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Todos sabemos que nas corridas de toiros, ao contrário das outras artes, a morte é real, não há duplos nem truques. As cornadas rasgam a pele e os músculos e por vezes são mortais. As fracturas de membros, de costelas, os fortes hematomas, acontecem, são reais e não por obra de uma grande equipa de maquilhagem e ou de efeitos especiais. Ou seja, o risco, o perigo, são uma constante desta arte que é, ao mesmo tempo, sublime, bela e de uma estética inigualáveis.
Como muito bem se define na Wikipédia, a “Estética (do grego aisthésis: percepção, sensação, sensibilidade) é um ramo da filosofia que tem por objetivo o estudo, da natureza, da beleza e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado beleza, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como: as diferentes formas de arte e da técnica artística; a ideia, de obra, de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes”.
E na tauromaquia a estética ocupa um lugar de capital importância. A forma como o toureiro evolui pela arena, como a pisa, como cria toda uma cena, um capítulo da sua actuação, a forma como se apresenta frente ao toiro, a cavalo ou a pé… Tudo tem uma razão de ser, de fazer, de sentir e de exprimir esse sentimento, esse momento único seja na abordagem do toiro numa sorte a cavalo (equilíbrio, sensibilidade, souplesse de movimentos); seja no muletazo e no seu remate, ou no cite e na reunião no caso da pega, tudo tem de ser feito com beleza natural para provocar emoções no público que assiste e que deve conseguir percepcionar essa técnica que cada um dos artistas intervenientes utiliza para, desafiando muitas vezes a lei da física, fazer o toiro passar onde parece que não pode ser ou para se “colar como uma lapa” na cara do toiro no caso dos forcados.
Mas o risco e o perigo, por maior domínio que haja da técnica, estão sempre presentes porque, por diante, está um animal extraordinário que é o toiro de raça brava de lide. As suas reacções nem sempre são previsíveis apesar de que, os mais entendidos nesta coisa do comportamento animal, conhecedores das ganadarias e seus encastes, podem aperceber-se mais rapidamente dos comportamentos que o animal irá desenvolver ao longo da lide. Mas nada é garantido e o improviso do momento poderá criara momentos únicos de arte em vez de um sobressalto.
E é desse comportamento não dirigível, não pré-programado, do toiro de lide que a incerteza se mantém, que se pode criar mais emoção em cada momento da lide, onde o perigo está sempre presente porque quanto mais os toureiros arriscam, quanto mais pisam os terrenos do toiro, mais facilmente podem ser colhidos, uma realidade que não é teatral… Mas é desses momentos que vive a Festa Brava e são esses os momentos que fazem explodir os nossos corações e as maiores e mais sentidas ovações aos toureiros.
Como se dizia num anúncio de televisão que passou há alguns anos, podia viver sem a tauromaquia? /Poder, podia, mas não seria a mesma coisa.
António Lúcio