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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

No link que encontrará de seguida poderá assistir ao vídeo da audição da Protoiro na Comissão de Cultura, que decorreu esta manhã.

 

Em representação do setor tauromáquico estiveram Nuno Pardal, Presidente da Associação Nacional de Toureiros e Helder Milheiro, Secretário-Geral da Protoiro, que reforçaram junto dos deputados as necessidades e preocupações do setor. 
 
Foram distribuídos aos deputados o documento com as propostas do setor face à pandemia do Covd 19 e uma brochura sobre a ética e valores das touradas.
 
Os representantes da PROTOIRO deram a conhecer aos deputados da Comissão de Cultura o texto que se segue:

Muito obrigado Srª Presidente, 

Senhoras e Senhores deputados,

 

Começo por explicar que a PROTOIRO é a Federação que agrega os stakeholders da cultura tauromáquica e é a sua representante oficial. É constituída pelas associação Nacional de Toureiros, Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, a Associação Nacional de Grupos de Forcados, a Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide, a Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal e a União das Misericórdias, como maior proprietária de praças de toiros em Portugal.


O setor da cultura, onde se insere a Tauromaquia (Decreto-lei nº 23/2014), e tutelada pelo Ministério da Cultura, não é um luxo mas um setor gerador de riqueza e emprego com um papel social muito importante, pelo que se exige uma atenção adequada a este setor, ainda mais com os graves impactos da pandemia do Covid 19.

As Touradas são uma das criações mais originais e autênticas da cultura portuguesa e uma das poucas áreas culturais que não têm programas de apoio. Incorporam quase 100% de mão de obra nacional. Exportam cultura portuguesa, contribuindo para a divulgação da nossa cultura no estrangeiro e para o equilíbrio da balança comercial. Fomentam o turismo e têm de um impacto económico directo e indirecto de muitos milhões de euros, criando emprego e riqueza, muitas vezes em regiões deprimidas do interior, além de impostos para o Estado.

Entre as diferentes modalidades que a compõem, práticas sociais, eventos festivos e rituais, a importância deste sector traduz-se no número significativo de espectadores, que só em 2019 atingiu perto de 500 mil espectadores.
 

Sabemos também que esta indústria move anualmente cerca de 3 milhões de participantes na globalidade dos eventos tauromáquicos (espectáculos tauromáquicos em praças de toiros e tauromaquias populares, ou de rua) tendo um ciclo de impacto económico directo e indirecto muito amplo, ligado a zonas deprimidas, fazendo a ponte entre o mundo rural e urbano, apesar do consumo do produto ser na sua grande maioria urbano.

Mas como chegámos aqui? 

A primeira referencia documental a uma prática tauromáquica reporta-se ao segundo rei de Portugal, D. Sancho I (1154 -1211), nas Inquirições de D. Afonso III, onde surge referido que o monarca “alanceava toiros numa alminha, em Lamego”.

Com origem na caça e na preparação do homem e do cavalo para a guerra, evoluíram ao longo do tempo. Celebrar nascimentos ou bodas reais, recepções a chefes de estado estrangeiros, festas patronais e religiosas…qualquer evento social relevante na sociedade portuguesa, era sempre acompanhado das “Funções de toiros” como então se chamavam, onde este animal mítico e simbólico, o toiro, o animal mais representado na arte rupestre do Vale do Côa, ou em Lascaux, Altamira…o próprio mito fundacional da Europa nasce do rapto desta por Zeus transformado em Toiro.

Estas práticas taurinas vinham já de antes da fundação de Portugal, sendo impossível definir a data do seu inicio. Desde a origem da nacionalidade que se realizavam eventos taurinos nas principais praças públicas da cidades e vilas de Portugal, onde se montavam praças, tipicamente com formas quadradas, feitas em madeira, que eram desmontadas posteriormente aos festejos. Em Lisboa, por exemplo, até ao final do século XVIII, essas corridas realizavam-se Terreiro do Paço e no Rossio. Em Viana do Castelo, no século XVII, realizavam-se na actual Praça da República, em Évora na Praça do Giraldo. Assim era em todo o país, de norte a sul, passando pelas Ilhas.

O mundo da tauromaquia portuguesa é muito diverso e único no mundo. Além de corridas de toiros portuguesas, baseadas no toureio equestre, no cavalo lusitano e nos forcados, existem largadas, esperas de toiros, recortadores, garraiadas e vacadas, touradas à corda, capeias arraianas, os celebres toiros de morte de Barrancos e Monsaraz, a vaca das cordas de Ponte de lima e muitas mais manifestações que nasceram do espanto e admiração do Homem pelo Toiro e da coragem de o enfrentar.

As corridas de toiros guardam e espelham em si os séculos da historia de Portugal, são um verdadeiro tesouro cultural, especificamente português e único no mundo. 

 


Refira-se ainda que uma grande parte dos portugueses (30,3%) afirma-se aficionado e a esmagadora maioria (86,7%) aprova a existência de Touradas, sendo indiferente (33,7%) ou respeita a sua existência (22,7%). (Eurosondagem Dez. 2019).

 

Em Portugal existem cerca de 70.000 hectares de montado e lezíria afetos à criação do Toiro de Lide, áreas de elevado interesse ambiental e ecológico, muitas delas integrantes da Rede Natura 2000 e participantes em programas de recuperação de espécies como o abutre negro ou o lince ibérico. A criação do toiro bravo, espécie salva da extinção e preservada pela Tauromaquia, constitui um património genético a conservar. O toiro bravo é um guardião da biodiversidade, actuando na preservação do montado e da lezíria, com impactos muito importantes na mitigação das alterações climáticas e da desertificação no território nacional, segundo estudo recente do Instituto Superior de Agronomia.

 

As medidas que tivemos conhecimento para a retoma dos espectáculos a partir de 1 de junho ainda não permitem realizar eventos lucrativos. Uma temporada tauromáquica anual representa mais de 200 espetáculos tauromáquicos, mais de 1.000 eventos de tauromaquia popular, e se continuarem limitadas as exportações de animais para Espanha e França, ficaremos com 3.000 animais cujo destino é indefinido e o canal alimentar é um canal altamente deficitário para cobrir os custos de produção. Falamos de 6 milhões de euros de impacto directo do setor ganadeiro e mais de 12 milhões de receita de bilheteira.

Comparativamente, uma corrida de toiros teve em 2019 uma média de
2.793 espectadores, enquanto em 2018 (últimos dados disponíveis Pordata) cada sessão e teatro teve 163, de cinema teve 23 e de ópera teve 385. Os portugueses acorrem em massa aos espectáculos tauromáquicos. 


Trata-se, ainda, de um sector socialmente responsável com mais de 20 de espetáculos anuais a reverterem para instituições de caracter social e cerca de 50% das praças de toiros são propriedade de Misericórdias e IPSS.  falamos de um valor superior a 1 milhão de euros. Também no terceiro setor se está e irá reflectir a paragem da Tauromaquia.

Também os municípios, enquanto representantes directos dos territórios e das populações, são os grandes beneficiários das actividades tauromáquicas, representando uma fonte de dinamização, cultural, económica e social desses territórios. De norte a sul, passando pelos Açores, uma média de 80 municípios recebem corridas de toiros anualmente, integrando uma parte destes a Secção de Municípios com Actividade Tauromáquica, da Associação Nacional de Municípios. Esta paragem vai afetar gravemente as economias destas regiões.

Desta forma, tendo em conta toda a envolvente social e económica criada pelo sector, apelamos para que se encontrem medidas de apoio e um caminho para uma solução conjunta capaz de enfrentar as dificuldades previstas na Cultura portuguesa. 

 

A Ministra da Cultura não respondeu a um único pedido de reunião até hoje, atacou este setor propondo um iva de 23%, note-se 23%, discriminando esta actividade cultural, classificando esta taxa de civilizadora, e por conseguinte 3 milhões de aficionados de incivilizados;  perante esta comissão evitou pronunciar sequer a palavra tauromaquia…

 

Aquilo que pedimos é um tratamento de igualdade perante a lei. Somos cultura de facto e de jure e queremos ser tratados com o respeito e igualdade que os cidadãos merecem perante a lei, como o define o art 13º da Constituição Portuguesa.

 

Tauromaquia é uma atividade cultural sazonal que vai de final de março a outubro e, por este motivo, é mais afetada pela paragem total dos espetáculos do que outras atividades culturais.

As largas dezenas de espetáculos já perdidos e mais os que não serão realizados, trará para o sector consequências muito serias e impossíveis de recuperar. Estimamos neste momento um prejuízo de cerca de 4,5 milhões.

Com a impossibilidade de gerar receitas, promotores, ganaderos e toureiros estão já em grandes dificuldades para suportar os seus custos fixos, em particular os cavaleiros que tem a seu cargo a alimentação e manutenção dos cavalos, a sua preparação técnica e artística, as equipas de tratadores, veterinários entre muitos outros, com um valor bastante elevado.

Para esta temporada, a preparação da produção de espetáculos tauromáquicos, já foi iniciada há largos meses e a sua não realização acarreta avultados prejuízos em investimentos perdidos e reduções drásticas de receitas.

Uma corrida de toiros integra cerca de 170 intervenientes diretos, ou seja, 170 famílias que dependem da sua realização.

Toureiros, Forcados, ganaderos, empresários, pessoal técnico, campinos, artesãos, alfaiates, ferradores, veterinários e tantos outros, todos são fundamentais para a existência da cultura taurina.

Todos estes empregos e cadeia de valor estão em verdadeiro risco.

Recentemente 1800 artistas e profissionais tauromáquicos vieram publicamente, em carta aberta à Senhora Ministra da Cultura, mostrar as suas preocupações com a sustentabilidade do setor perante esta crise e a total falta de apoio do ministério que os tutela.

Carta aberta porque não conseguimos chegar de outra forma à senhora ministra, que trata a tauromaquia, atividade da sua tutela, com total desprezo e discriminação.

Proteger e valorizar o património cultural do povo português, é a que esta obrigada, pela constituição, a Senhora ministra da Cultura e não pela ditadura do seu próprio gosto.

Somos talvez a única atividade cultural sem qualquer subsídio do ministério e que ate é auto-sustentável.

Não exigimos nada a mais, exigimos pelo menos igualdade de tratamento e oportunidades das restantes expressões culturais.

Exigimos respeito, pela história, pelo presente e pelo futuro desta atividade secular que ate é um produto 100% nacional.

Que medidas estão pensadas e reservadas para nós? Qual o plano que o Estado e a Senhora Ministra têm para a reativação e retoma do nosso sector?

A sobrevivência dos artistas assim como o bem estar dos seus animais são uma verdadeira preocupação para nós e estou em querer que para alem dos partidos que tradicionalmente são a favor da liberdade cultural, PAN e BE pelo menos nos apoiam neste ultimo ponto e com toda a certeza irão se juntar a nós para encontrarmos a melhor solução.

Para alem do drama social e económico que esta paragem esta a trazer diretamente aos artistas, também o seu Fundo de Assistência esta a sofrer elevados prejuízos.

O Fundo de assistência dos Toureiros Portugueses é uma instituição reconhecida pelo Estado Português, que não só segura o risco de acidentes dos artistas no ativo como também é uma obra social que protege toureiros reformados, viúvas, órfãos e educação dos descendentes.

Este Fundo depende da contribuição de donativos por espetáculo dada pelos artistas. Com a atividade parada e a arrancar condicionada, será um prejuízo enorme nas reservas do Fundo e esta em risco a assistência social que o Fundo desempenha.

Muito obrigado. 

 




 

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A ProToiro será amanhã recebida em audiência na Comissão de Cultura e Comunicação, às 9h45, na Assembleia da República. Em representação do setor tauromáquico estarão Nuno Pardal, Presidente da Associação Nacional de Toureiros e Helder Milheiro, Secretário-Geral da Protoiro. 

 
A audiência surge na sequência do pedido formulado pelo setor tauromáquico para expor os seus problemas e propostas para o combate aos efeitos da pandemia do Covid.
 
Esta será uma oportunidade apresentar informação e de esclarecer os diversos grupos parlamentares sobre as consequências da pandemia e as necessidades de todo o setor taurino. 

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A Ministra da Cultura Graça Fonseca deu ontem a conhecer que a partir de 1 de Junho podem regressar diversas actividades culturais, com algumas restrições em termos de lotação (reduzidas a 50%), distanciamento social e utilização de máscaras e gel desinfectante...

A ser verdade, porque não se refere uma única fez a questão da tauromaquia. Segundo escreve Miguel Alvarenga no Farpasblogue "Nos recintos ao ar livre tem de haver delimitações e têm de estar assinalados os locais onde as pessoas podem estar, sendo obrigatória a distância de um metro e meio entre os espectadores - subentendendo-se das declarações da ministra que sejam estas as regras para as praças de toiros.
Nos espaços fechados - que em termos tauromáquicos diz apenas respeito à praça de toiros do Redondo, a única que é coberta e não abre - é obrigatório o uso de máscara e terá de haver higienização dos espaços entre espectáculos ou sessões.
As regras para reabertura das salas de espectáculos, dos teatros e dos cinemas foram definidas pelo Ministário da Cultura em diálogo com a Direcção-Geral de Saúde e serão revalidadas a 15 de Junho."

A generalidade dos espectáculos tauromáquicos que teriam lugar habitualmente até ao 15  de Agosto já foram cancelados pelos promotores até porque muitos destes espectáculos estão englobados nas festividades religiosas locais e esta foram canceladas, inclusivamente, casos como o das Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço em Setembro.

Haverá possibilidade de realizar as tradicionais corridas de toiros em que as outras festividadees tenham lugar? Será que o Ministério da Cultura e a DGS irão viabilizar as corridas de toiros que são tuteladas pelo MC via IGAC?

Quererão os empresários arriscar o seu dinheiro quando não existem forasteiros nas localidades ou os emigrantes que ainda não sabem se podem visitar o País em tempo de férias?

Há demasiadas questões, e a principal é da autorização específica do Ministério da Cultura para que as corridas de toiros sejam englobadas nesta abertura anunciada ontem.

Eu, não acreddito muito embora queira acreditar e deseje voltar ás nossas praças. Mas como não acredito nestes políticos...

Depois de duas outras reuniões do sector, recebemos a seguinte comunicação dos toureiros que se reuniram na quinta do cavaleiro Rui Fernandes:

"Ontem, dia 26 de maio, realizou-se a terceira reunião de um grupo de toureiros em casa do cavaleiro Rui Fernandes. Este encontro contou ainda com a presença do presidente da Associação Nacional de Toureiros, Nuno Pardal, a convite dos respetivos artistas.

Com a duração de cerca de 5h, o encontro decorreu com toda a normalidade e elevação, onde Nuno Pardal teve a oportunidade de apresentar e discutir com os presentes, assuntos e medidas importantes, que a curto prazo beneficiarão todos os toureiros.

As medidas apresentadas serão levadas a discussão e votação na próxima assembleia geral, com todos os associados em sede própria.

Esta foi a última reunião neste formato. A partir desta data estão traçados objetivos comuns que seguirão os tramites legais e temporais para serem postos em prática. Todos os toureiros terão uma palavra a dizer.

Numa altura de incertezas e de dificuldade para o sector, é definitivamente hora de todos estarmos no mesmo caminho.

Este grupo de toureiros tomou estas iniciativas pelo bem comum e não com o intuito de divisão.

Independentemente de algumas divergências existentes, a Associação é favorável a que os toureiros se mobilizem em prol da sua profissão e pelo bem da tauromaquia. Com respeito e responsabilidade, só assim será possível todos fazerem um melhor trabalho.

De notar que foram tomadas todas as medidas de proteção exigidas, incluindo a distância social.”

esta é a nossa casa.JPGO Dia da Tauromaquia de 2020 que se realizou no dia 29 de fevereiro no Campo Pequeno, foi grande jornada de afirmação e celebração da cultura tauromáquica, tendo contado com a presença de 25 mil pessoas ao longo de todo o dia, nas inúmeras actividades e concertos que se realizaram entre as 10h e as 18h.

 

As receitas do Festival Taurino revertiam a favor da ProToiro, que organizou esta jornada através da sua marca Touradas. Agora que as contas já foram fechadas, tendo sofrido um atraso devido à pandemia do Covid 19, a ProToiro informa que o lucro do Festival foi de  34.775,13 €, tendo gerado um total de receitas de 82.769,21 € e um total de despesas de 47.994,08 €. 

 

A Protoiro não pode deixar de, uma vez mais, agradecer a colaboração solidária de todos os artistas e envolvidos no Festival Taurino, tal como aos aficionados que se mobilizaram e encheram a praça, permitindo gerar esta receita para o trabalho de defesa e promoção da Tauromaquia. Muito Obrigado!                        

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Portugal estará em destaque, hoje, no programa Kikiriki do canal Toros, às 21h. 

 
O programa semanal de debate Kikiriki do canal espanhol Toros será hoje dedicado ao trabalho da Prótoiro na defesa da Tauromaquia e na resposta dada perante a crise da pandemia do Covid 19.
 
Este programa internacional intitulado “A Revolução Portuguesa”, que contará com a presença de representantes do setor taurino espanhol, francês e mexicano, Portugal será representado pelo matador Vitor Mendes e Helder Milheiro, Secretário-Geral da Prótoiro. 
 
O plano de 21 propostas do setor taurino português face à pandemia do Covid 19 será a base do programa desta noite. 
 
A não perder a partir das 21h no canal Toros, da cadeia espanhola Movistar, que pode ser visto na NOS, MEO e Vodafone.

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A resposta única que encontro é, por cá “tudo como dantes quartel-general em Abrantes”! Num momento tão crítico como o que acontece, com a tauromaquia a agonizar, parada, sem apoios e sem resposta do Estado que a deveria proteger enquanto cultura, como resulta da legislação em vigor e da própria Constituição da República.

Por cá censura-se, tenta-se por todos os meios não pronunciar as palavras touradas e tauromaquia, como se viu recentemente com a Ministra da Cultura na Assembleia da República. António Costa, que em tempos idos frequentava as barreiras do Campo Pequeno e até agraciava o cabo dos Forcados Amadores de Lisboa e batia palmas ao lado do seu companheiro de partido Elísio Summavielle, verga-se agora, demonstrando a sua falta de tudo, às vontades dos antis e responde que para a tauromaquia não haverá nenhuma excepção… Também não é o que se pretende. Apenas que se respeite e que haja um tratamento igual aos dos restantes agentes culturais impedidos de exercer as suas funções.

Em Espanha os toureiros e demais agentes do mundo taurino, reuniram-se e marcaram um importante conjunto de manifestações para o próximo domingo, tendo Sevilha como palco central e já um importante conjunto de localidades se lhes juntou para manifestarem a sua indignação contra a censura a que o Governo espanhol, do socialista Pedro Sanchez, manietado pelos acordos que lhe permitiram ascender a primeiro-ministro, votou a tauromaquia.

Os toureiros vêm para a rua manifestar-se, mas em Espanha. E os jornais de referência, como o ABC destacam entrevistas com o novo Presidente da UCTL, António Bañuelos e o matador de toiros Luís Francisco Esplá com titulares como estas que destacamos e que poderá ler na íntegra em https://www.abc.es/cultura/toros/#vca=menu&vmc=abc-es&vso=portada.portada&vli=portada

El mundo del toro exige la dimisión de Uribes: «Llevamos demasiado tiempo censurados»

Bañuelos: «Los ganaderos vivimos tiempos muy difíciles, con pérdidas de casi 80 millones»

Esplá: «Caminamos hacia el bolivarismo absoluto y el toreo le pica como un sarnazo»

Por cá, António Tereno volta a colocar o dedo na ferida com uma precisão cirúrgica em mais um excelente artigo de opinião em www.toureio.pt intitulado “A morte de mão beijada “, mas aos quais, autor e texto, poucos ligarão e darão a devida importância. Lamentavelmente.

Falta coragem e capacidade de decisão e de união para programar em Lisboa, em Vila Franca, em Évora, em Alcochete, encontros de gente do Mundo Taurino que sirvam para mostrar aos poderes públicos que existimos, somos portugueses com os mesmos direitos dos restantes e uma importante força cultural, social e económica? Se calhar, porque é bem mais cómodo estar em casa num grupo de whatsapp ou no facebook do que enfrentar a dura realidade.

Vão acabar connosco por via de um vírus e vamos permitir que isso aconteça por inoperância? Se calhar está na altura de sermos o eixo de uma nova revolução. O tempo urge e não está nosso favor.

Texto: António Lúcio

Foto: Maria Mil-Homens

19 Mai, 2020

HOJE TOUREIO EU…

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E FAÇAMOS ALGUMAS CONTAS

Não sou um homem das matemáticas mas sei fazer algumas contas. E preocupa-me que muito se fale, sem se ter certeza de nada, da reabertura dos espectáculos tauromáquicos num curto espaço de tempo e sem que haja uma clara definição das restrições ao número de espectadores que se possam vir a sentar nas bancadas. Hipóteses há muitas e delas se tem falado nas redes sociais e alguns órgãos de comunicação social taurina. Se confirmarem algumas das faladas restrições (20 metros…) será completamente impossível que os empresários possam vir a organizar este ano qualquer corrida de toiros em Portugal. Não haverá número de espectadores suficientes para cobrir os custos do espectáculo. E não me parece que os empresários estejam disponíveis para suportar perdas significativas ou os toureiros e ganadeiros deixarem de cobrar os seus cachets só para que haja toiros.

Fiz um curto exercício em que me socorri das quadrículas de uma folha A4 para desenhar as filas de lugares de uma praça de toiros e colocar 1 espectador separado do seguinte por 3 lugares em vazio e nas filas seguintes repeti o esquema, sem nenhum fila desocupada. Espectador no nº1 e nos nº 5, 9 ,13, 17 etc na primeira filfa e nos nº3, 7, 11, 15 e assim sucessivamente, o que daria uma ocupação média de 25% da lotação da praça.

Se intercalássemos um fila sem espectadores entre cada duas ocupadas com este esquema anterior, diminuiríamos a capacidade de ocupação para 16,66%.

Se tivermos em conta que um espectáculo poderá rondar, em termos de custos, 40 mil euros, teremos preços (para lotações máximas possíveis) a cobrar entre 30.20 euros e 69,56 euros e máximos entre os 45.30 e 104 euros (para as lotações mínimas). O que significaria, grosso modo, o seguinte:

Praça com 2300 lugares vendáveis

A 25% - possibilidade de 575 espectadores – custo de um bilhete 69.56 € (para pagar todos os custos)

A 16,66% - possibilidade de 383 espectadores – custo de um bilhete 104.00 €

 

Praça com 4200 lugares vendáveis

A 25% - possibilidade de 1050 espectadores – custo de um bilhete 38.09€

A 16,66% - possibilidade de 700 espectadores - custo de um bilhete 57.14 €

 

Praça com 5300 lugares vendáveis

A 25% - possibilidade de 1325 espectadores - custo de um bilhete 30.20 €

A 16,66% - possibilidade de 883 espectadores - custo de um bilhete 45.30 €

 

Nas praças cuja lotação ultrapassa os 5300 lugares os custos do espectáculo poderiam ser suportados com preços médios por bilhete na casa dos 30 euros com uma lotação possível de 25% do total normal, enquanto que numa pequena praça com pouco mais de 2500 lugares os valores se tornam verdadeiramente incomportáveis para o grande público que vai às corridas de toiros.

Ainda que os cachets de todos os intervenientes pudessem baixar significativamente, já que as taxas a suportar junto das entidades oficiais não o serão quase garantidamente tal como não o deverá ser o valor do IVA, era preciso diminuir os custos em quase 50% para que o espectáculo se pudesse realizar em algumas das praças com mais de 4000 lugares de capacidade e que são bem poucas no nosso País.

O nosso País tem cerca de 78 praças de toiros divididas em 3 categorias, 8 de primeira, 15 de segunda e as restantes de 3ª categoria. Apenas uma praça, Santarém, tem mais de 12 mil lugares, 14 têm mais de 5000 mil e menos de 7000 lugares. Onze praças têm lotação entre 4000 e 5000 lugares, 13 entre 3 e 4 mil e as restantes abaxio dos 3 mil lugares...

Não sou de matemáticas, volto a frisar, mas creio que ainda sei fazer algumas contas ao invés de alguém que foi primeiro-ministro deste País. Que se tirem conclusões!...

Texto: António Lúcio

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‘Quem não tem cão… caça com gato’. É o que faz o eclético grupo de Aficionados Tauromáquicos do Norte que o novel Joaquim Mesquita anima. Se as circunstâncias não permitem ver corridas… porque não tentar, conversando, e pondo a conversar, os que gostam da Festa dos Toiros? O grupo de Aficionados Tauromáquicos do Norte, tem no seu meio tudo o que é necessário para uma ‘tenta’ a preceito. Espaço online, ganadeiros, toureiros, cavaleiros, bandarilheiros, forcados, avisadores, médicos e até, directora de corrida. Como o público aficionado é gente de bem e civilizada, confia-se, e poupa-se nos agentes de autoridade.

Após um auspicioso ‘ensaio’ na noite de sábado de à duas semanas, pelas 22 horas de sábado passado, com um painel de ‘amigos convidados’ de luxo, onde não faltou uma participação espanhola, directamente de Bilbau, D. Juan Manuel Delgado, Presidente do Excelentíssimo Clube Taurino de Bilbau, entre outras distintas funções representativas ligadas à Festa, dos ‘nacionais’, nossos, justificadas algumas ausências, o destaque vai para o matador, Nuno Casquinha, atento, seguro e distinto quando chamado a intervir. Durante as mais de duas horas que durou à conversa, o convívio foi uma delicia de opiniões, servida e degustada por de gente que gosta, para não dizer, ama, a Festa dos Toiros, com atenta e interventiva ‘casa cheia’ de sabores opinativos. O convite e organização era dos Aficionados Tauromáquicos do Norte, mas as presenças foram-no de todo o Portugal, e até Espanha.

Usando as potencialidades da Internet, o Grupo de Aficionados Tauromáquicos do Norte, se o vírus pandémico empurrou o país para um confinamento redentor, não se rendeu à quietude dos sofás, nem se atemorizou com as ameaças dos ‘silêncios’ de certos governantes.

Composto e formado por um grupo reservado no WhatsApp, fórmula moderna de tirar partido das novas tecnologias, e um modo de comunicação onde a todos os instantes, os integrantes, informam e são informados sobre o que vai acontecendo, ou se conhece, no ‘mundillo’, foi aí também que nasceu a génese da ideia de promover animadas e interessantes trocas de opiniões, ideias e conhecimentos. Se pelo WhatsApp, se marcavam as excursões e incursões taurinas, porque não convidar os amigos para uma cavaqueira, uma charla, de olhos nos olhos, livre, serena e elegante, tendo a Festa dos Toiros, de que todos gostamos e somos aficionados?

Não estava nas mãos dos Aficionados Tauromáquicos do Norte a ‘sorte’ que pudesse resolver os graves problemas que perturba o ‘mundillo’. Mas dali podia, como se comprovou, sair muita coisa que pode ajudar todos os que vivem, de e para a Festa. Um pouco de tudo, no muito que se tem de fazer para manter viva a Festa. Assim o entendam os demais. Conversando, discutindo, opinando, e trocando ideias, fazendo viver a vivência já vivida, analisando o presente, apontando o futuro. E quem melhor que o Frederico Santos Carvalho para moderar e conduzir o serão, pondo como sempre todo o empenho no apoio técnico ? - Excelente. Parabéns.

Sem pretensões que não sejam, ou fossem, de convívio, nesta segunda edição, o leque de meios mereceu já um alargamento. Como alargados foram os ecos das audiências agora multiplicadas, onde até os indiferentes acabaram rendidos à classe dos intervenientes. E, se a sala para a conversa era o ZOOM, que a Microsoft disponibiliza, registe-se a ‘casa cheia’ que no passado sábado manda destacar. Uma audiência que além dos naturais membros do Grupo no WhatsApp, por efeitos e resultado da primeira tenta, foi alargada aos ouvintes da Rádio Voz do Norte, e aos que através do Facebook, são ‘amigos’ fieis da página do Grupo. Uma basta e impensável audiência. Um êxito que ultrapassou a alta participação esperada.

Tendo com tema em arranque de conversa, ‘A tauromaquia pós Covid’, estas ‘Conversas Online’ do Grupo de Aficionados Tauromáquicos do Norte, permitiram falar de toiros, onde o animal é respeitado, apreciado, onde os artistas, cavaleiros, e seus cavalos, toureiros e sua arte e valentia, forcados e sua coragem e entrega, ganadeiros e suas ilusões, a par das preocupações empresariais, quer cá pelo nosso Portugal, quer por Espanha, foram despretensiosa e saudávelmente tratados.

Sábado há mais. E como desta vez não puderam comparecer alguns anunciados convidados, problemas de rede, ou falta dela, a coisa promete, nem seja um bom e saudável convívio.

Texto: José Andrade

Bem próximo da estrada que liga Porto Alto a Alcochete, entrando por uma caminho de terra batida/macadame próximo da antiga Ponte das Enguias e das salinas de Alcochete e seguindo em direcção a Pancas e à Reserva Natural do Estuário do Tejo, encontramos os toiros da ganadaria Herdade de Camarate, cujo ferro é um P coroado.

Rematados, os toiros de 4 anos, pastavam bem junto a esse caminho, com alguns deles a desafiarem-se mutuamente para definirem quem manda no grupo. Mais adiante um conjunto de bonitos novilhos e depois as vacas, com muitas delas já paridas e com os seus bezerros ao lado.

Aqui ficam algumas fotos.

 

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