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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

A TEMPORADA 2020 QUE O BARREIRA DE SOMBRA ACOMPANHOU

OS OUTROS CAVALEIROS

09.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Andrés Romero

2

3

Ana Rita

2

2

Parreirita Cigano

2

2

Miguel Moura

1

2

António Prates

1

1

Brito Paes

1

1

Filipe Gonçalves

1

1

Gilberto Filipe

1

1

 

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Do 11º ao 19º lugares classificaram-se os cavaleiros que vimos actuar entre 2 vezes e lidar 3 reses e os que vimos actuar em apenas uma ocasião e lidar apenas um toiro ou novilho. Desta lista destacamos a cavaleira Ana Batista que aceitou o  repto de lidar toiros Murteira Grave no Campo Pequeno e na corrida comemorativa dos seus 20 anos de alternativa; Andrés Romero, rejoneador espanhol, cumpriu nas duas prestações em que o vimos. Ana Rita em bom plano no Campo Pequeno e dos restantes vamos esperar que se confirmem as expectativas para 2021.

A TEMPORADA 2020 QUE O BARREIRA DE SOMBRA ACOMPANHOU

CAVALEIROS DE ALTERNATIVA E REJONEADORES

07.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Foram 19 os cavaleiros de alternativa (18) e rejoneadores (1) que vi actuar em 2020 nestes 21 espectáculos, alguns dos quais com 6 cavaleiros. Liderou esta nossa lista de 2020 o cavaleiro António Ribeiro Telles como seguir se pode verificar no Top 5:

CAVALEIROS DE ALTERNATIVA

CORRIDAS

TOIROS

António Telles

6

10

Luís Rouxinol Jr

6

9

Francisco Palha

5

8

Manuel Telles Bastos

6

7

Duarte Pinto

5

7

 

1º. António Ribeiro Telles

A Teles 100920 Lisboa.JPG

Quando escrevemos sobre António Ribeiro Telles, quase sempre, senão sempre, é para falar de mestria, de lições de cátedra, de grandes momentos de toureio à portuguesa do mais clássico dos clássicos toureiros portugueses. A maturidade de António Ribeiro Telles é indiscutível assim como a sua afición. Cada dia que passa, cada temporada, cada corrida, como os bons vinhos, as grandes reservas de castas intemporais, António vai deixando a sua marca como aconteceu no Campo Pequeno nesta atípica temporada de 2020.

Campo Pequeno, 10/09/2020 - António Ribeiro Telles é um nome incontornável da nossa tauromaquia equestre. Muitas das vezes faltam adjectivos para qualificar as suas brilhantes actuações, a sua forma de entender e de lidar os tórios, dando-lhes confiança, levando-os por largo sem recortes ou passagens desnecessárias pela cara, e provocando-lhes as investidas para deixar ferros alguns deles de antologia. Este foi um quadro que pudemos contemplar na noite desta quinta-feira no Campo Pequeno na lide do bom 4º toiro e que foi  crescendo ao castigo muito por mérito do cavaleiro que lhe entendeu terrenos e distâncias, e veio a cravar 3 curtos de nota superior, a entrar nos terrenos do toiro e a adornar-se nos remates. Lide brilhante a todos os níveis e que valeu chamada especial ao centro da arena.

2º. Luís Rouxinol Jr

Rouxinol jr 060820 Lisboa.jpg

Um dos jovens valores da lusitana cavalaria é Luís Rouxinol Jr que neste ano de 2020 vimos em boas actuações onde a sua garra e vontade de vencer e de se impor foi patente. Numa temporada dita “normal” teria tido ainda maiores oportunidades para impor e confirmar a sua forma de toureio. Cresceu bastante e deixou boas notas para 2021.

Campo Pequeno, 06/08/2020 - Luís Rouximol Jr mostrou a sua garra e vontade de triunfo com uma sorte de gaiola impactante e uma actuação de muito bom nível na brega e na cravagem de ferragem que chegou ao público. Lidou bem e apesar do toiro ser algo distraído, nunca deixou de se empregar nas sortes e proporcionar essa boa lide ao cavaleiro de Pegões. Um toiro que foi aplaudido na recolha e permitiu ao ganadeiro a primeira de duas chamadas á arena. No que encerrou praça tentou a sorte de gaiola mas o toiro perdeu as mãos e Rouxinol deixou-lhe bons ferros na série de curtos bem rematada com um de palmo e um par de bandarilhas marca da casa.

 

3º. Francisco Palha

F Palha 260920 Santarém.JPG

É outro dos jovens toureiros que deram nas vistas nesta temporada tão complicada. Aquelas porta-gaiola em Santarém, os ferros a atacar o toiro fechado em tábuas, ou alguns compridos com o toiro a investir de largo, fizeram os aficionados levantar-se das bancadas, não importando quais fossem as ganadarias com que se fez anunciar. Gostei bastante do que vi e deixou boas notas para o revermos em 2021.

Santarém, 26/09/2020 - Francisco Palha foi o terceiro cavaleiro em praça mas também ele arriscou até ao limite para o triunfo, numa acesa competição com os seus colegas de cartel. Sinal disso as duas portas gaiolas com ferros emotivos, talvez no sexto da ordem o mais emotivo de todos. E o segundo comprido ao bravo toiro de Murteira Grave que foi 3º da tarde, a aguentar a investida do toiro que saiu de largo, foi excelente, repetindo no seguinte, o que lhe valeu música. Justíssima diga-se em abono da verdade. Boa série de curtos, aproveitando as excelentes investidas do toiro e aproveitando para brilhar na cravagem da ferragem e nas preparações e remates das sortes. No último da tarde, de Veiga Teixeira, alternou grandes momentos como o da sorte de gaiola com que recebeu o toiro, ou o quinto curto que foi excelente, com outros momentos de menor fulgor.

 

4º. Manuel Telles Bastos

manuel teles060820 lisboa.jpg

Outro cavaleiro da dinastia Telles, Manuel Telles Bastos, ocupou o 4º lugar desta nossa lista da temporada de 2020. Um ano mais mostrou, a espaços, a enorme qualidade do seu toureio. Apesar de algumas intermitências, alternando momentos de grande fulgor com outros de menor inspiração, foi também na arena do Campo Pequeno em Lisboa que lhe vi uma das suas melhores actuações dos últimos tempos.

Campo Pequeno, 06/08/2020 - diga-se em abono da verdade que foram as duas mais sólidas actuações - e de triunfo claro - de Manuel Telles Bastos nas que lhe vi nos últimos tempos. Inspiradíssimo, com a habitual classe e mestria, foi dominando o primeiro com boa brega e bons ferros, numa actuação de muito bom nível frente ao segundo da noite. Mas foi frente ao quinto que explodiu numa actuação de elevadíssimo nível na brega, bons compridos mas e sobretudo dois curtos de fazer parar os corações, pisando terrenos de muito compromisso e cravando como mandam as regras. É esta a verdade e a emoção que fazem a diferença. Praça de pé a aplaudir a genialidade e entrega do cavaleiro da Torrinha, o grande triunfador da noite no que a cavaleiros concerne e cujas actuações vão perdurar na retina dos que estiveram presentes. Memorável e rotundo!

 

5º. Duarte Pinto

D Pinto 011020 Lisboa.JPG

Outro clássico entre os clássicos, sem concessões à bancada e muito fiel aos seus princípios de executar o toureio, é Duarte Pinto. Uma temporada de classe e afirmação, marcando pontos com força com vista à próxima temporada. É um gosto ver tanta classe.

Campo Pequeno – 01/10/2020 - Em terceiro lugar actuou Duarte Pinto, cavaleiro muito fiel aos seus princípios e ao toureio clássico e de classe e que de novo voltou a dar boa nota, com uma actuação de muito bom nível quer na brega quer na cravagem da ferragem com destaque para o excelente 4º curto em que  aguentou de largo a investida do toiro.

 

CAVALEIROS DE ALTERNATIVA

CORRIDAS

TOIROS

Marcos Bastinhas

4

7

Moura Caetano

3

5

Rui Salvador

3

4

João Moura Jr

2

4

João Ribeiro Telles

2

4

Luís Rouxinol 

2

4

 

Continuando a nossa análise com os restantes cavaleiros que ocuparam os lugares seguintes e englobam o Top 10, encontramos:

6º. Marcos Bastinhas

M Bastinhas 011020 Lisboa.JPG

Um apelido de peso e respeito e que Marcos fez respeitar ainda mais em cada uma das suas actuações que lhe vi em 2020 e onde a garra, a irreverência, a vontade de triunfo foi uma constante. Muitos bons momentos e outros de menor fulgor, deixando a sua marca pessoal e chegando com enorme facilidade ao grande público.

Campo Pequeno – 01/10/2020 - Marcos Bastinhas provocou a primeira explosão de entusiasmo popular com a forma como recebeu á porta-gaiola o seu toiro e no segundo comprido de enorme valor a aguentar de largo a investida. Bons curtos, mexendo bem no toiro, e para rematar, um par de bandarilhas com a marca da casa e o público a aplaudir com força.

 

7º. João Moura Caetano

Moura Caetano 080820 - Barquinah.JPG

É outro toureiro de dinastia e que voltou a apostar forte com muita qualidade no seu toureio, uma interpretação muito própria, com identidade (selo próprio), com classe e merecer mais e melhores oportunidades. Tem um enorme potencial de progressão e afición e ambição não lhe faltam.

Barquinha, 08/08/2020 - Abriu praça João Moura Caetano com uma lide interessante, bons momentos de brega e bons remates das sortes, com dois bons compridos e dois curtos de muito mérito aproveitando bem as condições do toiro co «m ferro de seu pai. No quarto da noite, que foi mansote, teve de se empregar a fundo para conseguir dar-lhe a volta e ter nota positiva nessa segunda passagem pela arena.

 

8º. Rui Salvador

R Salvador 030920 Lisboa.JPG

O veterano Rui Salvador mostrou em Lisboa de que madeira são feitas as grandes figuras, ou como envelhecer com qualidade e personalidade muito próprios como os bons vinhos. Foi um momento marcante na sua temporada, curta, como aliás as dos seus colegas.

Campo Pequeno, 03/09/2020 - O saber de Rui Salvador, alicerçado numa carreira já larga, soube aproveitar ao máximo as potencialidades da belas investidas do bravo que abriu praça para uma lide com o sabor de um bom vinho reserva, já que quer a lidar quer a cravar trouxe todo esse sabor que se mantém no palato por um tempo maior e que permite desfrutar… Foi assim numa lide onde houve ferros curtos de muito mérito numa lide que teve muitos motivos de interesse. Quem sabe não esquece e Salvador mostrou tudo o que sabe. Parabéns mestre!

 

9º. João Moura Jr

MOURA JR 260920 sANTARÉM.JPG

Mais um cavaleiro que deu que falar em 2020, nomeadamente porque além de boas actuações, enlouqueceu o público, nomeadamente em Santarém, com as suas “mourinas”.

Santarém, 26/09/2020 - No quinto da tarde, um Veiga Teixeira que exigiu bastante pela sua casta, Moura Jr teve uma actuação em crescendo e rebentou verdadeiramente com o quadro com as duas mourinas com que encerrou a sua brilhante actuação. Momentos inolvidáveis pela forma ajustada como reunião, pelos remates num palmo de terreno, fazendo o público saltar dos seus lugares e aplaudir de pé. Grande final, em apoteose popular.

 

10º. João Ribeiro Telles / Luís Rouxinol

Joao teles 270820 Lisboa.JPG

Ambos os toureiros tiveram actuações em que cumpriram aquilo que deles se esperava, com entrega e vontade de triunfo. Apenas 2 actuações vimos a cada um, tal como aos seus colegas que os antecedem nesta classificação.

Campo Pequeno, 27/08/2020 - Houve momentos de grande nível em dois curtos de João Telles em cada um dos seus toiros, com batidas ao pitón contrário que resultaram muito bem e fizeram o público levantar-se dos seus lugares, creditando-se com um dos triunfadores da noite.

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Campo Pequeno, 30/07/2020 - Luís Rouxinol saiu decidido a vencer a compita, como é seu apanágio, Boa prestação frente ao que abriu praça, distraído por vezes, ao qual deu a volta com boa brega e alguns ferros de boa nota. O seu segundo era complicado, tapou-se algumas vezes quando sentia o cavalo nos seus terrenos. Deu-lhe luta e deixou dois ferros de melhor nota.

Texto e fotos: António Lúcio

A TEMPORADA 2020 QUE O BARREIRA DE SOMBRA ACOMPANHOU

AS GANADARIAS QUE VI LIDAR EM 2020

06.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

GANADARIAS.jpg

Apesar dos pesares, em 21 espectáculos a que assisti em 2020, houve alguns bons triunfos em todos os campos: cavaleiros de alternativa, praticantes e amadores, matadores de toiros e novilheiros, forcados e ganadeiros. E como o toiro é o elemento principal da corrida e aquele que muitas vezes nos faz deslocar uns bons quilómetros, é por aí que prosseguimos esta nossa análise.

Neste triste ano de 2020, muitas reses forma sacrificadas pelos seus criadores e abatidas nos matadouros sem pena nem glória, mas também bastantes outros foram indultados, ou seja, tiveram honras de voltar ao campo para padrear depois de terem mostrado grandes qualidades nas praças onde foram lidados. Poderá haver prémio melhor?

A lista de ganadarias (128 reses) que vi lidar em 2020 é a seguinte:

GANADARIAS

CORRIDAS

TOIROS

David Ribeiro Telles

5

13

Passanha

3

13

Palha

2

12

Vinhas

2

12

Veiga Teixeira

3

10

Murteira Grave

2

9

Calejo Pires

2

6

Brito Paes

1

6

Falé Filipe

1

6

Francisco Romão Tenório

1

6

Prieto de la Cal

1

6

São Martinho

1

6

Vale Sorraia

3

5

Garcigrande

1

4

Paulo Caetano

1

3

Ascensão Vaz

1

2

Canas Vigoroux

1

2

Domingo Hernandez

1

2

Maria Guiomar Moura

1

2

António Silva

1

1

Irmãos Moura Caetano

1

1

Prudêncio

1

1

 

Da análise que fiz em cada corrida, destacaram-se:

  • David Ribeiro Telles, Campo Pequeno, 29 de Fevereiro, lidado em 5º lugar por Francisco Palha

DRT 290220 - lisboa.JPG

“O toiro era bravo e acudia de todos os terrenos e valeu volta á arena do ganadeiro.”

 

 

  • Garcigrande, Olivenza, 7 de Março, lidado em 2º lugar por António Ferrera

Garcigrande 030720 - OLivenza.JPG

“O indulto de um toiro bravo é o auge de uma corrida de toiros, o prémio máximo ao animal que galhardamente se entregou na lide e que mostrou qualidades excepcionais que lhe permitiram voltar ao campo e poder padrear. Respeito máximo do público para com esse animal exigindo que lhe fosse poupada a vida. Momento de êxtase do toureiro que conseguiu esse logro e permitiu a vibração maior dos que encheram por completo a lotação da praça oliventina. “Atajante", nº 132, de 482 quilos, da ganadaria Garcigrande, foi de longe o melhor toiro da tarde.”

  • António Raúl Brito Paes, Campo Pequeno, 30 de Julho, lidado em 5º lugar por Marcos Bastinhas

BPaes - 300720 - Lisboa.JPG

“Os toiros de António Raúl Brito Paes estavam muito bem apresentados, com trapio e tiveram condições de lide em diferentes graus com destaque maior para Lezilio, lidado em quinto lugar e que valeu a chamada do ganadeiro à arena e o regresso do toiro á ganadaria.”

  • Murteira Grave, Campo Pequeno, 6 de Agosto, lidado em 5º lugar por Manuel Telles Bastos

Grave - 060820 - Lisboa.jpg

“…com um toiro de excepcional qualidade e bravura, nº 44, Marismero, lidado superiormente por um inspiradíssimo Manuel Telles Bastos e que foi premiado com volta e chamada do ganadeiro à arena. Um dueto improvável e que resultou no momento mais importante da noite. (…)Entregou-se plenamente na lide, em cada investida com classe, com codícia, sem conhecer querenças durante todo o tempo que esteve em praça. Um bravo de verdade este "Marismero", marcado com o nº 44 e de 606 kg. um toiro de muita presença. com trapio, nobre, metendo a cara a humilhar nos capotes e no momento dos ferros em que carregava com alegria, dando ainda mais valor ao que de muito bom o cavaleiro fazia. Daqueles toiros que não enganam e que teve honras de volta á arena e de retormo ao campo bravo de Galeana, esse santuário do toiro bravo de lide. Parabéns ao ganadeiro Dr. Joaquim Grave.”

  • Palha, Moita do Ribatejo, 16 de Setembro, lidado em 2º lugar por Joaquim Ribeiro “Cuqui”

Palha 160920 Moita.JPG

“o segundo toiro de Palha que foi bravo, crescendo durante a extraordinária lide que o matador moitense foi construindo com sabor e com saber, com estética e temple, tudo muito bem medido, com uma naturalidade destinada a poucos. Desde que o recebeu de capote que o cuidou e o toiro foi rompendo depois na muleta (…) Volta á arena com chamada do representante da ganadaria, Luis Santos, para partilhar com "Cuqui" esse momento mágico do indulto do bravo toiro e da obra de arte que o toureiro construiu.”

  • Vinhas, Campo Pequeno, 10 de Setembro, lidado em 4º lugar por António Ribeiro Telles

Vinhas, 100920 Lisboa.JPG

“A ganadaria Vinhas, única em Portugal de encaste Santa Coloma e que chegou a ser preferida de grandes figuras do toureio mundial pela sua qualidade e que na noite desta quinta feira fez juz ao seu historial (o 4º da ordem, nº 90 e 660kg, teve honra de chamada à arena para o ganadeiro após forte petição popular)”

  • Murteira Grave, Santarém, 26 de Setembro, lidado em 3º lugar por Francisco Palha

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“… um toiro de campeonato, de nome “Inquieto”, marcado com o nº 39, com 500 kg, burraco de pelagem e da ganadaria de Murteira Grave, premiado com volta à arena e direito a regressar ao campo.”

  • Palha, Vila Franca de Xira, 5 de Outubro, erales lidados em 4º e 5º lugares por Sérgio Sanchez e Duarte Silva

Palha 051020 vila franca.JPG

“…dois erales de campeonato, quarto e quinto, da ganadaria Palha, valeram bem o termos de madrugar para assistir a esta segunda novilhada da Feira de Outubro vilafranquense.”

Texto e fotos: António Lúcio

FALECEU O EMPRESÁRIO ROGÉRIO AMARO

06.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Nota de Imprensa da APET

Foi com consternação e pesar que a Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos tomou conhecimento do falecimento do Exmo. Senhor Rogério Amaro, conceituado e histórico Empresário Tauromáquico que durante largos anos desempenhou a sua atividade enquanto Empresário, Apoderado e Forcado nesta tauromaquia que adoramos, pautando todo o seu percurso pessoal e profissional pelo caráter único, humanismo, energia, empenho e dedicação que colocava nas funções que lhe eram confiadas.

O Rogério, partiu mas viverá para sempre na memória da nossa festa através da sua obra e do legado que nos deixa por ser uma referência para muitos de nós, através da gestão da Toiros e Tauromaquia associado ao saudoso "Nené" ao longo de várias décadas.

À família e amigos, e em nome de todos os profissionais do sector empresarial da Tauromaquia, a APET endereça as suas sentidas condolências.

Comunicado Protoiro: Projectos proibicionistas sobre menores e tauromaquia

Touradas: Governo, PAN e BE querem proibir pais de educarem livremente os seus filhos

05.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Toureando-de-salao1 - Fotografo-Frederico Henrique

Projecto do BE e intenções do PAN e Governo pretendem alterar idade mínima para se assistir e participar a espetáculos tauromáquicos, interferindo na liberdade de menores e pais.

O PAN e BE, com o apoio do Governo do Partido Socialista, continuam a sua senda persecutória contra a Cultura Portuguesa e diversidade cultural no nosso país. As intenções e projectos divulgados são completamente absurdos e atentatórios dos direitos dos menores, vendendo os direitos das crianças e pais a troco de apoios parlamentares. Se do PAN e BE já estamos habituados a discursos de ódio e de intolerância, choca o apoio de um governo socialista a estas propostas. Projectos similares já foram repetidamente chumbados no parlamento. 

Os menores são cidadãos de pleno direito. Esta tentativa de limitar o acesso a um espetáculo cultural choca com a obrigação constitucional do Estado de promover a acessibilidade de todos à Cultura. O artigo 43º da CRP refere claramente que "o Estado não pode programar a Educação e a Cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas", tal como o artigo 73º, nº 1, dispõe que "todos têm direito à Cultura" e "o Estado promove a democratização da Cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural”, seja como participantes ou espectadores.

Como se isso não bastasse, a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU dispõe no art.18.º, que a responsabilidade de educar as crianças e de assegurar o seu desenvolvimento cabe, primacialmente, aos pais. O art.29.º diz que, entre outros, a educação deve destinar-se a inculcar na criança o respeito pela sua identidade cultural, língua e valores, pelos valores nacionais do país em que vive, e o art.31.º reconhece expressamente à criança o direito de participar livremente na vida cultural e artística, uma vez mais, seja como participantes ou espectadores.

Para Hélder Milheiro, secretário-geral da PróToiro, “estas propostas são um atentado contra os menores e contra a liberdade parental, querendo proibir os pais de escolherem onde levam ou não os seus filhos". Ao que acrescenta: "O Governo e os partidos não são donos dos direitos e liberdades de crianças e pais para proibir as suas escolhas. O Governo está a vender os direitos dos menores e dos pais numa negociata política para obter apoios parlamentares. As crianças têm direito à Cultura, como todos os cidadãos, e o Estado está constitucionalmente obrigado a promover esse acesso. Tentativas de proibição nestas matérias são ilegais ou então não somos um Estado de direito".

Quanto à tentativa de proibição da transmissão de touradas em sinal aberto, que pretende uma restrição ilegal à liberdade de programação, violando a lei da Televisão, o Conselho Regulador da ERC é muito claro em várias das suas deliberações (como na 13/CONT-TV/2008 e 10/CONT-TV/2010) “As corridas de toiros à portuguesa não constituem, no sentido do artigo 27.o, n.o 2, da lei da Televisão, programas susceptíveis de influírem de modo negativo na formação da personalidade das crianças ou de adolescentes, não se lhes aplicando, por conseguinte, a imposição de transmissão entre as 22 horas e 30 minutos e as 6 horas, acompanhada da difusão permanente de identificativo visual.
 

Perspetiva-se que estes projectos só sejam discutidos e votados no parlamento, no início do ano de 2021, onde estamos convictos do seu chumbo. 

Perante esta grave ofensiva contra os direitos e liberdades dos cidadãos, os aficionados estão prontos para defender a sua liberdade e a PróToiro, com todas as associações que a constituem, usará todos os instrumentos legais para impedir esta tentativa de violação dos direitos dos portugueses, sejam crianças ou adultos. 

PROTOIRO
Federação Portuguesa de Tauromaquia

Foto: Frederico Henriques

CONTRA A DITADURA DO GOSTO E O SER GOVERNO A QUALQUER PREÇO

05.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

normal.jpg

Apesar de me encontrar em recuperação da cirurgia a que fui sujeito, não posso deixar passar em claro mais um atentado contra a nossa cultura, os nossos direitos, dos nossos filhos, sobrinhos, netos, e das sucessivas tentativas de nos castrarem naquilo que é a nossa identidade cultural, local, regional e nacional, ao arrepio das normas constitucionais e até de legislação como a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU.

O Bloco de Esquerda veio agora a dar entrada na Assembleia da República com o Projecto de Lei N.º 580/XIV/2ª, o qual pretende interditar a menores o trabalho em actividades tauromáquicas, profissionais ou amadoras, assim como a assistência a eventos tauromáquicos.

Mais uma vez, um arrazoado de ideias e de preconceitos deturpados sobre a actividade tauromáquica e a pretensa violência exercida contra os animais e instigada pelos maiores (pais, avós, tios, pessoas encarregues da educação dos menores) aos jovens que frequentam as escolas de toureio, os grupos de forcados ou, tão simplesmente, assistem a um espectáculo na companhia de familiares.

A hipocrisia desta gente é tão grande quanto a possibilidade de um jovem com 16 anos poder mudar de sexo ou, na incapacidade destes partidos de vedarem o acesso a jogos de violência extrema, a imagens que as televisões mostram sem pudor a qualquer hora do dia, a conteúdos pornográficos etc, esses sim bem maios violentos e perturbadores do que assistir a uma corrida de toiros…

É a ditadura do gosto, do preconceito e da ignorância, a querer sobrepor-se a tudo e a todos sem qualquer pudor e sem respeito pelos direitos constitucionalmente protegidos. Sabemos todos e há muito da apetência de António Costa pelo poder, pela forma sem pudor e desprovida de ética com que formou o seu primeiro Governo com a geringonça, como cedeu ao PAN no orçamento do ano passado a questão do IVA a 23% nos espectáculos tauromáquicos e agora, com esta proposta do Bloco da Esquerda para tentar a todo o custo a aprovação do orçamento e manter-se no poder não importa como nem contra quem…

É tempo de dizer basta a estas tentativas ditatoriais de cerceamento de direitos, liberdades e garantias protegidas pela Constituição. E não basta dizer que é agora que temos de tomar decisões de força, vir para a rua numa manifestação de peso. Como referi num comentário que que fiz no Facebook, O grande problema é que não há coragem para tanto. Há anos que falo nisso...lembram-se do que aconteceu no Terreiro do Paço quando houve a recriação histórica de una tourada?

E porque é que se aproveitou o Dia da Tauromaquia para essa grande manifestação?

Porque trazer campinos e cavalos e cabrestos custa dinheiro?...

Porque todos os estamentos taurinos se deixaram cair no comodismo e ninguém está para se chatear?

Porque a logística é complicada e as associações do sector preferem jogar nos bastidores (será que jogam nesmo???) a vir para a rua dar a cara e lutar pelos seus e nossos direitos?

No tempo de Moita Flores presidente da C M Santarém recolheram-se mais de 50 mil assinaturas em defesa da Festa Brava. Serviram para quê?

O ano passado o Iva dos bilhetes das corridas subiu para 23%. Fizemos o quê?

Falamos, falamos, falamos... temos sim de AGIR, AGIR, AGIR.

TEXTO DA PETIÇÃO PÚBLICA CONTRA A ALTERAÇÃO DA IDADE PARA ASSISTIR A TOURADAS

05.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

“Programa do Governo e as propostas de vários partidos pretendem alterar idade mínima para se assistir a espetáculos tauromáquicos, interferindo na liberdade de menores e pais.

Estas propostas atentam contra a Cultura Taurina e diversidade cultural no nosso país. A alteração é absurda, infundada e atentatória dos direitos dos menores.

Os menores são cidadãos de pleno direito. Esta tentativa de limitar o acesso a um espetáculo cultural choca com a obrigação constitucional do Estado de promover a acessibilidade de todos à Cultura. O artigo 43º da CRP refere claramente que "o Estado não pode programar a Educação e a Cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas", tal como o artigo 73º, nº 1, dispõe que "todos têm direito à Cultura" e "o Estado promove a democratização da Cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural".

Como se isso não bastasse, a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU dispõe no art.18.º, que a responsabilidade de educar as crianças e de assegurar o seu desenvolvimento cabe, primacialmente, aos pais. O art.29.º diz que, entre outros, a educação deve destinar-se a inculcar na criança o respeito pela sua identidade cultural, língua e valores, pelos valores nacionais do país em que vive, e o art.31.º reconhece expressamente à criança o direito de participar livremente na vida cultural e artística.

Deste modo, vimos peticionar o respeito pelos direitos e liberdades das crianças, a manutenção da classificação etária da tauromaquia de M/12 e a manutenção da liberdade de escolha das crianças e dos seus pais.”

Assine a petição pública em: https://peticaopublica.com/?pi=PT94978

EM RECUPERAÇÃO APÓS INTERNAMENTO HOSPITALAR

04.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Caros familiares, amigos e colegas de trabalho, ontem dia 3 de Novembro, tive alta hospitalar e inicio agora um período de recuperação que não será curto.

Tenho de deixar aqui um agradecimento muito especial ao Dr. João Espírito Santo e à sua equipa pelo cuidado que tiveram comigo e para resolver o problema maior e mais complicado com a cirurgia feita pelo Dr. Gonçalo Luz e sua equipa, e ainda ao corpo de enfermagem e auxiliares do piso 2 do Hospital Beatriz Ângelo onde estive internado.

Sem eles não estaria aqui a partilhar este momento convosco.

A todos e em especial a alguns familiares, amigos e colegas, o meu reconhecido agradecimento pela presença e apoio constante.

Vou ficar afastado de todas as actividades nos tempos mais próximos porque importa parar, templar e descansar ao máximo o meu cérebro e o meu coração.

Obrigado a todos.

PROTOIRO FAZ BALANÇO DA TEMPORADA 2020

APENAS 48 ESPECTÁCULOS

04.11.20 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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Balanço da temporada tauromáquica: Apesar das circunstâncias o sector resistiu e mostrou a sua vitalidade


A temporada ficou marcada pelos impactos do Covid 19, com uma grande redução de espectáculos mas por uma forte afluência de público e pela união do setor para de adaptar à pandemia.

Terminada a temporada tauromáquica a 1 de Novembro, a ProToiro - Federação Portuguesa de Tauromaquia, representante oficial do sector, vem por este meio comunicar que o balanço da temporada tauromáquica de 2020 foi positivo e demonstrou a grande vitalidade deste importante sector cultural. Um dos poucos que mostrou conseguir sobreviver apenas graças ao público e sem
o apoio de dinheiros públicos.


De referir que a temporada começou normalmente a 1 de fevereiro em Mourão, como é habitual, mas 2020 revelou-se um ano totalmente anormal, devido à pandemia do Covid 19. O setor da cultura foi um dos mais afectados tendo, no caso da tauromaquia, levado a que se realizassem 48 espectáculos quando em 2019 se realizaram 207. Estes números vêm interromper a tendência de
crescimento do setor nos últimos 3 anos, que obteve 469 mil espectadores em Touradas no ano de 2019.


A retoma dos espectáculos deu-se na segunda metade de Julho, em Estremoz, depois de uma luta intensa e tenaz de todo o setor por um tratamento igualitário e para a definição das regras de funcionamento dos espectáculos tauromáquicos, por parte do Ministério da Cultura e da DGS,
que teve como momento decisivo a ação de protesto com toureiros e forcados acorrentados na porta do Campo Pequeno, a 1 de Junho, seguida de manifestação de profissionais de todo o setor. É importante ainda frisar que o setor conseguiu organizar-se e construir uma temporada nas principais praças de toiros do país - por exemplo o Campo Pequeno, Alcochete, Moita, Coruche,
Vila Franca, Santarém, Évora ou Figueira da Foz - num exemplo de resiliência notável, sendo um dos poucos setores culturais que funcionou com a normalidade possível entre os meses de Julho e Outubro.


Segundo Ricardo Levesinho, Presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos “Foi um ano caracterizado pela limitação de espetáculos e pela limitação abrupta da lotação máxima de cada Praça de Toiros. Foi marcada, também, pela afluência extraordinária por parte dos
aficionados e do público em geral, o que demonstra um grande respeito por todos os intervenientes que contribuem para que a Tauromaquia seja um espetáculo admirado pela maioria dos Portugueses. Entendemos que em termos económicos foi um ano negativo, assim como para tantos outros setores culturais e empresariais afetados pela pandemia. Estamos satisfeitos por conseguirmos realizar os espetáculos seguindo rigorosamente as normas definidas com a DGS
e IGAC, sendo que a aplicação de uma nova taxa de IVA de 23% a estes  espectáculos é absurda e ilegal, pelo que estamos a trabalhar para que seja reposta nos 6%. Só um governo desumano poderá atacar os cidadãos desta área cultural num momento tão grave como o actual. Mantemos-nos convictos e esperançosos que em breve podemos todos voltar à normalidade, para
continuarmos a trabalhar em prol da cultura portuguesa e para proporcionar aos
aficionados excelentes momentos deste magnifico espetáculo cultural.”


Para Nuno Pardal, Presidente da Associação Nacional de Toureiros, "foi com muita dedicação e esforço que, conjuntamente com as outras associações do setor, nos batemos para que a realização de espetáculos tauromáquicos fossem uma realidade. Também os Toureiros tiveram um papel fundamental para viabilizar esta temporada, actuando muito abaixo dos seus cachets
habituais e até mesmo, em algumas ocasiões, graciosamente. À semelhança das outras expressões culturais, os artista tauromáquicos passam por um momento complicado a que o Ministério da Cultura não pode fechar os olhos. Acreditamos que tudo fizemos para minorar o impacto e esperamos que a próxima temporada seja já de alguma normalidade.”


Nas palavras de João Caldeira, vice-presidente da Associação Nacional de Grupos de Forcados: “Os Grupos de Forcados em geral e a todos os forcados em particular, mostraram o que é União quando a situação assim o exige. A troco de defenderem aquilo que gostam, de defenderem as suas raízes, sem quaisquer outros interesses que não seja pegar toiros mostrando a sua arte e valentia. Mobilizaram-se, esquecendo rivalidades antigas, exigindo que a tauromaquia não seja discriminada, pois ela é parte integrante da nossa cultura. Um grande bem haja a todos eles por toda a dedicação à arte de pegar toiros e à figura do Forcado Amador.”


Segundo o Presidente da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide, João Santos Andrade, “com a diminuição de espectáculos as ganadarias debatem-se agora com o excesso de produção sendo obrigadas a enviar os seus animais para o matadouro sem serem lidados, o que impede o apuramento da bravura da raça e gera uma elevada perda económica. Esperamos no próximo ano conseguir uma temporada o mais normal possível, para evitarmos a diminuição do efetivo desta raça autóctone, pois a criação do toiro de lide revaloriza os recursos naturais fazendo um aproveitamento racional dos mesmos, mantendo o ecossistema e contribuindo para o equilíbrio do meio ambiente, promovendo a biodiversidade de 70 mil hectares, sobretudo de montado e lezíria. Também estes ecossistemas podem ser afectados com a redução de toiros bravos no campo.”


Para Luís Capucha, Presidente da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal, “a temporada de 2020 será recordada pelo apego dos aficionados à Festa, que permitiu que se realizassem dezenas de corridas de toiros. Pela civilidade inigualável demonstrada pelos aficionados nas praças de toiros. Pela determinação em amar o seu ser, sem ceder ante os ataques cobardes e ignominiosos a coberto da Covid. Pela rejeição do medo e pela afirmação da
responsabilidade e da esperança de que juntos vamos vencer todos os inimigos.” 

A todos os profissionais e intervenientes, aficionados e público em geral, que criaram as condições para que a temporada 2020 pudesse existir, a ProToiro deixa o seu profundo agradecimento, fazendo votos para que a pandemia seja, o quanto antes, uma má memória do passado e a 1 de
Fevereiro de 2021 possamos celebrar o arranque de mais uma temporada.

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