheceram, na altura, mérito aos críticos taurinos regionais e locais pelo seu trabalho desenvolvido em prol da Festa Brava. Penso que será de elogiar esta mudança de atitude, mas a verdade é que ela não foi assim enquanto houve programas de índole nacional na Rádio e TV. Alguns toureiros e ganadeiros apostam, finalmente, em dar-se a conhecer, a promover a sua imagem nos mais diversos meios de comunicação, o que apraz registar. O nosso trabalho é um trabalho de grande persistência e de enorme aficion, que não restem dúvidas.
António Lúcio, Fevereiro de 2005/Janeiro 2026

Obrigado pelo apoio de sempre.
Um abraço,
João Salgueiro

A Tertúlia Berço da Tauromaquia de Abiul promove, no próximo dia 24 de janeiro, pelas 18h00, na Sede da Tertúlia, a Gala de Entrega de Troféus da Feira Taurina de Abiul 2025, um momento de reconhecimento e celebração dos principais triunfadores da última edição da Feira Taurina.
A cerimónia pretende valorizar o trabalho desenvolvido ao longo da Feira Taurina de 2025, distinguindo aqueles que mais se destacaram, num ambiente de convívio e de exaltação da tradição tauromáquica que faz parte da identidade cultural de Abiul.
Serão homenageados como triunfadores Duarte Fernandes, a Ganadaria Varela Crujo e o Grupo de Forcados Amadores Académicos de Coimbra, numa gala que reunirá associados, convidados, entidades locais e amantes da tauromaquia.
A Gala será seguida de um jantar de confraternização, reforçando o espírito de união e partilha que caracteriza a atividade da Tertúlia Berço da Tauromaquia de Abiul ao longo do ano.

E estamos a menos de um mês de iniciar uma nova temporada taurina, que no nosso caso será, apenas, a 39ª! Pois é, uma idade considerável e se há 20/30 anos colocava a fasquia muito elevada em cada novo ano, em cada início de temporada. agora, como passar do tempo, faço votos apenas de que possam existir algumas corridas de toiros que me despertem interesse e me façam sair de casa, percorrer quilómetros, tirar umas fotos, partilhar alguns momentos com pessoas de quem gosto genuinamente e seo resultado final for bom, tanto melhor.
O Barreira de Sombra tem sido ao longo dos anos um espelho daquilo que vejo e sinto em cada corrida, em cada espectáculo. E se passei de mais de 70 por ano a cerca de 1/3 deste valor por algo será. Se calhar porque estou a ficar velho e cansado e porque ás vezes me custa pensar no percurso de regresso a casa, nos longos quilómetros a percorrer.
Mas também é verdade que, como em tudo, existem ciclos para cima e para baixo e que condicionam, de certa forma, a avidez pelo espectáculo. Cristiano Ronaldo só há um e nos toiros é idêntico. Depois de José Tomás, quem? Não podemos estar á espera que surja,m fenómenos todos os dias mas... temos de ser mais exigentes quer com os toureiros quer com as empresas.
Nos meus tempos de adolescente davam-se dezenas de espectáculos de variedades taurinas de novilhadas e novilhadas populares que fomentavam o gosto pelo espectáculo e ajudavam à criação de afición. De há 20/25 anos para cá cairam em desuso e já não fazem parte do cardápio. Aqueles que não tinha dinheiro para ir ao Tavares iam à casa das bifanas se bem me faço entender.
Está tudo muito mais caro, a começar pelo custo de vida de bens essenciais. E sem apelativos, sem um bom motivo muitos pensarão entre meter comida em casa ou gastar dinheiro para ir aos toiros.
Ousadia na montagem dos cartéis precisa-se, como de pão para boca como se diz na gíria. Imaginação e conjugação de pequenas ofertas ante-espectáculo são essenciais par cativar o público. Praça cheia exige-se. Competição forte entre toureiros, forcados, ganadeiros. E entre empresas. Esencial para a sobrevivência do espectáculo em si.
Ah, e a Televisão. Pois sobre isso o que tem sido feito? que chegue ao conhecimento do grande público nada. Interessa ou parece interessar é quem é que vai ser o próximo empresário da praça x ou y ou o novo apoderado de a ou b...
Pois nós por cá iremos andar atentos e presentes nos espectáculso que nos possam acrescentar algo.
Se tudo correr como previsto vêmo-nos em Mourão no dia 1 de Fevereiro.
Bom Ano de 2026
São estes os cartéis dados a conhecer no dia de hoje sobre o arranque da temporada 2026 em Mourão:

